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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Mussolini e o fascismo italiano


Benito Mussolini, 1922. Imagem: A Itália Fascista de Martin Blinkhorn.

A 3 de janeiro de 1925, Mussolini executou o movimento que finalmente transformaria seu regime numa autêntica ditadura. Num discurso proferido na Câmara, num tom desafiador, declarou que assumia total responsabilidade por tudo o que acontecera até então: “Se o fascismo tem sido uma associação de delinquentes, então eu sou o chefe dos delinquentes!” Chegara o momento de acabar com todas as restrições e através da força conseguir resolver uma dura batalha entre “dois elementos irredutíveis”.

Os atos seguiram-se imediatamente a essas palavras: dissolução das organizações “subversivas”; fechamento dos clubes de oposição; buscas e prisões; o progressivo cerceamento da liberdade de imprensa; aumento das verbas destinadas à repressão pela polícia e às atividades da milícia fascista. Em seguida, em novembro de 1926, a liberdade recebeu seu golpe de misericórdia. Usando como pretexto um atentado contra a vida de Mussolini, cujas circunstâncias permaneceram envoltas em mistério, o governo adotou uma série de medidas que assinalaram o fim de qualquer atividade política independente que ainda existisse na Itália. Todos os partidos e associações que desenvolviam atividades consideradas contrárias ao regime foram dissolvidos. Os poucos jornais que ainda não se tinham aliado ao governo fora fechados. Os deputados “aventinos” foram expulsos do Parlamento.

Instituiu-se a pena de morte para as violações políticas consideradas graves. Criou-se um tribunal especial composto por oficiais do Exército e da milícia que ficariam encarregados de julgar – por métodos sumários – os delitos políticos considerados de menor gravidade.

Assim, toda e qualquer forma de oposição ou de crítica ao regime ficava confinada à clandestinidade.

O regime policial então criado era brutal, ainda que menos desumano e sanguinário do que, por exemplo, o nazismo alemão. As sentenças de morte promulgadas pelo tribunal especial em tempo de paz – isto é, até o fim de 1940 – não passaram de dez, cinco das quais aplicadas a nacionalistas eslavos acusados de atos de terrorismo.

Houve 4 mil sentenças de prisão, algumas delas por longo período, enquanto aos membros da oposição considerados menos perigosos aplicavam-se penas de banimento temporário em áreas remotas como as ilhas do Mediterrâneo, sob vigilância da polícia. Na realidade, nunca houve verdadeiramente campos de concentração ou campos de trabalhos forçados na Itália fascista de Mussolini.

Leandro Claudir

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Você quer saber mais? 


AQUARONE. A. A Itália de Mussolini. História do século XX. São Paulo: Editora Abril, 1974. V. III.


BLINKHORN, Martin. A Itália Fascista. Lisboa: Editora Gradiva, 1984.


SASSOON, Donald. Mussolini e a ascensão do fascismo. Rio de Janeiro: Editora Agir, 2012.

























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Plínio Salgado.