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domingo, 15 de maio de 2011

Liberdade da escravidão estrangeira

Pode-se dizer que todas as idéias predominantes em nossa política, durante a Monarquia, durante a República, e ainda nestes dias incertos, são idéias criadas pelos estrangeiros que nos exploram e que têm todo interesse em nos manter num estado de inconsciência, de timidez e incapacidade.

Essas idéias são como hipnóticos: imobilizam-nos.O Brasil está escravizado a uma série de preconceitos deprimentes. É doloroso ouvir-se um brasileiro culto: ele condena a nossa raça, os nossos costumes, atribuindo todos os nossos males à nossa inferioridade. Ele canta a superioridade étnica e moral dos anglo-saxônicos, aponta para os Estados Unidos, numa atitude de basbaque, procurando humilhar os seus patrícios pelo cotejo da nossa pobreza com a opulência do país dos milionários.

Os estrangeiros que nos exploravam meteram na cabeça dos nossos políticos e literatos que éramos a nação mais rica do mundo, isso porque a terra aqui dá tudo, conforme dizia Pero Vaz Caminha, em sua carta ao rei D. Manuel.

É preciso distinguir: “riqueza e “aproveitamento de riqueza”. De nada vale possuir terras fecundas, florestas opulentas, uma fauna e uma flora soberbas, se não podemos industrializá-las e comercializá-las. Só agora, com o advento da eletricidade e a descoberta de outros combustíveis além da hulha (carvão betuminoso), podemos começar a pensar no “aproveitamento das nossas riquezas”. Infelizmente embriagados megalomania da Natureza Portentosa, ouvimos o canto da serei dos banqueiros internacionais e oneramos o nosso futuro. A nossa libertação agora vai ser mais difícil.

Cumpri ainda observar que os banqueiros internacionais, desde os primeiros dias da nossa independência, procuraram criar-nos, através da política da Inglaterra, toda sorte de dificuldades , no concernente á nossa organização econômica e ao nosso comercio interprovincial. A repressão ao tráfico africano teve por fim exclusivo privar-nos de braços para a lavoura a pretexto de policiar os mares, os cruzadores britânicos opunham os maiores embaraços a nossa incipiente navegação mercante.

O “controle” da nossa vida financeira, sempre exercido pelos bancos estrangeiros, criou, por sua vez, as mais graves dificuldades internas na circulação interna de nossos produtos, lutando sempre o nosso comércio com a exigüidade do agente intermediário, isto é, do dinheiro.É inútil produzir, quando não se pode vender. No exterior, tínhamos os nossos produtos desvalorizados pela concorrência dos nossos próprios credores. No interior a falta de capacidade aquisitiva de nossas populações tirava todo o ânimo do produtor. Encurralado por todas as dificuldades, o nosso caboclo tinha de subordinar-se às imposições de açambarcadores, que detinham dinheiro. Estes impunham preços ridículos ao produtor e preços exorbitantes ao consumidor.


Tivemos ainda de contar com dois fatores opressivos: as dificuldades de transporte e as altíssimas taxas de juros. Fretes e juros sugam todas as energias dos produtores.

Quê fez o caboclo diante de tudo isso? Resolveu não plantar.

Vem daí a acusação injusta de indolência aos nossos patrícios. Tais acusações procedem daqueles pretendiam escravizar o caboclo na gleba. Esses vampiros encontraram no Brasil uma quantidade enorme de literatos que começaram menosprezar o nosso bravo sertanejo.

Mas o caboclo é que era inteligente. Só ele era superior, com a sua filosofia e seu sorriso cético.

Ele criou a maior frase de todos os tempos da história brasileira, que é esta: “Plantado, dá!”

Sim. O caboclo tem razão. A terra é boa. Plantando dá.

Mas, que adianta plantar, se não temos meios de transportes?

Que adianta produzir, sem máquinas agrícolas? Como comprar as máquinas, se não fazendo dividas com os agiotas internacionais, que chupam o nosso sangue? Como elevar o nível das safras, se o preço alcançado não compensa?

Só o caboclo é grande na nossa terra!

Só ele tem sabido, na sua pobreza extrema, na sua enfermidade, na segregação em que se encontra, sorrir com desdém para os sociólogos dos países capitalistas atirando-lhes esta frase genial, formidável, que define toda a história, todo o sacrifício, o epílogo de uma epopéia:

-Plantando, dá.

Escravos dos preconceitos, os brasileiros acusam o povo de indolente, de inculto, de analfabeto. E procuram aconselhar remédios ridículos, que estão indicados nos formulários dos nossos inimigos.LinkA situação do Brasil é devida exclusivamente a exploração dos povos que, tendo sido detentores da hulha (carvão betuminoso) na fase de inicio da época industrial, e tendo ao seu dispor os capitais já acumulados anteriormente, empreitaram a nossa escravização.

Acusar o brasileiro de indolente é um crime de lesa-Pátria.


Todos os nossos males vieram da importação de capitais, da montagem caríssima do pouco que possuímos e dos empréstimos onerosos que gravaram para sempre o homem da nossa terra. E vieram da educação a que nos submetemos de admiradores embasbacados da Europa e da América do Norte, onde nada temos que aprender, porque somos infinitamente superiores.

Independência ou morte! É chegado o momento de repetirmos a frase do nosso primeiro imperador. Afirmação bárbara da nossa personalidade brasileira. Repetição diária, nas nossas escolas primárias, nos nossos colégios secundários, nas nossas academias, nos nossos congressos, na imprensa, nos comícios, em toda parte.

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.