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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Hitler: personalidade e maneira de agir.


Adolf Hitler, 1933. Imagem: Hitler de Joachim Fest.

Em sua primeira fotografia como chanceler, na presença do presidente, o marechal de campo Von Hindenburg, Hitler parece rígido, inibido e humilde. [...]

Mas por trás dessa máscara ocultava-se um calculismo frio. Penetrou no rebanho como um lobo em pele de cordeiro.

Sabia perfeitamente como atuar de acordo com sua audiência: na presença de banqueiros falava de um modo; quando na companhia de soldados, de outro; quando estava com operários industriais, utilizava uma linguagem diferente da empregada com os camponeses. Quando desejava atingir determinado objetivo, utilizava vários recursos: um olhar inspirado e o charme austríaco, ataques de choro e ameaças de suicídio, tempestades de fúrias e transigência, monólogos sem fim e crueldade deliberada. Era astuto, perspicaz, ardiloso, habilidoso e extremamente desonesto – a amoralidade personificada.

Enquanto os capitães de indústrias, os banqueiros, os JUNKERS e o EXÉRCITO eram enganados por sua duplicidade, as MASSAS confiantes que votavam em Hitler não tomavam conhecimento do lado medíocre, repulsivo e cômico de sua imagem. Parecia, para milhões, o salvador, cuja conduta selvagem e cujos sons guturais vazios de sentido os levavam a um estado de êxtase. Sua maneira simples de vestir-se, sua abstinência e seu celibato elevaram-no às mais altas esferas.

Hitler chegou ao poder devido à sua habilidade oratória. Sentia instintivamente as necessidades das massas; antes de começar a falar sentia a atmosfera e a disposição da audiência. Suas explosões emocionais eram cuidadosamente planejadas. Muitas vezes conseguia transformar uma audiência hostil numa multidão de seguidores devotados.

Mesmo depois de conquistar o poder supremo, Hitler não abandonou a oratória. Necessitava de contato permanente com as massas. Confrontar-se com dezenas e centenas de milhares de pessoas, sozinho e isolado numa imensa plataforma, equivalia a uma purificação. Precisava dessa atmosfera teatral para afirmar-se, deixava-se levar pela intoxicação das massas. [...]

Hitler tinha certa dificuldade em entrar em contato com as pessoas. Embora estivesse sempre cercado delas, sentia-se sozinho. Não tinha verdadeiros amigos – Rohm, seu amigo íntimo, foi executado a seu mando - , evitava o relacionamento familiar e, durante os doze anos que esteve no poder, só teve uma amante que escondia dos olhos do mundo e mantinha aprisionada como se fosse um pássaro na gaiola. Não possuía o menor senso de humor. Estava sempre posando como ditador, dos pés à cabeça. As MASSAS, o viam apenas como ele desejava ser visto; era terminantemente proibida a publicação de fotografias consideradas desfavoráveis.

Hitler nunca teve um emprego fixo, odiava o trabalho regular e os horários rígidos. Pouco depois de ter sido nomeado chanceler, retornou a seu modo de vida desordenado. Mantinha-se fora de Berlim, conversava durante horas com os artistas em Munique, ou retirava –se para as montanhas durante semanas, enquanto reinava o caos no governo, no partido e na administração. Postergava durante meses decisões importantes, pois não gostava de se comprometer. Esperava, aparentemente em total passividade, como uma aranha sem sua teia, por sua oportunidade e então – ditado por seu instinto de poder e por sua disposição – decidia-se repentinamente.

Este Homo novus provinha de família camponesa do norte da Áustria, em que os casamentos consanguíneos eram prática corrente. Era um tipo semi-instruído, dono de um vocabulário extenso, mas superficial. Tinha uma força de vontade prodigiosa, mas, ao mesmo tempo, carecia de senso de realidade. Seguia seus objetivos como um sonâmbulo e desde sua juventude só desejava uma coisa: poder. Queria utilizá-lo para realizar seus sonhos ilusórios de um império ocidental e de uma raça superior. Quando atingiu o poder, declarou que nunca o largaria.

A Alemanha estava nas mãos de um jogador político que a governava segundo o principio de “Tudo ou Nada”: ou a Alemanha dominaria o mundo ou deixaria de existir. Quase todos os líderes nazistas provinham das fileiras dos, desempregados e dos despedaçados pela experiência da guerra. Eram pessoas de natureza doente, que após a Primeira Guerra Mundial não conseguiram retornar à vida normal; neuróticos que odiavam a situação em que seu país se encontrará após a Primeira Guerra Mundial, não conseguiam suportar conviver em seu meio social da República de Weimar, ambiciosos pela glória de uma Alemanha forte internamente como internacionalmente e frios em seus meios para alcançar seus objetivos. Muito disso se aplica sob medida a Hermann Goering, que durante muito tempo foi o indivíduo mais poderoso depois de Hitler, até que outros nazistas mais hábeis o destronaram.

Leandro Claudir

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Você quer saber mais? 


K.H. Janssem. Hitler e seus adeptos. História do século XX. São Paulo: Editora Abril, 1974. v.III.


FEST. Joachim. Hitler. Rio de Janeiro: Nova Fronteira S/A, 2005. v.I.


FEST. Joachim. Hitler. Rio de Janeiro: Nova Fronteira S/A, 2005. v.II.


JUNGE, Traudl. Até o Fim: os últimos dias de Hitler contados por sua secretária. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005.


SILVA, Pedro. A Lança Sagrada de Hitler: a busca dos nazistas e de outros conquistadores pela relíquia mais cobiçada da humanidade. São Paulo: Universo dos Livros, 2008.


MALKIN, Lawrence. Os Falsários de Hitler: o golpe do III Reich para destruir a economia aliada. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007.


LUTZER, Erwin. A Cruz de Hitler: como a cruz de Cristo foi usada para promover a ideologia nazista. São Paulo: Editora Vida, 2003.

























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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.