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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Curiosity, o explorador mais avançado da NASA; 06 de agosto de 2012 •


Primeiras imagens do solo Marciano feitas pela sonda Curiosity. Imagem: Reuters.

Maior e mais sofisticado veículo de exploração já enviado a outro planeta, o jipe-robô Curiosity (Curiosidade, em inglês), da Nasa, pousou com sucesso em Marte, às 2h31 (horário de Brasília), desta segunda-feira (6). Após uma viagem de 567 milhões de quilômetros, é o explorador móvel mais complexo enviado pela Agência Espacial Americana (Nasa) ao espaço.

Enquanto as pesquisas realizadas anteriormente em Marte com as naves Viking I e II e os robôs Spirit e Opportunity se concentraram na busca por água, o objetivo da Curiosity é buscar sinais de vida durante os próximos dois anos.

Para isso, o robô está equipado com o Laboratório Científico Marciano (MSL, na sigla em inglês), composto por uma dezena de instrumentos de análise para examinar o solo, as rochas e a atmosfera do planeta, que inclui um laser para pulverizar fragmentos de rochas que possam atrapalhar suas tarefas e um aparelho projetado para detectar compostos orgânicos.
O Curiosity foi acoplado em um robô Rover com seis rodas que mede dois metros de altura, 2,7 metros de largura e três metros de comprimento, e pesa quase uma tonelada, cinco vezes mais que seus antecessores Spirit e Opportunity.

 Primeiras imagens do solo Marciano feitas pela Curiosity. Imagem: Reuters.

Seu nome foi sugerido em 2009 por uma estudante do Kansas, Clara Ma, em um concurso realizado pela Nasa no qual recolheu as propostas de mais de nove mil crianças de todo o país.

A aproximação final do Curiosity ao Planeta Vermelho, conhecida como os "sete minutos de terror",
era a missão robótica mais complicada jamais tentada pela Nasa, devido às características do explorador.

 Primeiras imagens da Curiosity. Imagem: Reuters.

Como um "transformer", desde que entrou na atmosfera marciana a 21,5 mil km/h a cápsula passou em 420 segundos de ser um cone envolvido em temperaturas de quase 900 graus centígrados a se transformar em uma grua flutuante sobre oito foguetes e a algo parecido a uma aranha mecânica quando pousou suavemente na cratera Gale de Marte.

O Curiosity pousou ao pé do monte Sharp, que se eleva sobre 5,5 mil metros no centro da cratera Gale, aberta há três bilhões de anos pelo impacto de um meteorito e que, acredita-se, abrigou um lago.

O estudo das diferentes camadas geológicas do monte Sharp, autêntica testemunha da história de Marte, é um dos principais objetivos da missão.

 Imagens feitas pela Curiosity, após chegar em Marte. Mais ou menos 2h31m de Brasilia. Imagem: Reuters.

O explorador tem uma fonte nuclear de energia que lhe permitirá seguir operando por todo um ano marciano, equivalente a 23 meses da Terra.

O Curiosity iniciou sua travessia rumo a Marte no dia 26 de novembro de 2011 na Base de Cabo Canaveral (Flórida), quando um foguete Atlas V propulsou a cápsula em cujo interior se encontrava o robô a mais de 24 mil km/h. O custo da missão é de cerca de US$ 2,5 bilhões.
A prospecção no solo de Marte começou em 1997 com a missão Pathfinder, que levou ao solo marciano o veículo Sojourner, do qual a humanidade recebeu as primeiras imagens em detalhe desse planeta.

"Curiosity" vai começar a fazer cartografia do sistema solar para que o Homem possa "um dia" habitar outros planetas, explica cientista.

Concepção artística mostra como foi a chegada à Marte da nave Mars Science Laboratory, que transporta o robô Curiosity, cuja missão é passar 2 anos no planeta em busca de vida.

A sonda "Curiosity", que hoje aterrou em Marte, tem como missão começar a fazer a cartografia do sistema solar para que o Homem possa "um dia" habitar outros planetas, explicou à agência Lusa o cientista Carvalho Rodrigues.

O cientista, que ficou conhecido como "o pai" do primeiro satélite português,  destaca que esta sonda é mais "uma extensão" do Homem, como são os computadores  ou os telefones, que, neste caso, foi enviada para Marte.  


"Esta extensão de nós está a fazer as primeiras cartas, a cartografia,  os mapas. Era como os primeiros exploradores portugueses, que faziam os  mapas que permitiram ir ao longo de África, ao longo das Américas, ao longo  da Ásia, e fazer com que o planeta todo se unisse, porque os portugueses  fizeram a descoberta de que havia só um oceano. Ao mandarmos estas sondas  para outros planetas estamos a fazer a cartografia do sistema solar, para  um dia habitar nele", disse Carvalho Rodrigues.  

O cientista sublinhou que a missão da sonda "Curiosity" "é um de vários  passos" para a elaboração da cartografia de Marte, de outros planetas e  do sistema solar.  

"É um pouco como quando os portugueses iam ao longo da costa de África  e um chegava ao cabo Bojador e depois outro dava a volta ao cabo da Boa  Esperança e depois outro foi à Índia e outro ao Brasil e depois outro deu  a volta ao mundo... É passo a passo conhecer o nosso sistema solar e por  onde é que havemos de ir para o habitarmos um dia", voltou a ilustrar.  

Carvalho Rodrigues desconhece se houve, em concreto, alguma participação  ou contributo portugueses para esta missão, mas diz ter a "certeza absoluta  de que há", porque os portugueses estão "em todo o lado".  

"Nós estamos em todo o lado e há muitos anos. E por uma razão simples:  fomos nós que fizemos a descoberta de que só há um oceano e é possível ligar  todas as raças do mundo pelas estradas do mar (...) De modo que há um português  de certeza que fez qualquer coisa para dentro dessa nave ou que está a fazer  a sua navegação ou que fez o seu software... Ou um descendente de um português.  De certeza absoluta", afirmou.  

O robô "Curiosity" aterrou hoje em Marte, pouco depois das 05:31 TMG  (06:31 em Lisboa), anunciaram as equipas da agência espacial norte-americana,  a NASA, em Pasadena,Califórnia, EUA.  

O "Curiosity" deverá levar a cabo uma missão de dois anos em Marte. Alimentado  por um gerador nuclear, tentará descobrir se o ambiente marciano foi propício  ao desenvolvimento da vida microbiana.  

Para tal, o robô possui numerosas ferramentas, entre as quais um mastro  com câmaras de alta definição e um laser para estudar alvos até sete metros. 

Outros instrumentos procurarão moléculas de metano, um gás frequentemente  ligado à presença de vida, já detetada em Marte em várias ocasiões por uma  sonda norte-americana em órbita. O robô poderá também furar o solo para  fazer recolha de amostras e analisá-las. 
A missão do "Curiosity" foi definida como "absolutamente crucial" para  determinar se os terrestres estão sozinhos no universo, como Marte se transformou  em planeta árido e preparar o eventual envio de seres humanos para o planeta  vermelho.


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Plínio Salgado.