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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Estados Unidos e América Latina. Relações Conturbadas.

Autor: Leandro CHH

O historiador Voltaire Schilling nasceu em Porto Alegre, em 1944. Leciona História há mais de 30 anos em diversas instituições de ensino. Em seu livro Estados Unidos e América Latina: Da Doutrina Monroe á ALCA (Editora Leitura XXI, 2002, 144p) ele procura levar seus leitores há uma visão interpretativa das diferenças culturais entre os norte-americanos e seus vizinhos do sul. Fixando as idéias bases que nortearam as relações dos Estados Unidos com a América Latina. Relações estas que ataram o destino dos latinos americanos a um processo de subserviência neocolonial.

Voltaire Schilling aborda as relações entre Estados Unidos e América Latina de forma muito resumida nas idéias bases como: as doutrinas, os ideários, os corolários e os enunciados, não levando em consideração a complexidade envolvida em cada uma destas idéias que envolvem contextos temporais e regionais. Do mesmo modo que enfatiza a admiração dos latinos pelo sucesso dos Estados Unidos o autor nos mostrar o ressentimento com as constantes intromissões dos mesmos nos assuntos da América Latina, demonstrando uma plena lucidez sobre os fatos que envolvem os interesses dos Estados Unidos e suas intervenções.

O autor aponta a questão religiosa como grande barreira de desenvolvimento para a América Latina, de maioria Católica. Em contra posição a Anglo-saxã, de maioria protestante. Colocando deste modo um ponto de vista religioso, pois os Católicos tem por primazia o espiritual e no protestantismo o espiritual pode andar lado a lado com o material. Crendo o mesmo ser este um dos motivos do melhor desenvolvimento dos Estados Unidos em relação ao restante da América Latina Católica.

Apontando de forma variada no decorrer dos séculos os interesses dos Estados Unidos em substituir o domínio colonial europeu pelo seu domínio imperialista por meio da criação de Doutrinas, Regras, Estatutos e Leis (Destino Manifesto, Doutrina Draco, Doutrina Monroe dentre outras) para controlar as nações latino-americanas recém-emancipadas, mas esquecendo-se que estas nações foram deixadas em situação de pleno abandono pelas metrópoles deixandas a mercê dos interesses comercias e expansionistas norte-americanos.

Deste modo as guerras travadas pelas oligarquias locais incentivaram ainda mais a presença ianque, pois como esquece de relatar o autor, deixava claro para os interessados a total desordem deixada pelos colonizadores europeus diante de suas colônias e levava os Estados Unidos como cita Schilling a “acreditar” ter uma “missão civilizadora” a cumprir nesse vácuo político-social.

Vemos nas palavras do autor um pequeno mas importante ponto que fica de fora sobre a questão cubana. Cuba sempre foi vista pelos ianques como uma continuação do litoral norte-americano e deste modo sempre sofreu intervenções dos mesmos para mantê-la como tal. Primeiro expulsando os espanhóis e depois lutando contra os nativos para manter o estado cubano como um mero satélite de Washington. Foi diante dessa situação que a Revolução cubana se desencadeou, não tendo opção, pois de um lado estava à Espanha colonial e do outro os Estados Unidos imperialistas, Fidel e seus revolucionários procuraram refúgio nas idéias comunistas da URSS, onde encontraram apoio para manter sua dignidade com independência política, mas com apoio internacional vindo de Moscou.

No decorrer do livro o autor demonstrar que caberia aos Estados Unidos manter a ordem na América Latina, como esta nas entrelinhas da Doutrina Monroe, e desse modo manteria afastada as intervenções européias. Podemos ver até nos dias de hoje que isto ficou somente no papel, começando pela Guerra das Malvinas, podemos citar várias intervenções de interesses europeus diretamente ou indiretamente pelos Estados Unidos serem impostos na América Latina.

A política norte-americana de intervenções militar reafirmam seu poder na região no inicio da Primeira Guerra, usando como sempre a proteção dos interesses dos Povos da América em relação aos europeus.

Um fato a destacar na obra de Voltaire Schilling é seu ataque ao revolucionário mexicano Pancho Villa, que atuou como guerrilheiro durante a Revolução Mexicana. O autor indaga que “comandou terríveis cenas de vandalismo e assassinatos”. Desse modo tenta manipular a opinião do leitor, pois Pancho Villa é considerado até hoje um dos grandes heróis da Revolução Mexicana, contra os interesses estrangeiros e de governos vassalos como era o do México. Um homem em guerra que merece ser lembrado pela dedicação aos interesses dos agricultores mexicanos que morriam de fome enquanto seu governo vassalo engordava os cofres de Washington.

