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domingo, 19 de agosto de 2012

Conceito de motivação

  Motivação e Sucesso. Imagem: Rede Vida.

Gostaria de apresentar uma definição de motivação focada na organização, que de uma maneira muito simples, porém bem clara, exprime este conceito.

“ É o processo pelo qual se induz o liderado a proceder de certa forma ou a compartar de acordo com o determinado padrão de conduta, ou seja, é o meio pelo qual o líder cria e mantém em sua equipe ou em seus liderados, o desejo de alcançar os objetivos planejados, procurando a satisfação pessoal de cada um.”
.
Ao analisarmos essa definição percebemos que alguns aspectos se destacam explícita ou implicitamente. Eles são:

• Esforço, energia gerada pelo indivíduo, que deve ser encaminhado para a obtenção de um bom rendimento de trabalho.

• Necessidades (carências), que alteram o equilíbrio das condições físicas e/ou psíquicas das pessoas.

• Desejos (impulsos intencionais), gerados pelas necessidades.

• Objetivos, para os quais estão dirigidos os impulsos para satisfazer as necessidades.

Em algumas ocasiões, confundem-se os termos motivação e satisfação. Por isso explicamos:

A motivação é o impulso e o esforço para satisfazer um desejo ou um objetivo. Já a satisfação é o prazer experimentado quando conseguimos satisfazer o desejo. Daí que a motivação seja anterior ao resultado e a satisfação posterior ao resultado. A motivação originada pode estar dirigida para o aumento do trabalho ou para a sua diminuição, dependendo dos fatores que estiverem imperando. Vejamos alguns deles.

Podem inspirar para o primeiro caso:

• O desejo de ser promovido.

• O propósito de realizar um bom trabalho.

• Desejos econômicos ou outros.

• O desejo de aprender.

• O medo de perder o emprego.

• O convencimento de que seu trabalho vale à pena.

Entre os elementos negativos aparecem os seguintes:

* Salários,

• Problemas de relações com os subordinados.

• Dificuldades ou complicações com o serviço.

• Inércia para não trabalhar

Estes aspectos não são os únicos que influenciam a motivação. Não obstante isso, o xis do assunto consiste em elevar os aspectos que originam o efeito positivo e eliminar ou diminuir ao mínimo aqueles que potencializam o efeito negativo ou, de outra maneira, fazer compatíveis os objetivos da organização com as necessidades pessoais.

 A motivação designa um conjunto de forças internas/impulsos que orientam o comportamento de um indivíduo para determinado objetivo. (A motivação é um conjunto de forças internas que mobilizam e orientam a ação de um organismo em direção a determinados objetivos como resposta a um estado de necessidade, carência ou desequilíbrio.)

Entendemos por motivação toda força ou impulso interior que inicia, mantém e dirige a conduta de uma pessoa visando alcançar um objetivo determinado. No ambiente profissional, “estar motivado” supõe estar estimulado e suficientemente interessado como para orientar as atividades e a conduta para o cumprimento dos objetivos estabelecidos com antecedência.
Embora nos concentremos na equipe comercial, isso tudo pode ser também aplicado a qualquer outro departamento. A pró-atividade é uma das principais variáveis positivas do século XXI.

Considerações:

- A motivação de um ser humano é dinâmica e varia a cada instante em função de suas necessidades;
- Podemos afirmar  que enquanto as necessidades fisiológicas, não estiverem totalmente atendidas os indivíduos não conseguem atender as demais, ou seja, com sede, fome, ou sono ele poderá não pensar em mais nada;
- As necessidades de reconhecimento e auto-realização serão buscadas diariamente;
- Os motivadores materiais, como dinheiro ou prêmios, atuam no campo fisiológico ou da segurança e são de curta duração;
- A elevação da auto-estima, desenvolvimento da empatia e da afetividade atua no campo de segurança psicológica e do reconhecimento;
- A auto realização não é atingido por motivadores, pois, situa-se valor interno de cada individuo.
- Assim poderemos entender que no ambiente do trabalho o papel do líder é importantíssimo, pois, estimulando os liderados, a conquistar os objetivos, gera satisfação pessoal, reconhecimento, proporcionando maior aceitação do individuo em ser útil.

TEORIAS DA MOTIVAÇÃO

Maslow e a hierarquia das necessidades:

Segundo Maslow, as necessidades humanas estão organizadas numa hierarquia, isto é, não têm todas a mesma importância. Maslow apresenta a sua teoria através de uma pirâmide em que, na base, estão as necessidades fisiológicas, e, no cume, as necessidades de auto-realização.

As necessidades humanas começam pelas
mais baixas/básicas: as fisiológicas e as de segurança. Só depois de estas estarem satisfeitas se ascende na hierarquia para satisfação de outras necessidades mais complexas. Se não houver obstáculos, o ser humano progride na hierarquia até ao topo.

Necessidades fisiológicas – estas podem ser a fome, o sono, o evitar da dor, o desejo sexual, etc. A satisfação destas necessidades domina o comportamento humano. As necessidades de segurança só surgem se estas forem satisfeitas.

