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terça-feira, 6 de novembro de 2012

O Nacionalismo de Plínio Salgado e sua Visão do Modernismo. Parte III.


No meio o Dr. José Ribeiro Fortes, líder dos Integralistas em S. Joaquim; de calça branca, tendo à sua esquerda o Sr. Antônio Abdo. Imagem: Arquivo Pessoal CHH.

A crítica estabelecida por Plínio Salgado, é de fato de que, neste período, tantos os críticos como os artistas, buscam uma autoafirmação brasileira, mas, sempre preocupados em não parecerem ridículos perante os conceitos europeus em voga no auge do modernismo:

“(...)a independência intelectual absoluta é a forma do máximo servilismo obediente a todos os efêmeros incertos e a todas contingências ocasionais”.

Plínio Salgado

Portanto, ele conceitua, “implicitamente”, que a tal liberdade de expressão defendida pela Corrente Primitivista, não passa de uma outra forma de prisão, uma vez que ela é inspirada do molde vanguardista europeu. “(...)não há artista mais dependente do que aquele que exclama: a arte é livre, é universal”.

No entanto, assim é definido por ele um comportamento ideal como solução para esta autoafirmação nacional, apresentando da seguinte forma:

“(...)como é ridícula a inteligência sem a colaboração do sentimento, que é a soma dos elementos subconscientes, que lhe estampa os traços da fisionomia e lhe dá o espírito de personalidade”.

Plínio Salgado

Como atitude de emergência política, Plínio Salgado afirma que a literatura também deveria se submeter ao meio de maneira absoluta, contrapondo a opinião de Machado de Assis, cuja definição de nacionalidade não deve possuir doutrinas tão rígidas quanto aos assuntos da própria terra.

Tal atitude é legitimada no segundo trecho desta conferência, intitulado de
“Humanidade=Nacionalidade”, onde é definido que: “A vida só adquire consciência com o contato. Quer dizer que renunciando um ambiente, temos forçosamente de nos submeter a outro”. Através disto, critica-se a atitude dos “passadistas, acadêmicos, humanistas, vassalos de biblioteca, a se ambientarem nos cenários estranhos a sua época”, tal como o “cosmopolita indiferente ao sentimento nacional”. Ambos despreocupados tanto com a nacionalidade como as questões sociais.

No subtítulo “Velho Mundo e Novo Mundo”, é ressaltado que não existe nenhum motivo para apontar o Brasil como uma nação inferior que as demais, inclusive no ponto de vista étnico. Esta assertiva Plínio exemplificou anos mais tarde, na década de cinquenta, ao afirmar que se sabe de muitos dos países industrializados tinham a vantagem geológica de serem possuidores da hulha, um elemento indispensável para a fabricação de ferro de boa qualidade e economicamente rendoso. Citam-se nomes como Houston, Chamberlain e Gonibeau, que, até mesmo fizeram disto, um meio de proclamar a superioridade da raça ariana. No entanto, por esse motivo, o Brasil fica em uma posição desvantajosa por possuir apenas o ferro, rebaixando a uma condição de país exportador de matéria prima, e por consequência, dependente dos produtos manufaturados dos países mais industrializados. Dentro desta condição, acreditava Plínio que o Brasil teria condições suficientes para se lançar como uma grande potencia econômica por possuir as maiores faixas de terras férteis do mundo, possibilitando-o de desenvolver todas as culturas. Lembra também ele que o Brasil poucos motivos tinha naquela época para se deixar seduzir por outras nações, dado que a Inglaterra passava por uma crise industrial. Os Estados Unidos sofriam com os efeitos da Grande Depressão. Quando à França, diz ele, que mesmo com toda sua cultura, se encontrava em desordem moral, além de terrores políticos internos e externos.

Outra definição dada por ele neste trecho, refere-se ao aspecto artístico, no que diz respeito às vanguardas, conceituando-as como deploráveis. “Que restou do movimento moderno na Europa? Cada dia, novas escolas, novos conceitos estéticos, crise de assuntos e, o que é pior, crise de sensibilidade”.

Continua...

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Você quer saber mais? 

RODRIGUES, Rodrigo. O Pensamento Nacionalista no Modernismo Brasileiro. Santos: Universidade Católica de Santos, 2001.




























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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.