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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Criador do WikiLeaks divulga arquivo que pode ser seu "seguro de vida".

O fundador do site Wikileaks, Julian Assange, postou na internet há algumas semanas um misterioso arquivo intitulado "insurance.aes256", que pode conter todos seus segredos para o caso de lhe ocorrer algo, dizem várias páginas especializadas.

O motivo da existência do arquivo e seu conteúdo se transformou em um acalorado debate em muitas páginas da internet, especialmente depois de o WikiLeaks revelar durante esta semana mais de 251 mil documentos confidenciais dos Estados Unidos.

O arquivo, que foi inicialmente colocado na página do WikiLeaks sobre os documentos da guerra do Afeganistão e que pode ser baixado como arquivo "torrent", pesa 1,4 Gigabytes e está codificado com AES256, o sistema de encriptação mais avançado e adotado pelo Governo dos EUA.

O WikiLeaks e Assange não deram praticamente nenhuma explicação sobre o conteúdo do arquivo e a razão pela qual ele está sendo disseminado.

No final de julho, pouco depois de o arquivo aparecer em seu site, Assange foi questionado sobre o tema pela jornalista americana Amy Goodman.

"Bom, acho que é melhor não comentarmos sobre isso. Mas já sabe, alguém poderia imaginar em uma situação similar que valeria a pena assegurar as partes importantes da história para que não desaparecessem", explicou.

O site "Cryptome" especulou então que se algo acontecesse com o "Wikileaks" ou com Assange seus voluntários revelariam a contra-senha para abrir o arquivo.

A revista "Wired", por sua vez, especulou que o suposto autor do envio dos documentos secretos que estão sendo revelados pelo WikiLeaks, o soldado Bradley Manning, na realidade proporcionou a Assange mais documentos que os 251 mil telegramas diplomáticos e as dezenas de milhares de documentos sobre o Afeganistão e o Iraque já revelados.

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http://www1.folha.uol.com.br/

http://wikileaks.org/

http://www.collateralmurder.com/

Exame de DNA prova que crânio de Hitler é falso.

Pedaço do crânio de Adolf Hitler com uma perfuração de bala que, durante décadas, foi a prova cabal da morte do ditador

Durante décadas, embora o corpo completo de Adolf Hitler não ter sido preservado, um pedaço de crânio com um furo provocado por disparo de pistola foi a prova cabal da morte do ditador. A Universidade de Connecticut já havia levantado a possibilidade do osso pertencer a uma mulher, graças às suas características anatômicas. Porém, apenas recentemente os cientistas conseguiram provar a suposição recorrendo a um teste de DNA.

A primeira hipótese sobre a sua verdadeira origem foi atribuída à Eva Brown, mulher do Führer, mas nunca houve menção sobre ela ter sido baleada. A teoria foi rejeitada.

A morte de Hitler foi divulgada no dia 1º de maio de 1945. Karl Dönitz (1891-1980), grande almirante alemão, declarou via rádio que o líder havia caído em batalha contra os soviéticos. Anos mais tarde, Dönitz revelou que recebeu as instruções por um radiograma, não estava presente ou chegou a ver o cadáver.

Joseph Stálin (1878-1953), chefe da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), afirmou diversas vezes que os restos de Hitler nunca foram encontrados e que, em sua opinião, ele estava vivo e escondido, assim como Joseph Göebbels (1897-1945), ministro da propaganda nazista.

Segundo pesquisa realizada pelo historiador Carlos De Nápoli e pelo jornalista Juan Salinas, no final da Segunda Guerra Mundial, oficiais alemães debandaram para o sul em submarinos. Hitler podia estar entre eles. No caminho, afundaram uma corveta norte-americana e o cruzador Bahia, deixando 336 mortos e causando a maior tragédia naval brasileira.

Para quem pensa que a teoria está mais para um roteiro de cinema, basta lembrar de Josef Mengele (1911-1979) e Adolf Eichmann (1906-1962), criminosos de guerra que fugiram da Europa e viveram na América do Sul.

A última operação do Terceiro Reich é descrita em detalhes em "Ultramar Sul". Os autores, Nápoli e Salinas, levantam suposições intrigantes sobre um plano de fuga sem precedentes na história, livro documentado e com referencias bibliográficas.

