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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Hoje, a exatos 51 anos atrás, iniciava-se a construção do Muro de Berlim.



Inicío das obras do muro que separou a cidade de Berlim apartir de 1961. Imagem: Enciclopédia Larousse Cultural.

Quando Berlim  foi tomada pelas tropas soviéticas em 2 de maio de 1945, no momento em que Hitler acaba a de suicidar-se (30 de abril), em 8 de maio foram assinados o ato de rendição e o ato de capitulação das Forças Armadas Alemãs. 

Situada em zona soviética, Berlim foi então dividida em quatro setores administrativos por uma comissão de controle ( Grã-Bretanha, EUA, antiga URSS e França). Em 1947, com o fracasso da conferência dos ministros de Relações Exteriores em Moscou, a elaboração da Doutrina Truman* e a instauração do Plano Marshall**, a antiga URSS decidiu tomar medidas com o objetivo de afastar a Grã-Bretanha, França e EUA de Berlim. Ao bloqueio (1948-1949), os Aliados interpuseram uma gigantesca ponte aérea. A livre circulação entre os setores oriental e ocidental de Berlim subsistiu, em seguida, por 12 anos.

 Nesta foto vemos o muro finalizado que atravessou Berlim por 28 anos. Imagem: Bettmann.
   
Em novembro de 1958, a antiga URSS aboliu unilateralmente o estatuto quadripartido; a crescente emigração de leste para oeste levou as autoridades da Alemanha Oriental a construir, a partir de 13 de agosto de 1961, um muro que passou
a separar Berlim Oriental (Capital da República Democrática Alemã) de Berlim Ocidental (Vinculada à República Federal da Alemanha, sob estatuto  especial).

 Mapa da cidade de Berlim, após a Segunda Guerra Mundial. Imagem: Infoescola.

Na noite de 9-10 de novembro de 1989, a livre circulação entre Berlim Ocidental e Berlim Oriental foi restabelecida (abertura do muro e da fronteira entre as Alemanhas). 

Em 1990, conforme dispositivos do Tratado de Moscou (12 de setembro), os quatro aliados suspenderam (1° de outubro) seus direitos e responsabilidades sobre Berlim. Após a unificação (3 de outubro), a cidade voltou a ser a capital da Alemanha. 

 Fotos da queda do Muro de Berlim em 1989. Imagem: Bettmann.

A fim de assegurar plenamente seu papel de capital, em junho de 1991 foi decidida a transferência, num prazo de quatro anos, do Bundestag e da sede do governo, localizada em Bonn. Em 1993, foi prorrogado para o ano 2000 o prazo da transferência do Bundestag e da sede do governo alemão de Bonn para Berlim.
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*Doutrina Truman: Doutrina Truman é o nome dado a uma política externa implantada durante o governo Truman e direcionada ao bloco de países capitalistas no período pré-Guerra Fria. Tal doutrina tinha como objetivo impedir a expansão do socialismo, especialmente em nações capitalistas consideradas frágeis.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a Europa ficou destruída e enfraquecida política e economicamente, com isso emergiram duas potências mundiais, Estados Unidos e União Soviética, que representavam o capitalismo e o socialismo, respectivamente.

Ao sair da Guerra, a União Soviética aspirava ampliar a atuação do socialismo, a começar pelo leste europeu. Ao perceber a expansão do socialismo, liderada pelos soviéticos, o britânico Winston Churchill começou a motivar todos os capitalistas a criarem estratégias com intuito de conter tal avanço.

O governo norte-americano declarou apoio a essa iniciativa, o presidente Harry S. Truman, no dia 12 de março de 1947, proferiu diante do Congresso Nacional um agressivo discurso, afirmando que os países capitalistas deveriam se defender da ameaça socialista.

A partir dessa declaração se consolidou a Doutrina Truman, e, para alguns estudiosos, começou a Guerra Fria, espalhando pelo mundo uma rivalidade entre capitalistas e socialistas.

**Plano Marshall: O fim da Segunda Guerra Mundial trouxe à Europa um cenário de devastação material acompanhado pela morte de milhares de pessoas. A crise de valores trazida por esse cenário problemático colocou em cheque qual modelo de desenvolvimento social e econômico poderia satisfazer as demandas dessa terra devastada. As antigas potências européias pareciam ter a oportunidade de se reerguer por meio de uma economia mundialmente liderada pelos EUA, ou adotar as premissas do socialismo soviético.

A nova configuração político-ideológica de caráter aparentemente binário engendraria, depois da Segunda Guerra, os primeiros passos para a Guerra Fria. Os Estados Unidos, representante máximo do sistema capitalista, perceberam que a instabiliade européia poderia transformar o Velho Continente em um novo campo de expansão das doutrinas socialista e comunista. Visando conter esse possível quadro, os EUA resolveram estabelecer o Plano Marshall.

O plano foi conhecido em março de 1947, depois de uma declaração do chefe de Estado dos EUA, general George Catlett Marshall. Segundo o plano, uma quantia de 17 bilhões de dólares seria liberada para que os países europeus reerguessem a sua economia. No entanto, as nações do leste europeu convertidas ao regime socialista não foram beneficiárias desse mesmo plano graças à intervenção política de Joseph Stálin. Tal episódio deixou ainda mais explícito o cenário de clara cisão ideológica.

De forma geral, o dinheiro obtido com o plano de ajuda financeira foi utilizado na compra de combustíveis, máquinas, veículos, matérias-primas, alimentos, rações e fertilizantes. Entre os maiores credores dessa ação estavam a Inglaterra (3,2 bilhões); França (2,7 bilhões); Itália (1,5 bilhão) e Alemanha (1,4 bilhão). Essa ação foi de grande beneficio para os Estados Unidos, que desenvolveu sua economia com a grande demanda gerada pelas nações européias.

Em pouco tempo, os objetivos de recuperação econômica foram alcançados e um novo acordo de cooperação foi estabelecido entre o bloco capitalista europeu e os Estados Unidos. A cooperação econômica foi reconfigurada para um novo acordo de cooperação militar que visava fazer frente a algum possível ataque do bloco socialista. A chamada Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) firmava um acordo de ajuda militar entre os países pertencentes ao bloco capitalista.

O estabelecimento da OTAN não significou a retomada da antiga supremacia política e econômica do Velho Mundo. A partir desse acordo militar, os Estados Unidos visavam garantir os lucros obtidos através da exportação de gêneros agrícolas e industriais. De forma geral, o Plano Marshall e a OTAN instituíram a hegemonia política e econômica dos EUA no mundo.

Leandro Claudir

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Grande Enciclopédia Larousse Cultural. São Paulo: Editora Nova Cultura, 1995, vol 4.













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