Durante a Grande Depressão vemos os Estados Unidos tomar uma posição mais moderada em relação aos vizinhos, criando a política da “boa vizinhança”, mas com a Segunda Guerra as portas, Roosevelt, não hesitaria em intervir caso os latinos se posicionassem favoráveis ao Eixo. O autor nesta parte do texto deixa de avaliar uma questão histórica importante que corresponde as intenções ianques de invadir o Brasil pelo nordeste, caso este tomasse posição contraria aos seus interesses.

Os Estados Unidos investem em regimes militares na América Latina para manter sua hegemonia, mas isso acaba quase se tornando uma faca de dois gumes, pelas simpatias que os mesmos apresentaram ao Nazismo e Fascismo.

Schilling afirma que o principal temor norte-americano em relação ao Eixo e a Alemanha Nazista eram comerciais, mas esse fato não tem bases, pois diante de uma clara política racial e imperialista por espaço vital duvido que os ianques estavam realmente apegados a esse temor como motivo principal. Mesmo sendo Hitler uma alternativa econômica interessante para os regimes latino-americanos.

A Segunda Guerra elevou os Estados Unidos a uma nação globalizada com tropas por todo o mundo, expandindo desse modo seu controle econômico e político. Mas no final da Segunda Grande Guerra ligou em parte os países latino-americanos definitivamente aos norte-americanos, pois após a guerra houve uma seqüência de eventos que levaram a divisão do mundo em dois grandes blocos. Comunistas e Capitalistas, criando aqui na América um enclave comunista chamado Cuba. Fruto do Imperialismo norte-americano e do colonialismo espanhol.

A partir de então os Estados Unidos assume uma postura defensiva contra o comunismo tanto internamente como em relação a toda a América Latina. Não visando unicamente seus interesses como afirma o autor mas também das nações latinas ligadas diretamente a sua economia, por isso a OEA é criada para barrar a URSS e seus interesses nos Estados Unidos e seus aliados latinos.

As ditaduras latinas alimentadas pelos interesses norte-americanos que visavam barrar as revoltas populares e proteger os interesses econômicos ianques, agora também deveriam servir para barrar o “monstro” comunista de Moscou.

Nesse interem a Revolução Cubana aproximou os interesses soviéticos da América Latina para desespero ianque. Mas não como cita Schilling, ao afirmar que a Revolução Cubana teve efeitos semelhantes aos da Revolução Francesa e pela Revolução Russa, pois as ditaduras militares já eram um meio de conter as revoltas populares que prejudicassem os interesses norte-americanos. Com a Revolução Cubana somou-se mais uma ideologia para as ditaduras combaterem em prou de seus senhores ianques. Digam os adeptos do comunismo o que quiserem mas sua aceitação entre os países latino-americanos era pequena e na maioria das vezes por falta de opção oposicionistas em relação às ditaduras vassalas ianques.

Isso é uma ironia, pois o militarismo que havia sido sepultado com o nazi-fascismo em 1945, ressurgia com todo o vigor. Trazendo com sigo velhas técnicas barbarias como a tortura (segundo Schilling advindas da Idade Média). Mas para infelicidade do autor ele esquece de frisar que essas práticas sempre foram empregadas em guerras desde os princípios dos tempos, como o foi na conquista da América pelos europeus, como foi na Revolução Mexicana e como tem sido hoje em Guantánamo, no Iraque e no Afeganistão.

Aproximaram-se das ditaduras militares, por considerara-las “autoritárias” e por tanto com possibilidade de aliança em contraposição consideravam os regimes comunistas “totalitários” e impossíveis de reformar. Criando uma guerra ideológica entre ambos, incentivadas pelas falácias norte-americanas esquecidas pelo autor. Quando esquece de abordar que o armamento inserido nessas ditaduras pelos iaques visava manter um equilíbrio entre as ditaduras latino-americanas e do mesmo modo servir de barreira as guerrilhas comunistas.