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Desvendando o Fascismo.



O nome deriva da palavra italiana fascio (em latim: fascis). A palavra, na Roma antiga , foi usada como símbolo da união dos combatentes. O símbolo fascista é o fasces romano, que significava poder do regime, especialmente o poder judicial. O termo latino fasces, na expressão fasces lictoris (em italiano, fascio littorio: "feixe de lictor") refere-se a um símbolo de origem etrusca, usado pelo Império Romano, associado ao poder e à autoridade. Era então denominado fasces lictoriae, por ser carregado por um lictor, o qual, na Roma Antiga, em cerimónias oficiais - jurídicas, militares e outras - precedia a passagem de figuras da suprema magistratura, abrindo caminho em meio ao povo.

Fascismo (italiano fascio, feixe, fasces, por sua vez do latim fasces, pl. 's fascista) é uma ideologia e um movimento político totalitário que surgiu na Europa entre guerras (1918-1939) em oposição à democracia liberal e projecto de estado socialista, contra a qual se apresenta como uma terceira via.
 
As razões para esta posição está em que a democracia liberal representada os valores dos vencedores da I Guerra Mundial , por outro lado o movimento sindical teve que se refere a recente Revolução Bolchevique.

Exalta a idéia de nação contra essa classe ou suprime individual dissidência política em favor de um partido único e do localismo em favor do centralismo. Habilmente utilizadas as novas mídias eo carisma de um líder que concentram todo o poder. Tire proveito dos sentimentos de medo e frustração para alimentá-lo através de coletiva à violência, repressão e propaganda, e move-se contra um inimigo comum (real ou imaginado, interna ou externa), que atua como um bode expiatório contra o qual a despejar toda a agressividade do impensadamente, conseguir a unidade e participação (voluntária ou por força) da população. É expansionista e militarista, utilizando os mecanismos de mobilização de irredentismo territorial eo imperialismo que havia sido experimentado por nacionalismo do século XIX.

O fascismo deveria, em qualquer caso, ser localizado de forma histórica, e não sintomático, como um movimento ideológico que desapareceu após a queda da Alemanha Nazista ea rendição da Itália.

Resultando em uma expansão de ambos socialismo, e do capitalismo, que depois dão lugar à guerra fria, foi a questão racial foi um conflito de ideologias.

Como estes movimentos são feitos classes populares durante e após a Guerra Fria, além de ser deixado amarrado a uma definição do socialismo, enquanto o fascismo se opõe a ele é claro que a própria definição de esquerda e direita já estão presentes desde o Guerra Civil Espanhola.

Origens do Fascismo

O conceito de regime fascista pode ser aplicado à sistemas políticos autoritários da Europa entre-guerras e impostos em todo o continente durante a Segunda Guerra Mundial, de uma forma notável, em primeiro lugar para a Itália de Benito Mussolini (1922) que abre o modelo, seguido pela Alemanha de Adolf Hitler (1933), que leva às últimas conseqüências, e fechando o ciclo, a Espanha de Francisco Franco (desde 1936) que dura muito mais tempo e se desenvolve a partir do período (até 1975 .) O fascismo na Alemanha nazista, nacional-socialismo ou adicionar um componente racial, tomado em uma segunda vez pelo fascismo italiano e de outros movimentos fascistas e fascistas, que a componente religiosa é muito mais importante, como Trevor-Roper foi capaz de definir o termo fascismo clerical (que seria o Nacional-espanhol).

Insatisfação - Uma Enfermidade de Nossos Dias.

