-

-

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Psicologia da Revolução: Simultaneidade dos fatores operantes.



Miliciano Integralista. Imagem: Informativo Ação.

A insatisfação permanente do Espírito – Todas as revoluções não passam de capítulos de uma única e grande revolução.

Essa Grande revolução esteve sempre presente em todas as épocas da história. Corresponde a um fenômneno pruamente espiritual, porque interfere na marcha material da civilização.

A concepção materialista da história é uma condenação ao direito humano dos movimentos revolucionários. É a exclusão de um mundo que coexiste, paralelo e dinâmico, em perpétua correspondência com o desenvolvimento dos fatos objetivos da sociedade.

Revolução é vitalidade, é força do homem. É autonomia da Ideia, é interferencia histórica, é propulsão, desvio de rota, criação de aspectos novos.

A Revolução é permanente porque o Espírito não descansa, através do relativo da Inteligência, na procura do Absoluto que é repouso supremo.

Toda Revolução encerra uma verdade ética e um erro matemático; e é do jogo contínuo desses dois elementos que deriva o funcionamento ininterrupto da relativa facuoldade criadora do homem engendrando novas formas que condicionam transitoriamente uma aspiração de repouso.

Eis porque dizíamos que as revoluções devem ser consideradas, não apenas segundo os quadros da evolução da Espécie, o que seria um critério unilateral, mas segundo todos os sentidos dos movimentos  sociais, em que se reflete a imagem inteira do Homem.

As revoluções, onde e quando se processem, apresentam realmente as expressões de forças biológicas em evolução, o índice de desenvolvimentos econômicos, segundo circunstâncias determinadas; mas apresentam também as expressões de outras forças, que são intelectuais e morais e derivam da inquietude permanente de “outro mundo”, independente, subjetivo, de ritmo próprio.

Poder relativo do Homem – Não damos, porém, ao livre-arbítrio a soberana faculdade de decidir das transformações da sociedade. Seria preciso que a faculdade criadora do Homem fosse absoluta, de sorte a improvisar uma sociedade nova, de natureza, de essência diversa, numa palavra, feita segundo o arbítrio imaginativo do seu criador.

Plinio Salgado. Imagem: Capa do Livro Tempo de Exílio.


Pode-se com uma automóvel, ir para onde se quer; há plena lilberdade para isso; mas o automóvel depende do funcionamento do motor, como este depende de suas peças, e tudo depende da gasolina.  O automóvel não tem vontade própria, mas tem sua própria natureza. E a Humanidade ainda é a velha viatura dos velhos tempos dos Faraós.

O Homem e a Humanidade -  Só o Homem é novo. É a perpétua mocidade. Porque traz dentro de si força renovadora que prolonga as primaveras.

O homem é novo, quando se rejuvenesce pela ação criadora do seu mundo interior; e quando ele se sente suficientemente jovem, interfere, atua, modifica, na ânsia de renovar a face da terra.

Revolução é ato do Homem e não da Humanidade.

Revolução é ato de força, portanto de
juventude. Movimento revolucionário é movimento de mocidade. Da eterna mocidade dos heróis.

Por isso é arbitrária, violenta nos seus efeitos. Por isso é permanente, porque se a Humanidade envelhece, o Homem, cada vez mais, é moço e belo. 

Revolução é sentido de equilíbrio novo, de formas novas. Trazendo um íntimo sentimento moral, revela-se num alto pensamento estético.

Revolução é, pois, beleza da mocidade e glorificação do Homem.

A luta do Homem – O Homem tem de lutar contra o mundo.

Tudo se rebela contra aquele que quer criar uma ordem nova. Todos os preceitos se levantam. Tudo o que há de negativo no passado se mobiliza. Todos os comodismos dos satisfeitos se insurgem. Todos os medíocres conjuram para aniquilar aquele que vai interferir na marcha normal dos fatos.

A Revolução tem de lutar contra os fatos, não para negá-los, mas para subordiná-los aos seu ritmo.

É aí que se evidencia o caráter subjetivo da Revolução. Pois ela não se conforma com o desevolvimento das forças materiais da sociedade; até falando em nome deste ela age em sentido contrário, precipitando as etapas da marcha de uma civilização.

Revolução é ideia animada pela consciência de sua própria força.

