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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Expedições de Thor Heyerdahl



Thor Heyerdahl. Imagem: Noruega.Org.

O explorador norueguês contemporâneo mais conhecido, Thor Heyerdahl, explorou as culturas dos nossos antepassados mais remotos. A demanda era descobrir mais sobre a paisagem histórica, não sobre a geográfica. 

Heyerdahl nasceu em 1914 na pequena cidade de Larvik, na costa sul da Noruega. Depois de ter estudado de forma exaustiva materiais etnográficos e arqueológicos da Polinésia, do Continente Americano e do sudeste asiático, Heyerdahl avançou com a teoria de que a Polinésia não tinha sido povoada por povos vindos do sudeste asiático, como anteriormente se acreditava, mas sim da América.

 Na expedição Rá II, Heyerdahl, provou que usando barcos de Junco era possível atravessar o Atlântico. Imagem: Pirâmides de Güímar.

A hipótese que apresentou foi recebida de forma fria, por isso Heyerdahl decidiu demonstrar pessoalmente o que acreditava ser a verdade das suas afirmações. O navio que fabricou para a viagem era uma jangada de pau-de-balsa, uma reprodução exata das jangadas índias feitas na América do Sul desde os tempos da pré-história. Em1947, Heyerdahl partiu de Callao, no Peru, com uma equipa composta por seis homens, e navegou para as ilhas Tuamotu da Polinésia naquela que é hoje em dia a mundialmente conhecida viagem do Kon-Tiki.

A perigosa viagem de três meses era não só uma iniciativa ousada, como também uma
iniciativa a nível da investigação. O livro que Heyerdahl escreveu depois da expedição, American Indians in the Pacific, apoia as suas teorias com material abrangente que dá credibilidade às suas alegações. No seu livro, Heyerdahl afirmava que os primeiros colonos da Polinésia eram provenientes do Peru por altura de 500 AD e que uma nova vaga de colonos chegou da costa noroeste da América do Norte entre 1000 e 1300 AD.

De forma a sustentar mais as suas teorias, Heyerdahl liderou uma expedição arqueológica norueguesa às ilhas Galápagos em 1953. A expedição encontrou provas para as teorias de Heyerdahl, sob a forma de antiguidades de origem índia, datadas do período Inca e pré-Inca, os primeiros achados do gênero jamais encontrados.

Três anos depois, em 1955-56, Heyerdahl liderou uma grande expedição com 25 homens à ilha da Páscoa para realizar escavações consideráveis. Os achados da ilha da Páscoa provaram a existência de três épocas culturais distintas, a segunda das quais concebeu as famosas estátuas de pedra. As escavações descobriram também estátuas mais antigas, muito semelhantes a algumas que haviam sido encontradas na Bolívia. As perspetivas de Heyerdahl sobre a história da instalação da população na Polinésia e as antigas transferências culturais nesta área continuam a ser intrigantes, embora sejam contestadas, por vezes de forma veemente, nos circuitos antropológicos.

A expedição Rá I, fracassou, mas Heyderdahl não desistiu até provar sua teoria na expedição Rá II. Imagem: Pirâmide de Güímar.

Heyerdahl regressou ao elemento oceânico quando liderou a primeira expedição Rá, em 1969, cujo objetivo era muito semelhante ao do Kon-Tiki. No barco de junco Rá, batizado em honra do deus sol egípcio, a expedição saiu de Safi, em Marrocos, numa tentativa de atravessar o Atlântico e, desse modo, provar que os barcos de papiro dos antigos egípcios tinham sido capazes de atravessar o Atlântico.

No entanto, depois de uma viagem de 5 000 quilômetros, o Rá começou a partir-se devido a construção deficiente. A viagem tinha de ser abandonada. A expedição Rá II, uma repetição montada um ano mais tarde, foi um sucesso, chegando a Barbados depois de uma viagem de dois meses e 6 100 quilômetros. O Rá II provou que barcos como o Rá poderiam ter navegado com a Corrente das Canárias através do Atlântico nos tempos pré-históricos.

Em 1977, Heyerdahl empreendeu uma outra viagem com um barco de junco, desta vez também para pôr em prova teorias relativas às rotas oceânicas da antiguidade. A finalidade da expedição do Tigre era trazer esclarecimentos sobre as rotas comerciais oceânicas e contactos culturais de cerca de 3000 AC entre Sumer, na Mesopotâmia, e uma série de outros centros culturais no Médio Oriente, nordeste africano e o actual Paquistão.

Depois da expedição do Tigre, Heyerdahl envolveu-se na investigação sobre a história inicial das Ilhas Maldivas no Oceano Índico. Além disso, em Tenerife, nas Ilhas Canárias, descobriu uma pirâmide com orientação solar que poderá datar do tempo dos guanches, o povo indígena destas ilhas. Heyerdahl também liderou amplas escavações num sítio arqueológico de enormes dimensões, em Tucume, no Peru, para estudar 26 pirâmides andinas. Thor Heyerdahl faleceu a 18 de Abril de 2002, aos 87 anos de idade.

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