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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Rituais da Ação Integralista Brasileira: O Batismo.

A primeira cerimônia a que o integralista se submetia logo após o nascimento era o batizado integralista, que deveria ocorrer simultaneamente ao batismo cristão.

O ritual previsto para essa ocasião era o seguinte: o integralista deveria comunicar seu desejo de solenizar o batizado de seu filho com o ritual do Sigma, ao Chefe do Núcleo que prestará todo o seu concurso à solenidade. Os pais, os padrinhos e os integralistas convidados deveriam comparecer ao templo vestindo a camisa-verde.

Os “Plinianos” do Núcleo a quem pertenciam os pais deveriam comparecer ao templo, uniformizados, e deveriam colocar-se nas imediações da pia batismal, a distância conveniente.

Todos os integralistas e “Plinianos” presentes ao ato deveriam erguer o braço, em silêncio, no momento em que a criança recebesse a benção do sacerdote.

Ao final do ato religioso, a criança deveria ser envolta na bandeira integralista, e, fora do recinto da igreja, ser apresentada pelo pai ou pelo padrinho aos presentes, com as seguintes palavras:

“Companheiros! (nome da criança), recebeu o primeiro sacramento da fé cristã. Ao futuro pliniano, o primeiro Anauê. Os presentes responderão Anauê. Ao final dessa cerimônia, os plinianos formarão uma ala, de braços erguidos, por onde sairão todos os integralistas do templo.”

Dessa forma, o batizado integralista não anulava o batismo católico, ao contrário, deveria ocorrer simultaneamente ao batismo cristão.

Você quer saber mais?

Cavalari, Rosa Maria Feiteiro. Integralismo: ideologia e organização de um partido de massa no Brasil (1932-1937), Bauru, SP: Edusp, 1999.

Protocolos e Rituais, capítulo X, artigo 155. In: Enciclopédia do Integralismo, vol. XI.

http://construindohistoriahoje.blogspot.com/search/label/PESSOAL


http://construindohistoriahoje.blogspot.com/search/label/INTEGRALISMO

Rituais da Ação Integralista Brasileira: Casamento.

Nos casamentos existiam rituais para o ato civil e para o religioso.

O ato civil, caso as famílias desejassem, poderia ser realizado na sede do Núcleo a que pertencesse um dos noivos. Se a cerimônia fosse durante o dia, a noiva deveria apresentar-se de blusa verde e o noivo deveria vestir camisa verde e calça branca, e camisa verde e calça preta, se fosse à noite.

Todos os integralistas, homens e mulheres, deveriam comparecer ao ato civil e religiosos vestindo o uniforme do Sigma, revestindo-se de todas as insígnias a que tiverem direto, e, quando os atos fossem solenes, deveriam formar alas por onde passariam os noivos.

As Bandeiras Nacionais e do Sigma deveriam ser colocadas em lugar de destaque na sala onde se realizava a cerimônia, simbolizando o altar da Pátria. Entretanto, se o casamento fosse realizado na Pretoria, as bandeiras só poderiam ser conduzidas para lá com a permissão do juiz.

Ao término do ato civil, após a assinatura do livro competente, a maior autoridade da Província deveria dizer:

“Integralistas! Nossos Companheiros (nomes) acabam de se unir perante a Bandeira da Pátria, assumindo em face da Nação Brasileira as responsabilidades que tornam o matrimônio, não um ato egoístico do interesse de cada um, mas um ato público de interesse da Posteridade, da qual se tornaram perpétuos servidores. Pela felicidade do novo casal, ergamos a saudação ritual em nome do Chefe Nacional. Aos nossos companheiros (nomes) três Anauês. Todos os presentes repetirão três vezes o Anauê.”

No ato religioso, que deveria ser realizado na igreja ou templo, salvo motivo de força maior, a noiva deveria estar vestida conforme a tradição brasileira, isto é como o próprio vestido de noiva, grinalda e véu, trazendo o distintivo integralista do lado do coração e o noivo deveria trajar camisa verde e calça preta.