Luta: atmosfera de ideia – Quando a ideia se imantou irradiando o magnetismo de sua energia é chegado o momento da luta do Homem.

E, então, ele terá de contar com a resistência de mil adversários. É necessário que ele os irrite, que os provoque, arrancando-os da resistência passiva, da indiferença silenciosa, que constituem a mais poderosa das armas contra o gênio criador.

Arbítrio versus determinismo – O arbítrio do Homem deverá, entretanto, conciliar-se com o determinismo dos fatos. O êxito origina-se com o determinismo dos fatos. O êxito origina-se exatamente dessa conciliação.

Os fatos já foram ideias abstratas e trazem consigo a força que aquelas lhes transmitira.

A fórmula de Maquiavel, que dava ao Homem o concurso, em iguais porções , da Fortuna e da “virtuù”, nós poderemos hoje traduzir, depois de um século de crítica científica, que é todo o período que vem a Revolução Francesa aos nossos dias, pela fórmula que atribui metade do êxito à capacidade de ação da Ideia-Força, e a outra metade à interpretação dos lineamentos preponderantes do determinismo da história.

Resistência do Passado – Um dos aspectos mais dignos de atenção dos períodos revolucionários é o da simultaneidade dos ftores que neles operam, e que representam todas as correntes de pensamentos e desejos as quais, tendo nas épocas normais se dissimulado, agora surgem como forças que pretendem atuar e decidir.

Além desses pensamentos e desejos, temos a considerar a residtência do Passado. Entre os renovados conceitos da Sociedade, do Estado, do Governo, das relações entre individuos e indivíduos, entre governos e indivíduos, entre classes e governos, entre classes e classes, perduram traços do Passado, que insistem em prolongar-se.

São resíduos os detritos, que enfrentam a vaga destruidora dos novos pensamentos e dos novos anelos.

Esse fenômeno foi observado na Itália fascista, conforme nos explica Rocco, dizendo ( “Transformazione dello Stato”): “Era per tanto naturale che, finchè detriti del vecchi mondo politico, com mentalità totalmente diversa professanti dottrine antetiche a quella fascista, collaboravano col fascismo nel Governo fosse difficile iniziare vigorosamente uma totale transformazione dello Stato”.

Caráter transitório do Fascismo – É que a revolução subjetiva na Itália esteve enquadrada naqule terceiro caso a que nos referimos no capítulo precedente: ela só começou a operar decisivamente depois da revolução objetiva a que o país foi levado por um mal-estar decorrente de fenômenos sociais que produziram o grande movimento reflexo de reação do organismo nacional, determinando a marcha sobre Roma.

A verdadeira revolução, no sentido da Ideia criadora, só depois foi se processando na Itália e ainda está muito longe do quanto terá de realizar antes que termine seu ciclo próprio.

“Doze anos  depois do advento do fascismo é que a Itália começou a entrar no Estado Corporativo, que antecederá o Estado Integral, última etapa da primeira fase revolucionária. A segunda fase da Revolução será aquela em que esta se exprimirá juridicamente através de transformações do Estado, como um fenômeno permanente e ético.  As declarações escritas em 1933, anteviram a decadência do regime fascista, o qual se cristalizou numa ditadura e abandonando o ritimo da revolulção social, deixou-se influir pelas ideias do século XIX, tais como o expansionismo imperial e o racismo de chamberland e Gobineau. Na sua primeira fase, o fascismo exerceu grande influência na Alemanha, podendo-se dizer que fez a gerar o nacional-socialismo. Este, porém, absorveu a doutrina marxista que pôs a funcionar ao serviço do racismo e da hipertrofia do Estado, erigido acima da Nação e do Homem. Acabou exprimindo o conúbio de Marx e de Nietzsche e começou por sua vez, influir no fascismo italiano. Inicia-se, desde então a decadência do fascismo e o prenúncio de sua queda”.

O próximo fim do fascismo – A fase histórica que o fascismo atravessa é ainda de esplendor, porque é de luta contra os erros do Passado. A decadência da Ideia-Força só se inicia, quando ela não terá mais encanto misterioso desse mundo desconhecido, a elaborar perpetuamente suas surpresas deslumbradoras, que sacodem as civilizações, claudicantes e cansadas do velho passo do determinismo materialista.

Destruição e construção – A tendência dos períodos críticos dos povos é para a desagregação da opinião, porque todas as forças subconscientes vêm à tona lutando pela própria predominância.

