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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Contextualização da Literatura Integralista


 


Autor: Sergio de Vasconcellos

No seu famoso discurso de Despedida do Parlamento, Plínio Salgado, reconheceu que sua Obra estava esparsa e desconexa e urgia sistematizá-la[1]. De fato, tendo o Movimento Integralista, desde a sua Fundação em 1932, se lançado na luta pela emancipação material, intelectual e moral do Povo Brasileiro, a exposição sistemática de nossa Doutrina ficou prejudicada. No entanto, o Integralismo é um genuíno e completo Sistema Filosófico, apesar de aos olhos de muitos aparecer apenas como uma mera ideologia política, o que está longe de ser verdadeiro.

Toda a Literatura Integralista, infelizmente, ressente-se de uma ambivalência, isto é, a exposição Doutrinária vem sempre acompanhada de elementos práticos e programáticos, ditados pelas circunstâncias históricas, ou, em outras palavras, toda Obra Integralista tem, simultaneamente, uma parte essencial e imutável – a Doutrina Integralista propriamente dita -, e outra acidental, resultante da interação da Doutrina do Integralismo com a ambiência, com a conjuntura nacional e internacional, enfim, é inalterável no seu sentido estritamente teórico e mutável e modificável no restante.

Consequentemente, toda Obra Integralista deve ser tida como uma síntese provisória e incompleta da Doutrina Integralista, e cujo conteúdo foi em grande parte determinado por circunstâncias supervenientes e pelas necessidades políticas do nosso Movimento.

Acrescente-se ainda outra dificuldade: A Literatura Integralista via de regra aborda temas inusuais, ou, quando trata de assuntos da ordem do dia, a abordagem é sempre por um ângulo diferente daquele proposto pelos ideólogos burgueses (liberais e marxistas). Ora, como a maioria dos Brasileiros só sabe aquilo que a mídia burguesa difunde, isto significa que nada sabe da Verdade, não tendo autonomia, num primeiro momento, para entender o Integralismo.

Assim, quando um não Integralista ou mesmo um neófito Integralista se aproximar da nossa Literatura  deverá  ter em mente que:

1º O Integralismo é uma Doutrina autenticamente Revolucionária, totalmente diferente de tudo aquilo que conhece ou supõe conhecer.

2º Em  qualquer Livro ou Texto Integralista, paralelamente a exposição Doutrinária, de valor permanente, existe uma parte transitória, valida tão somente para o período em que foi proposta, e que para nós tem um valor histórico e, é claro, como exemplo do emprego do Método Integralista para a solução de problemas nacionais e internacionais.

Portanto, não distinguir – por ignorância, má-fé ou parcialidade ideológica -  o que é perene do que é perecedouro na Literatura Integralista é a matriz de todos os erros no entendimento e interpretação da Doutrina do Integralismo.  Ontem ou hoje, a nossa Doutrina está sempre inserida em determinado contexto, e ignorar tal fato só pode gerar incompreensão, histórica e doutrinária. Fique claro que não estou relativizando a Doutrina Integralista, pelo contrário, a exata contextualização da Literatura Integralista previne contra qualquer relativismo doutrinário. O relativismo, em qualquer feição que assuma, é a antítese do Integralismo.  Enfim, por incompatível com a própria noção de Integralismo, deve-se evitar a unilateralização no estudo de nossa Doutrina, pois, a despeito das deficiências expositivas, ou apreendemos o Integralismo como um Sistema Filosófico completo ou nada entenderemos do que realmente é o Sigma. 

[1] SALGADO, Plínio. Despedida do Parlamento. Brasília: Câmara dos Deputados, 1976; p. 3. Lamentavelmente, o Chefe Nacional não atingiu tal desiderato.  Uma exposição sistematizada do Integralismo, portanto, ainda, está por ser feita. O Companheiro Gumercindo Rocha Dorea, um dos mais autorizados conhecedores do Integralismo, acalenta o projeto de elaborar a “Súmula Integralista”, justamente para preencher tal lacuna.

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.