Grande parte das pessoas no Ocidente teria motivos mais que suficientes para estar satisfeita. Mas, muitos não estão. Eles vivem descontentes e por isso muitas vezes estão mal-humorados, carrancudos ou sofrem do estômago. Eles vivem em paz, em liberdade e gozam do bem-estar, mas acham que tudo poderia ser ainda melhor. (P.D. 25/98)

Foi a insatisfação que sempre fez com que os israelitas se revoltassem contra Moisés, Arão e contra o próprio Deus. Foi a insatisfação que lhes impediu a entrada na Terra Prometida e os fez andar errantes durante 40 anos pelo deserto, longe de uma terra que manava leite e mel. É a insatisfação que destrói casamentos e famílias, são cônjuges resmungões que dificultam a vida do companheiro. A insatisfação não só deforma o rosto, mas também estraga o ambiente no trabalho, na vizinhança ou na comunidade. A insatisfação faz uma sociedade ficar exaurida e um povo tornar-se corrompido. A insatisfação leva às manifestações violentas e produz greves, e tudo isso custa milhões. O fruto da insatisfação é a discórdia, e a insatisfação surge quando o homem não tem paz. Assim ele se encontra constantemente no círculo vicioso dos seus sentimentos negativos. A Bíblia fala disso em Lamentações 3.39: "Por que, pois, se queixa o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados." Em Judas 16 está escrito acerca dos insatisfeitos: "Os tais são murmuradores, são descontentes, andando segundo as suas paixões." A Bíblia Viva diz: "Esses homens são exploradores constantes, eternos insatisfeitos, fazendo todo o mal que lhes dá vontade..."

A insatisfação tem sua raiz no fato de não se ter paz com Deus, e quanto mais um povo se afasta de Deus, mais insatisfeito fica. Paulo, que havia entregue sua vida de modo incondicional ao Senhor Jesus, podia dizer: "entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo" (2 Co 6.10). Portanto, aquele que entregou sua vida ao Senhor Jesus e se arrependeu da sua insatisfação experimentará a verdade de Filipenses 4.7: "E a paz de Deus, que excede a todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus."

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Você é Uma Raridade!

Temos a tendência de ser ingratos. Ficamos chateados com minúcias. Se as coisas não acontecem conforme planejamos, ficamos aborrecidos, reagimos com exagerada sensibilidade, resmungamos, reclamamos, ficamos melindrados e insatisfeitos. Mas nem nos damos conta como nossa vida é boa. Espero que as comparações que li recentemente em uma revista abram nossos olhos para a realidade:

A Bíblia nos exorta: "Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco" (1 Ts 5.18). Veja a seguir alguns dos motivos para dar graças a Deus.

Se, para efeito de comparação, reduzirmos a 100 pessoas a população mundial de mais de seis bilhões, aplicando os mesmos critérios de proporcionalidade hoje vigentes no mundo, chegaremos aos seguintes dados: Nesse grupo de 100 pessoas teríamos 57 asiáticos, 21 europeus, 14 americanos e 8 africanos. Entre as 100, 52 seriam mulheres e 48 homens, 30 brancas e 70 de cor, 30 cristãs e 70 não-cristãs. Seis pessoas deteriam 59% do capital mundial, e estas seriam de origem européia. Oitenta pessoas viveriam em situações quase insuportáveis. Setenta seriam analfabetas e 50 não teriam roupas para se vestir adequadamente. Uma pessoa estaria morrendo e outra nascendo. Apenas uma teria computador e outra teria diploma universitário.

Pense no fato de que você – muito provavelmente – faz parte dos poucos privilegiados que vivem nesta terra e alegre-se por ser uma raridade. Pois, caso tenha acordado com saúde hoje pela manhã, você estará em melhor situação que milhões de pessoas que não sobreviverão à próxima semana. Se nunca esteve exposto ao perigo de uma guerra, à solidão de uma prisão, ao tormento da tortura ou à fome insuportável, então você vive muito melhor do que 500 milhões de outras pessoas. Se você pode ir à sua igreja sem ter medo de ser molestado, preso ou perseguido, ou até de ser morto por sua fé, estará vivendo melhor que três bilhões de pessoas. Se tem comida na geladeira, roupas em seu guarda-roupas, um teto sobre a cabeça e um lugar para dormir, então você é mais rico que 75% dos habitantes da terra. Se tem dinheiro no banco, na poupança ou em sua carteira, então você faz parte dos 8% de abastados deste planeta. Caso seus pais ainda sejam vivos e ainda estejam casados um com o outro, então, realisticamente, você faz parte de uma rara minoria. Se consegue entender estas linhas, você é um abençoado que sabe ler, entre bilhões de pessoas analfabetas.

