-

-

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A Liberdade na Concepção Integralista


Sigma entre colunas adornado com louros. Imagem: Construindo História Hoje.

O manifesto “Verde-Amarelo”, como se pôde observar, exaltava a liberdade consistindo em uma pragmática semântica, cujo conteúdo e expressão servira apenas para atrair a atenção das massas para um movimento que se expandiria do plano cultural para uma afirmação mais política com o advento Integralista, cuja definição de liberdade passa a ser discutida de forma mais aprofundada, como se pode observar nos textos dos anos que se seguem.

Sendo assim, apenas anos mais tarde, Plínio vem nos mostrar a direção a qual julga a mais correta para uma boa conceituação de liberdade. Pois, para ele, aquela liberdade propagada pelos gritos da Revolução Francesa, seria danificada pela disciplina, da qual ser livre tornou-se o mesmo que subjugar o mais fraco.

“Assim sendo, em nome da liberdade, os banqueiros dominavam as nações e escravizaram a indústria e o comércio. Estas por sua vez, entregues às leis da concorrência, livraram-se da disciplina do Estado, mas caíram no cativeiro dos agiotas. Já os patrões, pela liberdade de contrato, passaram a explorar os pobres, tornando o trabalho humano uma mercadoria sujeita às leis da oferta e da procura. Quanto aos pobres, clamando por liberdade, assistem ao espetáculo de luxo e paganismo de seus chefes, endureceram o coração e lançaram-se nas tremendas lutas de classe, feitas de ódio e de revolta. Desta mesma maneira, em nome da liberdade, ele determina que o gênero humano vem a encontrar a ruína, dado que em sua defesa exacerbada sem disciplina também levam à decadência outras instituições como a família, e a imprensa que passa a se comercializar”.

Plínio Salgado (O sofrimento Universal, 1934).

Pode-se concluir a partir destas afirmações acima, que o pensamento de Plínio Salgado ultrapassa as concepções de liberdade proclamados pelos românticos na questão que envolve também o individualismo, desmistificando as verdadeiras intencionalidades das ações praticadas em nome do Liberalismo, cuja proposta, segundo sua opinião, passou a se basear mais nas preocupações materiais do que éticas.

Cartaz Integralista. Imagem: Grupo sobre o Integralismo no Yahoo. Adaptação: CHH.

“Que o individualismo liberal e romântico é o prefácio do coletivismo, eis uma verdade já verificada no transcurso de um século. Foi esse individualismo que se derramou nas páginas de Goethe, de Lamartine, de Georges Sand; que se expandiu nas revoluções políticas e no ritmo desagregador dos partidos; que se alargou e imperou no desenvolvimento econômico dos povos com a nota predominante da usurpação impositiva de grupos financeiros em detrimento dos trabalhadores e das famílias; e que, finalmente desviou a humanidade dos seus superiores destinos, dando-lhe por único pasto, os vis interesses materiais”.

Plínio Salgado (O Ritmo da História, 1954)

Dentro de seu conceito, Plínio afirma mais tarde que a verdadeira liberdade só é possível quando há disciplina regida de forma hierárquica, onde cada homem é livre agindo conforme a intuição, obedecendo aos princípios da moralidade e compreendendo os direitos e deveres humanos, segundo os destinos temporal e eterno assinalados por Deus.

Quanto à forma de governo, sua ideia de democracia era de dentro de um regime governamental centralizado, pois, para ele, escolher um governante por meio de votos, “equivaleria a obedecer aos impulsos inferiores que seguem a lei do instinto.”

“Em suma: a democracia só pode existir com a lei de Deus, que fez o homem livre e responsável. Fora disso é tudo fantasia, é tudo engodo, a iludir multidões inconscientes com a música das palavras sonoras e vazias de sentido (...)”

PlínioSalgado (Atualidades Brasileiras, 1954)

Como se pôde observar, no manifesto Verde Amarelo, havia um tom ufanista cuja profundidade ideológica permanecia ainda implícita, pois, na ocasião, o intuito atrair a atenção dos simpatizantes para aquilo que se deflagrariam em 1932 no Movimento Integralista, cujas ideias ganhavam novas formas conforme os momentos sócio-históricos nos anos seguintes.

COPYRIGHT ATRIBUIÇÃO - NÃO COMERCIAL © 

Copyright Atribuição –Não Comercial© construindohistoriahoje.blogspot.com. Este texto está sob a licença de Creative Commons Atribuição-Não Comercial.  Com sua atribuição, Não Comercial — Este trabalho não pode ser usado  para fins comerciais. Você pode republicar este artigo ou partes dele sem solicitar permissão, contanto que o conteúdo não seja alterado e seja claramente atribuído a “Construindo História Hoje”. Qualquer site que publique textos completos ou grandes partes de artigos de Construindo História Hoje tem a obrigação adicional de incluir um link ativo para http:/www.construindohistoriahoje.blogspot.com.br. O link não é exigido para citações. A republicação de artigos de Construindo História Hoje que são originários de outras fontes está sujeita às condições dessas fontes e seus atributos de direitos autorais.



Você quer saber mais? 

RODRIGUES, Rodrigo. O Pensamento Nacionalista no Modernismo Brasileiro. Santos: Universidade Católica de Santos, 2005.

































































LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.