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quarta-feira, 25 de julho de 2012

A enfermeira Erna Flegel, conta como foram as últimas horas de Hitler.



Erna Flegel com 93 anos, segurando um quadro da época que serviu na Cruz Vermelha alemã durante a Segunda Guerra Mundial. Imagem: Agência EFE.

Uma enfermeira da Cruz Vermelha Alemã que acompanhou o ditador Adolf Hitler nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial rompeu pela primeira vez seu silêncio para relatar as últimas horas dele e de seus colaboradores.
 
Em entrevista publicada pelo jornal britânico The Guardian, Erna Flegel, 93 anos, afirma, entre outras coisas, que tentou convencer a mulher do ministro da Propaganda do Terceiro Reich, Joseph Goebbels, a não deixar que os seis filhos do casal morressem.

"Eu queria que ela tivesse levado da cidade (Berlim) pelo menos um ou dois de seus filhos", mas Magda Goebbels se negou. "Eu pertenço ao meu marido. E meus filhos pertencem a mim", respondeu a mulher.
 
Eram crianças encantadoras, diz a enfermeira. Segundo ela, o próprio Hitler tinha muito carinho pelas crianças, tomava com elas chocolate quente e deixava que elas usassem sua própria banheira.
 
Magda Goebbels, que Flegel descreve como uma mulher inteligente, tolerava sem reclamar as conhecidas e freqüentes infidelidades de seu marido.
 
Em relação a Hitler, Flegel afirma que o Führer se sentiu profundamente abatido depois que o exército soviético chegou ao centro de Berlim e ele viu claramente que a Alemanha tinha perdido a guerra.
 
"Hitler não precisava de cuidados especiais. Eu estava ali exclusivamente para cuidar dos feridos. Ele tinha envelhecido muito nos últimos dias e dava a impressão de ser um homem 15 ou 20 anos mais velho", lembra.
 

Segundo a enfermeira, Hitler sofria de um forte tremor, tinha dificuldades para caminhar e seu lado direito estava muito debilitado por causa do atentado que sofreu.
 
A enfermeira de Hitler qualifica a amante do ditador, Eva Braun, de "jovem insignificante" e afirma que a morte de Blondi, o cachorro do Führer, o comoveu mais que o suicídio de Braun. A decisão de Hitler de se casar com Eva Braun convenceu Erna Flegel de que o Terceiro Reich chegava ao seu fim, conta.
 
Erna Flegel, uma das duas sobreviventes do bunker de Hitler ainda vivas, trabalhou na chancelaria do Reich, em Berlim, a partir de janeiro de 1943.


 Erna Flegel com 93 anos, segurando sua foto de 1943, com seus 24 anos . Imagem: Agência EFE.
 
Segundo seu relato, Hitler se despediu de toda sua equipe médica nas primeiras horas do dia 30 de abril de 1945 antes de se suicidar com um tiro naquela tarde. "Saiu de um quarto lateral, apertou a mão de todos, disse algumas palavras amistosas, e isso foi tudo", lembra sua ex-enfermeira.
 
Flegel não chegou a ver o corpo de Hitler, mas soube que o ditador tinha morrido ao ver no bunker mais mortos do que havia normalmente. Seu corpo foi levado ao jardim da chancelaria e incinerado.
 
Após o suicídio do Führer, um grupo de oficiais das SS tentou escapar do bunker, mas Flegel foi uma das seis ou sete pessoas que esperaram dentro dele a chegada dos russos, no dia 2 de maio de 1945, há exatos 60 anos.
 
Flegel, que atualmente vive num asilo no norte da Alemanha, lembra que a partir de novembro de 1944, e enquanto o exército alemão era derrubado, Hitler continuou em Berlim, retirando-se de vez em quando ao bunker com os seus colaboradores.
 
Segundo sua ex-enfermeira, o ditador falava regularmente com todo o pessoal a seu serviço. "Sua autoridade era extraordinária. Sempre se mostrou cortês e encantador. Não havia nada a corrigir", diz.
 
A existência da ex-enfermeira tinha sido um mistério até agora. O jornal britânico chegou a ela após uma longa busca por causa da retirada pela CIA do caráter secreto de um interrogatório a que foi submetida em novembro de 1945 pelos americanos.
 
A secretária de Hitler, Traudl Junge, cujas memórias inspiraram o último filme sobre as últimas horas do ditador, morreu em 2002, e outra testemunha destes últimos momentos, seu telefonista Rochus Misch, 88 anos, nega-se a falar com a imprensa.

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Plínio Salgado.