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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O Nacionalismo de Plínio Salgado e sua Visão do Modernismo. Parte IV.


Tribos indígenas brasileiras. Imagem: Acervo pessoal CHH.

Sob este mesmo aspecto, havia um outro ideal, que não era apenas de independência econômica, mas também a crença de que a vida no campo era propícia a uma pureza espiritual, o que ocasionaria no cidadão uma consciência livre da nefasta influência cosmopolita, do espírito burguês exacerbado e longe de um ritmo frenético onde não se tem tempo para nada. Tais características negativas, segundo ele, estavam mais presentes nos meios urbanos.

Uma das questões defendidas, nesta conferência, está relacionada à transformação cultural, a qual, os estrangeiros, que aqui fixam suas raízes, estão sujeitos em consequência do contato com as diversas etnias que aqui interagem, inclusive no que diz respeito à língua:”Essa unidade é possível que aqui repouse na identidade de raízes étnicas, que fizeram de um milhões de homens uma só família perfeitamente caracterizada pelas suas tendências, pelos sentimentos e aspirações, pela mentalidade prosódica e sintática, à primeira vista distinta aqui ou ali, no fundo exercendo a mesma ação modificadora no idioma português (...)”.

Por essa definição, pressupõe-se uma crença de que o Brasil formaria uma grandeza étnica na mistura de várias raças e culturas.

A obviedade desta afirmação supõe que o principal elemento desta transformação é preponderantemente o índio:

“Não é absurdo acreditar-se que essa raça plantou no sangue do branco, nas primeira núpcias étnicas abençoadas por Anchieta e a que presidiu João Ramalho, a nostalgia do Oeste, que determinou a investida bandeirante, vitoriosa naquele rumo que até hoje nos indica o caminho predestinação da Nação”.

Pela Raça Tupi, entende-se que nunca tenha desaparecido, permanecendo viva no sangue caboclo, considerado um ser submisso aos interesses dos povos dominantes, e cuja cultura “(...) está presente na teogonia brasileira, de uma unidade absoluta de seus mitos centrais – o Curupira, o Saci, o Caapora, o Boi-Tatá, a Iara; aí vive nos nomes sintéticos das nossas cidades e rios, até na referência das cores prediletas, e registrada no número resumido dos vocábulos que as exprimem – piranga, tinga, uma, obi (...)”.

Leva-se a crer também que o Tupi seja o denominador de todas as raças estrangeiras que aqui vieram. Desta forma, Plínio se apoia na opinião de Couto Magalhães:

“Creio que sim, e creio mais: é ela que, além de imunizar o branco pelo cruzamento, prepara-lhe a terra, devastando as matas, abrindo caminho para os surtos da lavoura”.

“(...) não encontrei um só estrangeiro, mas apenas o caboclo brasileiro, de todas as procedências”.

Em suma, para o ideal Nacionalista o índio representa um fator preponderante para a formação de uma raça grandiosa que levaria o Brasil a hegemonia. Como podemos observar neste fragmento onde o índio figurativamente é representado pela anta.

“O grande sonho imperialista desse povo irá realizar-se um dia sem efusão de sangue, mas numa eucaristia de sangues de todas as origens. A anta abrirá carreiros para as marchas de todas as raças no grande matrimônio da humanidade”.

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Você quer saber mais? 

RODRIGUES, Rodrigo. O Pensamento Nacionalista no Modernismo Brasileiro. Santos: Universidade Católica de Santos, 2001.































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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.