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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A análise histórica segundo a perspectiva Integralista



 Membros da Câmara dos Quarenta da Acção Integralista Brasileira na década de 30. Imagem: Construindo História Hoje.

A História é a crônica do desenvolvimento e da transformação do espírito dos povos numa aspiração de perfectibilidade.

A consideração, entretanto, do fato histórico segundo critério da necessidade não deve implicar na aceitação do fatalismo cego a que se reduz, em última análise, a concepção determinista.

É aqui que devemos reivindicar a ação da ideia a sua capacidade de interferência transformadora.

O critério evolucionista da História aprecia o homem segundo o impositivo da seleção natural da Espécie; o hegeliano segundo a dinâmica dos contrários do movimento social; o individualista estampa nas figuras de Carlyle o poema solitário dos heróis.

Nenhum desses critérios aprecia a jornada ininterrupta do Espírito e ela me parece tão evidente como a transformação das Espécies.

“É preciso visionar a Humanidade em conjunto, nos lineamentos gerais de suas expressões, para se verificar que todos os movimentos revolucionários foram úteis e parece terem obedecido a leis imprescritíveis.”

Plínio Salgado
Símbolo do Curso de História. Imagem: Construindo História Hoje.

Essas leis dizem respeito, evidentemente, à capacidade modificadora do Espírito Humano.

A Humanidade caminha segundo dois planos:

_ O primeiro coletivo, global, movimento de massa, rumos inconscientes de povos;

_ O segundo, individual, singular, atitude isolada do Homem, desferindo impulsos modificadores.

Esses impulsos, porém, não podem ser anacrônicos ou antecipados, a menos que se conferisse um poder absoluto à faculdade criadora do Homem. Neste caso, teríamos de aceitar, não dois mundos autônomos, e sim dois mundos isolados, gravitando segundo centros próprios de equilíbrios originados de essências diversas. Não teríamos uma concepção útil e bela, modificadora de uma “verdade provisória” (para usarmos a expressão fantasista de Vahinger), mas uma verdade opondo-se a outra verdade.

Aceitamos a gravitação harmoniosa dos contrários. Um mundo de fatos históricos girando em torno da ideia suscitadora de novas expressões. A ideia marcha como o sol, em torno de outros sóis; por isso, como os planetas sem luz própria e subordinados a um sistema, jamais os fatos históricos se repetem nas mesmas circunstâncias.

Nada mais inseguro do que a comparação histórica. Na matéria dos acontecimentos há apenas a considerar a sua substância e esta é a lição sintética que nos deixou a ciência de Maquiavel.

Reunião do Núcleo Integralista de Bento Ribeiro. Imagem: Construindo História Hoje.

Porque as circunstâncias de espaço, de tempo, de volume, de massas e de energia desenvolvida desfiguram os episódios de cada ciclo considerado.

E também a força da ideia e a capacidade e possibilidade de ação, a localização das incidências das energias revolucionárias variam em cada momento histórico.

Essa variabilidade demonstra o valor consciente da Ideia-Força em relação ao valor inconsciente do Fato Histórico.

Realmente. Cada revolução, objetiva restabelecer um equilíbrio perdido, desloca certa soma de força em:

     1)    Ou não chega a corresponder a um quantum matematicamente preciso;    
     2)    Ou leva um superávit de energia;
     3)    Ou não se distribui proporcionalmente.

Considero o fenômeno histórico necessário, pelo simples motivo de se ter verificado. Todo acontecimento social realizado torna-se imediatamente um ponto de partida, estabelecendo uma intransponível barreira a qualquer tentativa de regresso.

Os fatos e experiências anteriores ao último sucesso histórico servem apenas como fonte subsidiaria de contribuição a novos rumos.

Antes de mais nada, temos a distinguir nas revoluções os seus dois aspectos para podermos classificar e compreender um movimento dado, no curso da história.

As revoluções devem ser consideradas:

a)    – segundo o tempo;
b)   – segundo o espaço.

As revoluções podem dar-se simultaneamente no espaço e no tempo, tal o movimento de independência dos povos americanos, no começo do século passado. Podem efetivar-se apenas no tempo, como a revolução francesa, ou a revolução russa. Podem realizar-se unicamente no espaço, como os movimentos nacionalistas.

Daí serem revoluções:

- geográfico-históricas;
- históricas;
- e geográficas.

Por aí se vê como as circunstâncias de espaço e de tempo se associam, estabelecendo iniciais confusões à críticas dos movimentos revolucionários.

Consideramos revoluções históricas, a francesa e a russa, às quais podem juntar à japonesa, que transformou os velhos padrões da civilização nipônica na segunda metade do século passado; a revolução turca, que, depois da primeira Guerra Mundial, modificou as expressões sociais e políticas do país dos Sultões, a revolução italiana, a revolução portuguesa e a revolução espanhola.

Consideramos revoluções geográficas todas aquelas que obedecem a fatores econômicos regionais, ou a impositivos sentimentais de independência ou desagregação.

Se tivermos, porém, em vista, que, até certo ponto, a geografia escreve a história, teremos em muitos casos, de subordinar uma revolução aparentemente histórica a uma causa verdadeiramente geográfica.

Por outro lado, se considerarmos que o desenvolvimento científico e econômico pode, e até quase sempre, atuar na acentuação de incompatibilidades que chamaremos geográficas, as quais, por sua vez agem com efeitos sociais e políticos, teremos de subordinar uma revolução aparentemente geográfica a causas na realidade históricas.

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Você quer saber mais? 
 SALGADO, Plínio. Psicologia da Revolução. São Paulo: Editora das Américas, 1957.





















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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.