Com certeza temos todas as razões do mundo para praticarmos aquilo que lemos em Efésios 5.20: "dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo". Ao mesmo tempo, devemos dedicar-nos inteiramente à tarefa de levar a mensagem da salvação, libertação e vida plena em Jesus a tantas pessoas que ainda não têm acesso a ela.

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Espiões cubanos deram assessoria a Chávez, mostra WikiLeaks.

Presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

CARACAS (Reuters) - Os serviços de inteligência cubanos prestaram assessoria direta ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, como parte daquilo que um diplomata norte-americano chamou de "Eixo da Travessura", segundo uma comunicação sigilosa divulgada pelo site WikiLeaks.

A comunicação diplomática dos EUA, datada de 2006 e divulgada na quarta-feira, releva a preocupação de Washington com a influência cubana na Venezuela, um dos principais fornecedores de petróleo para o mercado norte-americano.

"Embora o impacto econômico dos cubanos trabalhando na Venezuela possa ser limitado, a inteligência cubana tem muito a oferecer para os serviços de inteligência antiamericanos da Venezuela", diz a comunicação postada no site do WikiLeaks.

Em seus 12 anos como presidente da Venezuela, Chávez estabeleceu uma forte aliança com o regime comunista cubano, subsidiando a venda de petróleo ao país, em troca do envio de milhares de médicos e consultores cubanos para a Venezuela.

Ele criou milícias semelhantes às existentes em Cuba para defender seu governo, e especialistas há muito tempo dizem que os serviços cubanos de inteligência treinam seguranças de Chávez.

O novo documento sugere que Chávez confia nas informações cubanas quase mais do que nos seus próprios serviços de inteligência.

"Os agentes cubanos de inteligência têm acesso direto a Chávez e frequentemente lhe fornecem informações que não são verificadas por agentes venezuelanos", diz o documento.

"Relatos estratégicos indicam que os laços de inteligência entre cubanos e venezuelanos são tão avançados que as agências dos dois países parecem estar competindo entre si pela atenção da RBV (República Bolivariana da Venezuela)."

A comunicação é parte dos mais de 250 mil documentos do Departamento de Estado que o WikiLeaks vem divulgando nesta semana em seu site ou por meio da imprensa. O site não revela como obteve os documentos.

Essa comunicação havia sido considerada sigilosa pelo seu autor, o então conselheiro político da embaixada dos EUA em Caracas, Robert Downes.

O título do relatório era "O Eixo da Travessura Cuba/Venezuela: a Visão de Caracas", numa aparente referência ao "Eixo do Mal", expressão criada pelo ex-presidente George W. Bush para se referir a três inimigos dos EUA - Coreia do Norte, Irã e o Iraque do ditador Saddam Hussein.

(Reportagem de Frank Jack Daniel)

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Falar a Verdade ou Mentir? Eis a Questão!

Por que as pessoas mentem?

Em uma sociedade onde a mentira é louvada e a verdade é ridicularizada, vemos um aumento vertiginoso de grandes mentirosos que trabalham a tal ponto de tornar a mentira uma epidemia, tornando a verdade latrina de mentirosos.

Há uma área de pesquisa em psicologia que se chama “correspondência entre o fazer e o dizer”, que investiga as variáveis relacionadas ao que se pode chamar de “dizer a verdade” ou “contar mentira”. Estudos (Paniagua, 1989; Lima, 2004) têm investigado situações geradoras da apresentação de relato coerente (verdade) ou relato incoerente (mentira). Os parágrafos a seguir estão baseados numa interpretação dos achados desses autores.

Pode-se dizer que há uma dicotomia, que seria falar a verdade, ou seja, descrever de forma coerente fatos acontecimentos comportamentos ou contar mentira, que seria apresentar uma afirmação pouco adequada ou incompatível com o que, de fato, ocorreu. Tanto falar a verdade quanto contar uma mentira, são comportamentos verbais aprendidos e mantidos pelas conseqüências que produzem, em primeiro lugar, para aquele que fala. Assim, se alguém é beneficiado por contar uma mentira, tal comportamento pode ser aprendido. Se mentir mais vezes trouxer “vantagens”, ele será mantido em alta freqüência. É importante, ainda, considerar que o comportamento de mentir pode afastar ou adiar conseqüências desagradáveis, como no exemplo do marido infiel que insiste em dizer à sua mulher que não cometeu traição. Assim sendo, mentir também seria aprendido e mantido.