Com o fim do comunismo vemos acentuadas as questões do livre comercio e a briga entre a ALCA, que visa à aceitação da hegemonia norte-americana na economia latina e o MERCOSUL, com raízes e interesses no mutuo desenvolvimento latino. Neste ponto o autor deixa de citar que a ALCA, dizem os especialistas, “Beneficia poucos e prejudica muitos”, consiste em um pacote de propostas contra o povo latino-americano e suas conseqüências são fáceis de serem previstas: dependência econômica política e tecnológica, invasão territorial e cultural. Isso sem contar o fato de que os países em desenvolvimento precisariam de altos investimentos para entrar em um mercado econômico tão grandioso como a ALCA. Pois para a infelicidade do autor ele afirma que a ALCA, integraria as três Américas, superando bem mais para o futuro todas as suas diferenças num sistema político econômico comum. Claro todos superados subservientes aos Estados Unidos por meio da “ALCApone” .

Colocando a situação do confronto ideológico e cultural entre as duas Américas vemos que desde sua independência os Estados Unidos tem voltado a maioria de suas pretensões ao domínio dos latino-americanos. Seja por meio de intervenção direta informal, direta formal, armada indireta ou indireta. Visavam sempre afastar os interesses europeus e estabelecer sua hegemonia econômica, militar e cultural junto aos latinos, considerados inferiores e incapazes de se autogovernar de forma segura para os interesses norte-americanos.

Você quer saber mais?

SCHILLING, Voltaire. Estados Unidos e América Latina: Doutrina Monroe à Alca. Porto Alegre: Ed. Leitura XXI, 2002.


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Enfermeiras "Blusas-Verdes" Integralistas.


O estudo objetiva investigar a atuação designada à enfermeira integralista e a instrução que recebia para desempenhar com a máxima eficácia o seu papel nos quadros da Ação Integralista Brasileira, partido político de extrema direita, que emerge no Brasil, na década de 1930. Utilizam como fonte documental jornais integralistas, a coleção “Enciclopédia Integralista” e os prontuários sobre a Escola de Enfermagem Integralista que compõem o acervo criminal da Polícia Política, organizado pela Delegacia Especial de Segurança Política e Social. Como resultado, a pesquisa apresenta um expressivo investimento do integralismo na formação de enfermeiras, mulheres que aproveitaram o ensejo do momento para ampliar seus espaços sociais. Conclui que, embora o integralismo reforçasse os papéis descritos socialmente como femininos, a relação das mulheres com o movimento foi inovadora, pois possibilitou novas práticas e representações que elas passaram também a desenvolver na esfera pública, à exemplo, a atuação como enfermeiras.

A década de 1930 representou um marco na trajetória da política social brasileira, uma vez que a “questão social” passou a receber um tratamento diferenciado em relação ao período da Primeira República. Uma variedade de orientações ideológicas, presentes especialmente a partir de 1920 (nacionalismo, tenentismo e outras), denota a presença de marcante inquietação e heterogeneidade sociocultural no período. Nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, as transformações do espaço urbano e a expansão econômica trouxeram novas oportunidades para as mulheres na esfera pública, possibilitando assim, uma maior visibilidade feminina em espaços antes de exclusividade masculina.

Nesse contexto de mudanças, as mulheres passaram a se fazer mais presentes na vida pública, não só nas manifestações político-partidárias como também no mercado de trabalho, gerando na sociedade brasileira algumas tensões e conflitos diante das inovações culturais do período. Eram solicitadas por vários setores que até então as excluíam, bem como reivindicavam o direito de acesso ao espaço público, mesmo que enfrentando críticas e reações frente às tradições e ao conservadorismo predominante. Impulsionada pelos acontecimentos do período, em face de uma Nação que buscava se modernizar, a área da saúde pública ampliou suas atividades na sociedade de modo a promover o controle da população mais pobre, mediante a vigilância e a educação sanitária através de visitas domiciliares. Tais intentos possibilitaram às mulheres, que lutavam por um espaço no mercado de trabalho, a atuação como enfermeiras. Diante das constantes lutas femininas por melhores condições de trabalho e mais igualdade de direitos na sociedade, a Ação Integralista Brasileira (AIB), partido político de extrema direita do Brasil, na década de 1930, não ficou inerte,  incentivando o desenvolvimento da enfermagem no interior do movimento. Provavelmente, as conquistas sociais alcançadas pelas mulheres, naquele momento, como a obtenção de empregos, antes restritos aos homens, e o direito ao voto, fizeram a AIB, assim como o restante da intelectualidade, adaptar seu discurso repressor, de forma que atraísse a mulher.

