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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O Nacionalismo de Plínio Salgado e sua Visão do Modernismo. Parte II.


Plínio Salgado, durante um discurso em meados da década de 1930. Imagem: Arquivo Pessoal CHH.

O movimento modernista ganha força com a deflagração da “Semana de Arte Moderna de 1922”. A participação de Graça Aranha, cujo talento se encontra em sintonia com a “Belle Époque”, precursora das vanguardas, é de fundamental importância para o modernismo brasileiro, sendo ele também responsável pelo discurso de abertura, como se pode observar neste trecho a severa crítica aos passadistas:

“Nenhum preconceito é mais perturbador à concepção da arte que a Beleza. Os que imaginam o belo abstrato são sugestionados por convenções forjadoras de entidades e conceitos estéticos sobre os quais não pode haver uma noção exata e definida”.

Graça Aranha

Em seu depoimento sobre a arte moderna, como pode ser visto acima, Graça Aranha deixa bem claras quais as raízes nacionalistas nas obras dos escritores brasileiros.

Lúcia Helena se apoia na opinião de Antonio Candido, ao definir o quadro situacional brasileiro e a influência da vanguarda europeia da seguinte maneira:

“De acordo com esses acontecimentos, deve-se considerar também, que as artes de vanguarda no Brasil assumem características próprias, na Europa, ela convivia com uma sociedade racionalista em fase de industrialização avançada, com poderosa burguesia em meio à convulsão bélica, aqui, ela interagia com um país de tradição colonialista larga faixas latifundiárias de incipiente industrialização, desenvolvimento desigual e alto hibridismo cultural. Antonio Candido afirma que muitas das ousadias da vanguarda europeia eram mais coerentes com a nossa tradição cultural do que com a deles”.

Lúcia Helena

Antonio Candido, ao analisar a questão do modernismo, também ressalta as características da arte brasileira:

“O hábito que tínhamos do fetichismo negro, dos calungas, dos exvotos, da poesia folclórica, nos predispunha a aceitar a assimilar processos artísticos que na Europa representaram ruptura profunda com o meio social e as tradições espirituais”.

Antonio Candido

O que Antonio Candido provavelmente quis ressaltar com esta assertiva é o fato de que os grupos apegados aos ideais das vanguardas tiveram um considerável êxito aqui no Brasil, no entanto que os chamados cânones literários estão relacionados a nomes pertencentes à Corrente Primitivista como Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira e outros. Porém, menciona, que, também no Brasil, houve grupos de oposição a estas ideias, e destes, deve-se lembrar que não foram apenas os chamados “passadistas” com sua posição reacionária, como também os modernistas da Corrente Nacionalista. Estes por sua vez viam no advento advento modernista um amplo caráter que se estendia da renovação artística e literária ao reformismo político, baseado em uma linha conservadora ruralista de direita e pregadora da doutrina cristã, e pela vanguarda, viam nela apenas um modelo a ser emprestado para depois ser deixado de lado, na medida em que a arte moderna adquirisse características propriamente nacionais.

Pela crítica de Antonio Candido pode-se obervar a relevância do modernismo brasileiro, em contraposição aos movimentos europeus aqui como tivera na Europa.

Pela literatura épica, sabe-se que Ulisses com seus feitos gloriosos e heroicos, destacou-se também por ter inteligência e sutileza e o que o faz condutor de homens, o dom da palavra. Sendo assim Ulisses tinha o poder de movimentar as massas. A assertiva mencionada por Menotti Del Picchia nos dá a sugestão que envolve tanto o desligamento com os padrões clássicos apregoados pelos parnasianos, como certamente também sugere uma postura política que se acentuará nos anos seguintes com o surgimento do “INTEGRALISMO”. Pois, tendo Ulisses o dom da palavra para orientar as massas, a doutrina “Integralista” vem a condenar, anos mais tarde, o sistema democrático pelas eleições diretas, sendo que Plínio Salgado acreditava que um governo bem organizado deveria reger-se de forma centralizada. Desta forma, ele acreditava que ser influenciado por promessas em período de eleições “equivale a obedecer aos impulsos inferiores que equivalem à lei do instinto”.

Em 1926, Plínio Salgado pronunciou em uma conferência intitulada de “A Anta e o Curupira”. Pela simbologia o “curupira”, seria a soma de todas as raças provindas de outras terras, que mesclados aos indígenas, formaram a etnia brasileira. Sendo o índio a matriz desta raça, que vem a ser representado pela “anta”, por ser o maior animal mamífero originário deste país.

Aqui, Plínio afirma que um dos maiores problemas do povo se confessar brasileiro, é sua própria inteligência, sendo que, através dela, tende-se a assimilar facilmente todos os costumes, ideias, conceitos e preconceitos, a todos os servilismos morais e mentais.

No trecho intitulado de “Pátria – Fatalidade Humana” desta conferência, afirma-se que um dos males ocorridos em sua época é a condição da qual o uso desta inteligência, somente, faz o Brasil ser tido apenas com um objeto de estudo. O que em sua definição, tal atitude nos torna meros escravos de outras pátrias. “O que não é possível é ficarmos diante da Raça e da Terra com os olhos dos colecionadores de borboletas”.

Continua...

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Você quer saber mais? 


RODRIGUES, Rodrigo. O Pensamento Nacionalista no Modernismo Brasileiro. Santos: Universidade Católica de Santos, 2001.

























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Plínio Salgado.