As crianças mentem com freqüência para seus pais quando estes costumam repreendê-las pelo que fazem, quando punem deliberadamente seus relatos sobre o que consideram ser errado ou quando limitam muito as possibilidades sobre o que as crianças podem fazer. Então, elas mentiriam para ter a oportunidade de brincar com um coleguinha que não é benquisto pela sua família, mentiriam sobre ter realizado a tarefa de casa para assistir ao seu desenho favorito.

É necessário diferenciar o comportamento de mentir enquanto relato em desacordo com acontecimentos/ fatos do relato impreciso sobre algo pela falta de habilidade em descrever. Na mentira, uma pessoa tem consciência de que (sabe que) sua descrição não é coerente com o que fez. Por outro lado, uma secretária pode relatar (incoerentemente) ao chefe que entrou na primeira sala à direita do corredor da empresa e não atendeu à solicitação dele porque a sala estava fechada. Ela apresenta este relato (que não é verdadeiro) por não ter aprendido a diferença entre esquerda e direita.

Você quer que as pessoas digam a verdade?

Os psicoterapeutas procuram ter, na relação com seus clientes, uma audiência não-punitiva. Isso significa ouvir e não julgar, ouvir e não criticar, ouvir e não punir. Tal contexto é que torna possível o relato do cliente sobre coisas que não seriam ditas nem para os bons amigos.

Como foi afirmado anteriormente, pode-se mentir para ter acesso a alguma vantagem ou evitar “mal maior”. Assim sendo, as pessoas têm maior probabilidade de dizer a verdade diante de contextos em que o que elas dizem não é julgado, não é criticado, nem punido. Se um pai pune o filho quando ele relata que assistiu TV quando deveria estudar, é importante observar que ele puniu o comportamento do filho ter feito o que não devia, mas, puniu principalmente o comportamento de dizer a verdade. Pense, após ter sido punido por dizer a verdade, você a diria novamente?

É claro que nem sempre se pode aceitar a verdade sem que algum tipo de sanção seja administrada. Mas, se todo relato de alguém sobre o que fez ou como agiu diante de uma situação passa a ser criticado, julgado ou o relato passa a ser motivo para uma discussão, é provável que esse relato não ocorra mais ou que passe a ser um relato que apresente algo diferente do que ocorreu. Isso vale para qualquer relação interpessoal. Um amigo continuará dizendo a verdade sobre o que pensa sobre você se ele sentir-se ouvido. Por isso, dar espaço para as pessoas dizerem o que pensam, relatarem o que fizeram é um bom caminho seja para um pai ou uma esposa continuar ouvindo a verdade.

Outra forma de aumentar a probabilidade do dizer a verdade em crianças ou adultos é valorizar, enaltecer e gratificar os momentos em que a verdade é dita. No caso das crianças, pode-se ensiná-las a dizer a verdade, expondo-as a algumas situações em que sejam acompanhadas e solicitando que elas relatem o que experienciaram. Elogiar, enaltecer e gratificar relatos mais próximos da experiência estabelece condição para a aprendizagem do “dizer a verdade”.

Você quer saber mais?

Beckert, M. E. (2004). Correspondência verbal/não-verbal: Pesquisa básica e aplicações na clínica. Em J. Abreu-Rodrigues e M. R. Ribeiro (Orgs.), Análise do comportamento: pesquisa, teoria e aplicação (pp.229-244). Porto Alegre: Artmed.

Lima, E. L. T. A. (2004). Efeitos da história de reforçamento e do tipo de verbalização sobre a aquisição e generalização da correspondência dizer-fazer. Dissertação de Mestrado não publicada, Universidade de Brasília, Brasília, DF.

Paniagua (1989). Lying by children: Why one children say one thing, do another? Psychological Reports, 64, 971-984.

