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terça-feira, 23 de outubro de 2012

As Identidades de Origem do Capitalismo e Comunismo


No meio o Dr. José Ribeiro Fortes, líder dos Integralistas em S. Joaquim; de calça branca, tendo à sua esquerda o Sr. Antônio Abdo. Imagem: Construindo História Hoje.

Hoje, que a lei da gravitação de Newton, em cuja expressão expositiva se encontra o caráter da época da dialética, cede lugar a uma nova concepção dos movimentos; hoje, que as velhas concepções do Espaço e do Tempo cedem lugar a uma compreensão nova dos ritmos, desde Henri Poincaré; hoje, que vamos encontrar no recesso dos átomos, não apenas a negação da Matéria, mas a unidade das leis universais e a unidade da Energia, nós, homens do século XX, sentimo-nos muito mais próximos de Aristóteles (a unidade diferenciada e o equilíbrio universa), do que dos filósofos materialistas dos quais procede, como uma flor da burguesia crepuscular, - o Marxismo.

O que não se pode negar é a identidade absoluta do Marxismo com a filosofia burguesa, criada para oprimir os humildes e justificar a exploração do homem pelo homem. O que é fora de dúvida é que o Capitalismo e o Comunismo não passam de palavras diferentes para designar a mesma coisa: a brutalidade da violência, o materialismo grosseiro.

Acaso o Marxismo se rebela contra a Economia Burguesa? Acaso o Comunismo se revolta contra o Capitalismo?  Se a filosofia comunista é a mesma que a capitalista, como se acaba de ver, como pode engendrar o comunismo uma economia nova?

Mas, acaso, uma Economia Nova é anunciada pelo Comunismo? Mas, então, ele renega as “leis naturais”?

Se nega, deixou de ser materialista e passou para o campo da ética espiritualista.

Se não nega, então não é revolucionário, como se apregoa, pois submete-se a uma concepção de vida que pertence, em primeira mão, ao Capitalismo e á Burguesia.

O Comunismo pretende dar fundamento moral à Economia? Mas então reconhece que a Economia não pode subordinar-se ao materialismo naturalista? Nesse caso, o Marxismo está renegando os seus próprios fundamentos, isto é, o decantado “materialismo histórico”.

O Comunismo objetiva uma “justiça social”? E pretende realizá-la sob o império das “leis naturais”? Perguntamos: qual é a moral das “leis naturais”? Qual o interesse de justiça social das “leis naturais”? , desde que se abstraiam as ideias de Deus e do Espírito? Qual o interesse de justiça social das “leis naturais”? Ou só será fulminado aquele que o merecer? O Comunismo acha que pode haver interferência do Homem, segundo o seu interesse, nas “leis naturais” da Economia? Mas isso é negar todo o velho determinismo da Evolução e do Materialismo oficial onde o Marxismo se abeberou.

A verdade é que o Marxismo não passa de um capítulo acrescentado à Economia Burguesa. E é ao próprio Marx quem o confessa, declarando que não nega as leis que foram descobertas, desde os fisiocratas, mas a elas vem acrescentar outras que ele descobriu. Ele é um continuador de Adam Smith.

Marx descobre algumas leis novas, sendo a fundamental do seu sistema a da “mais valia”. É um continuador dos burgueses evolucionistas e materialistas. Preocupa-o a precipitação do processo evolutivo do Capital. Pede, então, emprestado a um outro burguês, Hegel, o seu processo dialético. A sua “filosofia de ação” é uma beberagem onde se misturam todas as tisanas filosóficas do século XIX. A sua Economia é a subordinação aos mesmos princípios da Economia Liberal Burguesa.

Plínio Salgado. Imagem: Construindo História Hoje.

Pensando bem, a obra de Marx é a apologia do Capital. É absurda a identidade de propósitos do Comunismo e do Capitalismo. O Comunismo é, apenas, mais apressado. O Capitalismo, através dos seus teorizadores, cala as suas intenções secretas. O Comunismo revela as intenções secretas do Capitalismo e propõe-se executá-las.

O Capitalismo quer o triunfo dos mais fortes, na lei da concorrência. Uma um, serão absorvidos os lutadores. Chegará a ocasião em que dois ou três financistas terão proletarizado todo o gênero humano.

Marx sabe que esse é o fim do Capitalismo e quer, não contrariá-lo, mas apressá-lo o mais possível.

O Capitalismo pretende que um dia os técnicos da Finança governem o mundo, absorvendo todas as autoridades morais, sociais, artísticas, políticas. E o Comunismo não quer outra coisa. Tudo será subordinado à Economia.

O Capitalismo internacional; o Comunismo também é internacional. O Capitalismo, através da usura, do jogo da bolsa, das oscilações do Câmbio, atenta diariamente contra o princípio da Propriedade; o Comunismo prega abertamente contra esse princípio.

E tudo isso por quê? Porque Capitalismo e Comunismo são dois nomes para designar a mesma coisa: o Materialismo.

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Você quer saber mais? 

SALGADO, Plínio. Palavra Nova dos Tempos Novos. São Paulo: Editora das Américas, 1957.

 SALGADO, Plínio. Psicologia da Revolução. São Paulo: Editora das Américas, 1957.

 SALGADO, Plínio. Madrugada do Espírito. São Paulo: Editora das Américas, 1957.













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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.