Necessidades de segurança – estas manifestam-se na procura de proteção ao meio (abrigo e vestuário) e na busca de um ambiente estável.

Necessidades de afeto e de pertença – estas manifestam o desejo de associação, participação e aceitação por parte dos outros. 

Necessidades de estima – o indivíduo manifesta o desejo de ser reconhecido pela sua competência, isto é, ele procura a aceitação dos outros através da sua prática, da sua atuação. A satisfação da necessidade de estima desenvolve nas pessoas sentimentos de autoconfiança; a sua frustração gera sentimentos de inferioridade.

Necessidades de auto-realização – se todas as necessidades estão satisfeitas, manifesta-se a necessidade de auto-realização, isto é, a concretização das capacidades pessoais. O indivíduo procura a aceitação dos outros através da sua prática, da sua atuação. 

As pessoas que procuram a auto-realização são independentes, criadoras, resistem ao conformismo, aceitam-se a si próprias e aos outros. As pessoas que não concretizam a necessidade de auto-realização são as que manifestam reações de apatia e indiferença.

Teoria psicanalítica:

Segundo Freud, o comportamento humano é fundamentalmente motivado por razões de caráter inconsciente e orientado por pulsões.

A pulsão é uma força ou impulso energético que leva o organismo em direção a um fim. A pulsão visa reduzir a tensão proveniente de uma excitação corporal. O comportamento é orientado pela tendência do organismo em reduzir a tensão e ao reduzir a excitação/tensão obtém-se prazer (e desprazer pelo aumento da excitação).

As pulsões têm uma origem (fonte), uma finalidade (alvo), uma força e um objeto.

Mecanismos de defesa do ego: são mecanismos que visam evitar a angústia resultante dos conflitos intrapsíquicos. (As pessoas usam esses mecanismos para tentar reduzir a tensão e ansiedade resultantes dos conflitos entre o id, o ego e o superego). Entre estes mecanismos, destacam-se:

Recalcamento – o sujeito envia para o id as pulsões, desejos e sentimentos que não pode admitir no seu ego.

Regressão – é o retorno a uma forma de comportamento característica de uma fase de desenvolvimento anterior.

Racionalização – o sujeito utiliza justificações ilusórias para um comportamento inaceitável. Por exemplo: um aluno é apanhado a copiar e acusa o professor por ter deixado a sala por um momento.

Projeção – o sujeito atribui a outros (à sociedade, a pessoas, a objetos) desejos, ideias, características que não consegue admitir em si próprio. 

Deslocamento – o sujeito transfere pulsões e emoções de objetos ameaçadores para objetos menos ameaçadores. Por exemplo: o funcionário que sofre conflitos no emprego e é agressivo ao chegar a casa.

Formação reativa (inversão dos aspectos) – o sujeito manifesta comportamentos opostos às verdadeiras pulsões. Por exemplo: um sujeito afasta-se de quem gosta.

Sublimação – o sujeito substitui o fim ou o objeto das pulsões de modo a que estas se possam manifestar em modalidades socialmente aceites.

Teoria cognitiva e relacional (Teoria de Nuttin):

Nuttin afirma que o comportamento não nasce de uma carência ou desequilíbrio homeostático, mas de um “dinamismo temporal” que leva o indivíduo ao desenvolvimento e ao “progresso”. 

O sujeito pensa o futuro com aspirações, projetos, construindo planos de ação. Assim, a ação dirige-se a uma categoria de objetos na qual o sujeito pode satisfazer as suas necessidades, podendo até fazer opções (se tem fome e vontade de um gelado, pode mudar-se, optando por uma bebida fresca).

Nuttin afirma que as necessidades, os motivos e as finalidades da ação são personalizadas, compreendidas em função da pessoa, das suas mentalizações e dos seus projetos de vida. 

Processo da motivação.

A motivação nas pessoas inicia-se com a aparição de uma série de estímulos internos e externos que fazem surgir às necessidades. Quando estas se concretizam em um desejo específico, orientam as atividades ou a conduta na direção de alcançar os objetivos e a satisfação das necessidades.

Se aplicarmos o processo de motivação no ambiente comercial, a empresa, entre outros estímulos e incentivos, poderia iniciar a motivação dos vendedores realizando, por exemplo, uma política de promoções internas. Isso faria com que surgisse uma necessidade que se concretizaria no desejo de ser promovido.

De maneira geral podemos estabelecer uma distinção entre dois tipos de motivações:

• Motivação intrínseca: É aquela em que a ação é um fim em si mesmo e não pretende prêmio algum ou recompensa exterior à ação. O funcionário se considera totalmente auto-motivado.

• Motivação extrínseca: Surge como conseqüência da existência de fatores externos; isto é, tendo como referência algum elemento de motivação do tipo econômico.

É claro que se a empresa conseguisse que sua estrutura comercial ficasse motivada intrínseca e extrinsecamente, poderia ter seus funcionários com um bom nível de integração e satisfação. Assim, haveria um ambiente profissional com influências positivas no rendimento e nos benefícios da companhia.