Também para o campo da enfermagem o integralismo direcionou as mulheres militantes, integrantes de suas fileiras. A AIB compreendia que, no exercício da enfermagem, os atributos considerados intrínsecos à natureza feminina eram valorizados, tornando-se indispensáveis à prestação de um cuidado que era, ao mesmo tempo, técnico e abnegado. Assim, a profissão de enfermeira foi entendida como uma extensão do papel da mulher no recesso do lar, como esposa, mãe e dona de casa, no desempenho de funções ligadas ao cuidado do outro, em relação ao qual havia que se exercitar uma vigilância permanente. O integralismo conferia à mulher enfermeira o papel de combater as endemias existentes, a fim de fazer do povo brasileiro um povo forte, capaz de tornar o País “a potência das potências”. Desse  modo, a AIB investiu em propagandas e cursos integralistas de enfermagem, formando diversas turmas que atuariam em seus laboratórios, lactários e ambulatórios, além de “[...] servirem nos trabalhos geraes ou especializados das clínicas privadas, dos hospitaes e, se necessário, nos serviços sanitários nacionaes”. 


Os cursos de enfermagem ofertados pela AIB também são objeto de investigação deste estudo. Considerando a expressividade da AIB no cenário político da época e compreendendo a crescente participação das mulheres na sociedade do período, com destaque neste estudo para a participação da mulher no integralismo, a pesquisa objetiva investigar a atuação designada à enfermeira integralista e a instrução que recebia para desempenhar com a máxima eficácia o seu papel nos quadros da AIB, para que pudesse tornar fortes e saudáveis os integralistas, aptos a lutar pelas causas do movimento. Ao realizar um levantamento dos estudos desenvolvidos sobre o integralismo e sobre a história da enfermagem na década de 1930 foi possível observar que poucos autores investiram esforços na compreensão sobre a atuação da mulher, como enfermeira, nos quadros da AIB. Pôde-se constatar que as enfermeiras integralistas são mencionadas em estudos que se dedicaram a investigar a participação da mulher no integralismo, mas que esses estudos não se aprofundam na análise da temática em questão, limitando-se a apontar a enfermagem como um campo de ação das militantes.

Desse modo, o estudo justifica-se pela análise do destacado papel desempenhado pelas enfermeiras integralistas nas fileiras da AIB e na sociedade do período, dado que assinala uma trajetória histórica não evidenciada pela área da enfermagem. Justifica-se, também, pelo ineditismo da temática, que aponta para um significativo espaço de atuação destinado à mulher numa sociedade em que a esfera pública se caracterizava como um lugar de circulação predominantemente masculina.

ABORDAGEM TEÓRICO-METODOLÓGICA



Esta pesquisa histórica, de cunho qualitativo, apresenta como recorte temporal o período de 1932 a 1938, cuja delimitação emerge do próprio objeto de estudo, uma vez que 1932 é o ano de fundação da Ação Integralista Brasileira e, 1938, o ano de extinção da Associação Brasileira de Cultura (ABC), antiga AIB. Vale lembrar que no início do Governo ditatorial de Getúlio Vargas todos os partidos políticos foram suprimidos, juntamente com eles a AIB, o que demandou uma readaptação das suas funções, levando-a a se transformar em sociedade civil com a denominação de Associação Brasileira de Cultura. Como ABC, funcionou até 1938, quando foi extinta, e seus líderes foram enviados para o exílio. O estudo utiliza como fonte documental jornais integralistas – “A Offensiva”, “Monitor Integralista” e “Província de Guanabara” – a coleção “Enciclopédia Integralista” e os prontuários sobre a Escola de Enfermagem Integralista, que compõem o acervo criminal da Polícia Política, organizado pela Delegacia Especial de Segurança Política e Social (DESPS/RJ)** e que se encontra no Arquivo do Estado do Rio de Janeiro. Do jornal A Offensiva, órgão de divulgação doutrinária da AIB, foram selecionados cinco artigos e algumas notas, dos 748 exemplares publicados, de 17 de maio de 1934 a 19 de março de 1938. 