Nos dias de incubação, em que se elaboram surdamente as ideias revolucionárias, cada fator homem engendra a sua concepção, segundo os impositivos do seu próprio espírito. Há como que um acordo geral, no tocante a destruir o passado, a substituir uma ordem velha por uma ordem nova.

Mas essa uniformidade de pensamento no concernente à destruição não é a mesma no relativo à construção.

Derrubada de uma situação anterior, estabelece-se a luta entre os próprios aliados. Vencerá o que tiver maior poder de interpretação das forças predponderantes e ao mesmo tempo a maior força de sedução renovadora.

A ideia Revolucionária tem de lutar contra o Presente e contra o  Passado.

Períodos de reconstrução, costumam chamar a fases como essa em que enveredou a Revolução Italiana e em que se agitou a Revolução Russa, após a marcha sobre Roma e o golpe de Lenine. A Revolução assume, então um aspecto incial de destruição.

A Revolução torna-se como a antítese de si mesma. É o instante em que se manifesta os núcleos de pensamento, de desejos,  de mentalidades que convivem, sem atritos, nas épocas normais, e assumem posição de batalha nos momentos seguintes à derrubada de uma ordem velha. É também o momento em que de cada ciclo percorrido surgem as fisionomias expressivas, ansiosas por exercer preponderância nos lineamentos da ordem nova.

A História inteira desfila como uma procissão de fantasmas.

Por isso, escreve Oliveira Martins:

“Cada civilização é um sistema ou série; e da mesma forma que sucede com os organismos naturais, cada sistema, contém, num grau mais ou menos rudimentar, todos os momentos de todas as séries: uma gota de orvalho é a miniatura do mundo”.

E acrescenta:

“O encontro da ação individual comas instituições de um pais dando de si o que se chama uma revolução, jamais produz, o desenvolvimento puro desse pensamento individual, nem desses instituições sobre que atua, quer vença a primeira, quer as segundas, no conflito que transitoriamente se levanta”.

É a conciliação entre o determinismo da história e o arbítrio entre o determinismo da história e o arbítrio individual, da qual tira os efeitos necessários o Gênio Político, O Homem de Ação.

Toda Revolução se dissolve na anarquia, na ruína total, se não encontrar o 18 Brumário.

O 18 Brumário não é um golpe de morte sobre a Revolução:  é a própria Revolução que encontrou o seu contro de equilíbrio.

Consagração das mediocridades – Contra aquele que interpreta o sentido da História e surge como poder mediúnico de conter em si as forças ignoradas do Futuro, que palpitam no recesso das massas humanas, ainda que não pressentidas; contra aquele que sabe profundamente, porque traz consigo o esplendor divinatório da Ideia criadora, há de crescer, necessariamente, a grande conjunção dos falsos valores do Passado, assim como a conspiração tenebrosa do Presente, que é toda uma tempestuosa mobilização das mediocridades.

No instante em que rompe uma velha ordem, um velho equilíbrio, ficam às soltas, livres e petulantes, todos mediocres, todos os incapazes de se manifestar em épocas normais.

A Ideia – Força tem de ser heróica nas suas atitudes, perseverante na sua luta, firme nos seus desígnios e nas suas decisões.

COPYRIGHT ATRIBUIÇÃO - NÃO COMERCIAL © 

Copyright Atribuição –Não Comercial© construindohistoriahoje.blogspot.com. Este texto está sob a licença de Creative Commons Atribuição-Não Comercial.  Com sua atribuição, Não Comercial — Este trabalho não pode ser usado  para fins comerciais. Você pode republicar este artigo ou partes dele sem solicitar permissão, contanto que o conteúdo não seja alterado e seja claramente atribuído a “Construindo História Hoje”. Qualquer site que publique textos completos ou grandes partes de artigos de Construindo História Hoje tem a obrigação adicional de incluir um link ativo para http:/www.construindohistoriahoje.blogspot.com.br. O link não é exigido para citações. A republicação de artigos de Construindo História Hoje que são originários de outras fontes está sujeita às condições dessas fontes e seus atributos de direitos autorais.



Você quer saber mais? 

SALGADO, Plinio. Psicologia da Revolução. São Paulo: Editora das Américas, 1953. pp. 54-63.












Links importantes:










LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.