Ciclo motivacional:

O motivo é a razão que leva o organismo a agir; é o estado do organismo pelo qual a energia é mobilizada e dirigida a determinados elementos do meio.
No ciclo motivacional existem geralmente três etapas: necessidade, impulso e resposta (meta).

É a necessidade (estado de falta fisiológica ou psicológica) que origina o impulso ou pulsão. O impulso é a força que impele a pessoa à ação, ao conjunto de comportamentos que permitem atingir o objetivo. O impulso termina quando a meta, o objetivo, é alcançada. Se a meta é atingida, a necessidade é satisfeita e o impulso é reduzido.

TIPOS DE MOTIVAÇÃO

Motivações fisiológicas (primárias, inatas, básicas ou biogénicas):

As motivações fisiológicas são inerentes à estrutura biológica do organismo, tendo por função garantir o equilíbrio orgânico – homeostasia (é um processo dinâmico de auto-regulação que assegura a sobrevivência do organismo.

Exemplos de motivações fisiológicas são: o sono, a dor, a fome, a sede.

O sono é um impulso que tem um papel fundamental no equilíbrio orgânico. O desejo de dormir é um dos impulsos mais fortes. É o hipotálamo que regula o sono.

O impulso da dor tem por função a defesa do organismo, conduzindo-o a evitar o estímulo doloroso para manter o equilíbrio orgânico.

A sensação de fome é provocada pelas contrações do estômago, que desencadeiam estímulos internos que nos levam a procurar alimento. O hipotálamo detecta situações de carência orgânica: sentimos fome. É este estado que nos leva a orientar ações com o objetivo de satisfazer a necessidade.

A aprendizagem tem um papel importante na satisfação do impulso da fome nos seres humanos: o que comemos, quando e como comemos são determinados pela cultura a que pertencemos.

Motivações sociais (adquiridas, aprendidas, secundárias ou sociogénicas):

As motivações sociais variam de pessoa para pessoa (de cultura para cultura) e são adquiridos através do processo de socialização, e resultam do processo de aprendizagem social.

Entre as motivações sociais destacam-se:

Necessidade de afiliação – é o desejo de a pessoa ser aceite e estimada pelos outros, e está relacionada com a vida dos seres humanos em grupos. Existe uma relação entre a afiliação e a necessidade de aprovação social (sobretudo quando existe uma conformidade dos comportamentos individuais às normas do grupo para as pessoas serem aceites pelos outros membros)

Necessidade de realização/sucesso – a motivação de realização é o desejo de ser bem sucedido em situações desafiantes. Há uma grande preocupação em alcançar padrões de desempenho elevados, desenvolvendo atividades difíceis, vencendo resistências e obstáculos. Necessidade de poder/prestígio – necessidade de ter uma posição de determinado nível na sociedade e de ser admirado (por exemplo: pessoas que procuram ocupar lugares de chefia).

FRUSTRAÇÃO E CONFLITO

A frustração é o bloqueio do comportamento motivado, isto é, um obstáculo impede que o desejo, o objetivo, seja alcançado. (Frustração primária é a que resulta da ausência do objeto de satisfação da motivação; frustração secundária é a que resulta da interposição de um obstáculo.)
A tolerância à frustração, isto é, a capacidade de suportar a frustração, depende de vários fatores como a idade (por exemplo, uma criança pequena com fome suporta a situação de não comer com menos tolerância do que um adulto) e a aprendizagem, nomeadamente a socialização (que ensina o modo como o sujeito reage à frustração).
As reações à frustração podem ir da agressão (direta ou deslocada) à apatia (indiferença).
A agressão direta acontece quando o indivíduo agride a causa que provocou a frustração; na agressão deslocada, o sujeito desloca a sua agressão para elementos não responsáveis pela frustração. A auto-agressão é uma forma de agressão deslocada em que o sujeito se agride a si próprio.

Um sujeito vive um conflito quando está numa situação em que diferentes motivações se opõem. O conflito designa a oposição de forças com nível semelhante. O conflito surge quando as motivações são incompatíveis.

Existêm três tipos de conflito:

Conflito aproximação/aproximação – o indivíduo está perante duas ou mais forças positivas. O conflito surge porque só é possível escolher uma resposta.

Conflito afastamento/afastamento – o indivíduo está perante duas alternativas desagradáveis, hesitando qual delas evitar.

Conflito aproximação/afastamento – o indivíduo está perante uma situação que é positiva e negativa ao mesmo tempo.
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Você quer saber mais?

CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas.Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
 
 ALMEIDA, José Ronaldo Mendes de; ALMEIDA, Ronaldo Meneghini Mendes               de. Novos Rumos em Comunicação Interpessoal,  São Paulo: Nobel, 2000.
 FARIA, A. nogueira de; SUASSUNA, Ney Robinson. A Comunicação na  Administração, Rio de Janeiro: LTC, 1982.
 http:///www.administradores.com.br

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