Quando a cerimônia fosse solene, deveria se realizar da seguinte maneira:

“Os integralistas formarão ala em toda a nave, até o altar-mor, ficando as Blusas-verdes à direita e os Camisas-verdes à esquerda de quem entra. Os Plinianos e Plinianas serão colocados no local mais conveniente, podendo empunhar galhardetes com as cores nacionais e do Sigma. Os membros da família e as autoridades de maior graduação, deverão colocar-se na capela-mór, onde poderão também ficar as pessoas gradas não integralistas.

Tanto no ato civil quanto no religioso, a maior autoridade presente, deverá, de braço erguido, dizer em voz baixa ao novo casal: O Chefe Nacional considera-se presente a esta cerimônia e deseja todas as felicidades ao novo casal.

Voce quer saber mais?

Cavalari, Rosa Maria Feiteiro. Integralismo: ideologia e organização de um partido de massa no Brasil (1932-1937), Bauru, SP: Edusp, 1999.

Protocolos e Rituais, capítulo X, artigo 156. In: Enciclopédia do Integralismo, vol. XI.

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Rituais da Ação Integralista Brasileira: Funeral.

Em relação aos falecimentos, é interessante destacar o caráter de perpetuidade e de imortalidade que se a imprimir à militância e ao Movimento. O integralista era eterno. Isto, é o integralista não morria, era transferido para a milícia do além.

Por ocasião do processo de transferência para a milícia do além, deveria ser obedecido o seguinte ritual:

O caixão deveria ser coberto por uma Bandeira Integralista, podendo, em alguns casos, de acordo com a situação oficial do morto, levar a ainda a Bandeira Nacional. A câmara ardente deveria ser velada por uma guarda de “Camisas-verdes”.

O integralista ao entrar na câmara onde estava sendo velado o companheiro morto, deveria perfilar-se erguer o braço durante dez segundos.

O Chefe Nacional, quando não pudesse comparecer ao sepultamento, seria representado pelo Chefe Provincial ou pelo Chefe do Núcleo a que pertencia o morto.

Segundo seu critério, o Chefe Nacional poderia decretar luto nas fileiras do Sigma por um ou mais dias. Neste período não poderia ser realizada nenhuma reunião de caráter festivo. O sinal de luto, na camisa-verde, seria uma fita de crepe negra cobrindo o Sigma do braço.

O acompanhamento do enterro deveria ser feito pelos integralistas uniformizados e, no cemitério, deveriam proceder à chamada do morto da seguinte maneira:

Os integralistas formarão, alinhados e em silêncio, junto à sepultura, onde já estará colocado o caixão, e a autoridade presente de maior graduação (...) dirá: “Integralistas. Vai baixar a sepultura o corpo do nosso companheiro (nome do falecido), transferido para a milícia do além.” Fará um rápido panegírico do morto, findo o que dirá: Vou fazer a sua chamada; antes porém, peço um minuto de concentração em homenagem ao companheiro falecido.

Ao término desse tempo, deveria dizer: “Companheiro (nome do falecido). Todos os integralistas responderão Presente. No integralismo ninguém morre. Quem entrou neste Movimento imortalizou-se no coração dos camisas-verdes. Ao companheiro (nome do falecido) três Anauês. Todos responderão: Anauê, Anauê, Anauê.”

Nas sedes dos Núcleos ou nos lugares de reunião, a autoridade que estivesse presidindo à sessão deveria proceder à chamada do morto, obedecendo ao mesmo ritual descrito acima.

Você quer saber mais?

Cavalari, Rosa Maria Feiteiro. Integralismo: ideologia e organização de um partido de massa no Brasil (1932-1937), Bauru, SP: Edusp, 1999.

Protocolos e Rituais, capítulo X, artigo 157-162. In: Enciclopédia do Integralismo, vol. XI.

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