As notas publicadas nas seções Movimento Integralista e na Página Médica possibilitaram o acompanhamento dos acontecimentos ocorrentes na Escola de Enfermagem da AIB. Do jornal Monitor Integralista, periódico doutrinário e prescritivo do movimento, publicado da primeira quinzena de 1933 (n. 1) a 7 outubro de 1937 (n. 22), foram utilizados os Estatutos da Secretaria Nacional de Arregimentação Feminina e dos Plinianos  (SNAFP), presentes no exemplar de número oito, que foi veiculado em 1934. Do jornal Província de Guanabara, o estudo fez uso das notícias referentes ao Curso Prático de Enfermagem, com ênfase à notícia publicada em 19 de abril de 1937, presente na página dois do exemplar quatro, que tratava da organização do referido curso. 

À Enciclopédia Integralista, composta por um compêndio de textos elaborados por integrantes da AIB, inclusive por alguns escritos do Chefe Nacional do movimento, Plínio Salgado, recorreu-se para análise e compreensão sobre o Regimento da Secretaria Nacional de Arregimentação Feminina e dos Plinianos, que coordenava, de modo mais abrangente, todas as atividades femininas no integralismo, inclusive as atividades desempenhadas pelas enfermeiras. Finalmente, recorreu-se aos prontuários da Polícia Política, órgão de repressão do governo no período, para análise dos documentos apreendidos e dos relatórios elaborados após a extinção da AIB, por determinação do governo ditatorial de Vargas. A seleção do material se deu pelo levantamento prévio dos artigos e documentos relacionados à temática em questão. Como ferramenta metodológica foi utilizada a análise dos documentos em separado e, posteriormente, relacionados entre si. Desse entrecruzamento entre as diferentes fontes de pesquisa foram elaboradas unidades de significado que possibilitaram melhor compreender a atuação das enfermeiras nos quadros do integralismo e as ações empreendias pelo movimento para a formação dessas militantes.

A Ação Integralista Brasileira e atuação feminina em seus quadros


 Com Núcleos organizados em todo território nacional e contando, em 1937, com mais de um milhão de adeptos, segundo informações divulgadas em o Monitor Integralista, a AIB buscou transmitir a imagem de um movimento preocupado com a população, com os problemas sociais do Brasil. O integralista, além dos deveres para com a Pátria e com o movimento, que iriam até o sacrifício da própria vida, teria o dever de prestar assistência e socorro a todos os brasileiros. Para levar a cabo seus intentos de conquistar novos adeptos, inclusive por intermédio da caridade e beneficência, o integralismo não poupou esforços e atuava com vigor nos centros beneficentes, ambulatórios e lactários por intermédio das militantes. Compreendendo a nova posição social que a mulher assumia e sua presença mais marcante no espaço público, o integralismo aproveitou para direcionar a “energia feminina” para as atividades de assistência social, educação e saúde, além do trabalho de arregimentação e doutrinamento de jovens e crianças. As mulheres inscritas na AIB eram chamadas de “blusas-verdes”, em alusão ao uso do uniforme constituído por blusa de meia-manga de cor verde. Essa vestimenta deveria ser utilizada pela militante em aparições públicas, desfiles, reuniões, batizados, casamentos e outros eventos integralistas ou não-integralistas, sendo seu uso obrigatório em solenidades do movimento. A presença oficial feminina na AIB, na qualidade de membros efetivos, foi definida institucionalmente a partir do Regimento da Secretaria Nacional de Arregimentação Feminina e dos Plinianos (SNAFP), aprovado em 10 de agosto de 1936, obedecendo aos princípios hierárquicos da agremiação. Nota-se que a Secretaria era chefiada por mulheres e a posse dos cargos era comemorada em reuniões solenes e divulgada nos jornais integralistas que enfatizavam a “[...] nobreza de caráter da mulher integralista, sendo ela a mais indicada para organizar e chefiar o trabalho das companheiras blusas-verdes”.  A SNAFP compreendia dois Departamentos: Feminino e dos Plinianos. De acordo com o regimento da SNAFP, o Departamento Feminino tinha por objetivo “[...] orientar, dirigir, controlar e arregimentar as atividades Femininas no Movimento”,10:170 e o Departamento dos Plinianos “[...] reunir, disciplinar e educar, por intermédio da escola ativa, todos os brasileiros, de ambos os sexos, até 15 anos de idade, de modo a realizar o seu aperfeiçoamento moral, cívico, intelectual e físico”.


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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.