InPA - Instituto de Psicologia Aplicada
E.mail para contato: clinica@inpaonline.com.br

Quem tem medo de Plínio Salgado?

Plínio Salgado, Jornal Offensiva

GERARDO MELLO MOURÃO (1917-2007) foi poeta, escritor, presidente da Academia Brasileira de Filosofia e membro do Conselho Nacional de Política Cultural do Ministério da Cultura. Foi também professor de história e cultura da América na Universidade Católica do Chile (1964-67) e correspondente da Folha em Pequim (China) de 1980 a 82”.

Hélio Jaguaribe, que teve sempre a coragem e a lucidez de tocar a pele viva de todas as zonas da realidade brasileira, dizia, em seu trabalho “Idéias para a Filosofia no Brasil”, que “depois do integralismo seguiu-se o silêncio dos que são incapazes de emprestar um sentido geral e historicamente atualizado a suas aspirações de poder”.

Esse silêncio tenta estender sua cortina de chumbo e de cultivada estupidez não só sobre a obra política, mas também sobre a obra literária de Plínio Salgado. A tal ponto que neste ano em que se comemora o centenário de seu nascimento apenas algumas homenagens esparsas cuidaram de evocar seu nome e sua presença na história deste país.

Que se saiba, até aqui, o centenário de um homem que assinalou como um marco de pedra e como um signo de contradição a aventura do pensamento brasileiro foi celebrado apenas _o que não é pouco_ por um artigo de Miguel Reale, uma sessão na Academia Paulista de Letras e um comovido festival de encontros culturais em sua doce cidade natal de São Bento do Sapucaí (SP), que, parece, vai durar o ano inteiro.

Afinal, quem tem medo de Plínio Salgado? Jornalista militante era redator do “Correio Paulistano", de onde partiu para a literatura e para a política. Os desmemoriados se esquecem de que Plínio foi um dos protagonistas da Semana de Arte Moderna, cujos participantes, segundo lembra, “apontaram novos caminhos, libertações integrais, nacionalismo espontâneo”.

Ocupado com a política e as letras, era secretário da Coligação Paulista, presidida por Altino Arantes e, ao mesmo tempo, devorava a literatura mais avançada da Europa, lendo Marinetti e Soffici, Govoni, Apollinaire, Cocteau, Max Jacob e Cendrars, que alternava com a literatura revolucionária de Marx e Trotski, de Lênin e Sorel, de Plekhanov e Feuerbach. Foi deputado estadual, com estrondosa votação, acompanhando Júlio Prestes. Em 1926, publica o primeiro romance, “O Estrangeiro".

O romance trouxe um “frisson nouveau” às letras do país. Mário de Andrade o saudou como a obra mais importante de sua geração. Cassiano Ricardo disse do autor: “É um Alencar corrigido por um Machado”. Para Tristão de Athayde, era “o romance mais dramático de nosso tempo”.

Foi o primeiro livro de uma tetralogia, em que a genealogia das inquietações de São Paulo e do Brasil passou, com "O Esperado", "O Cavaleiro de Itararé" e "A Voz do Oeste", pelo proletariado do Brás, pelos últimos barões do café, pelo contraponto dos imigrantes italianos, pelos anarquistas românticos e os marxistas geométricos, como lembrou seu sucessor na Academia Paulista. Os heróis de Plínio, um apaixonado pela poesia de Eliot e de Auden, transitam do tempo dos bandeirantes ao dos bacharéis do antigo PRP e ao tempo futuro que fermentava nas esperanças de uma geração de fronteiras.

Plínio Salgado foi o profeta da geração de fronteiras a que pertencemos todos os que vieram do mundo criado entre a Primeira Guerra Mundial, entre o fascismo e o comunismo, até o crepúsculo wagneriano da Segunda Guerra. Neste país de "Phds de cacaracá"", ensurdecido pela "merdopéia" das ideologias e das covardias políticas, ainda não se fez o estudo que algumas universidades da Europa e dos EUA estão empreendendo sobre a obra de Salgado.

Como no refrão da elegia de Lorca, as pessoas, acuadas pelo patrulhamento stalinista, não querem ver a verdadeira face do velho que está fazendo cem anos. Foram buscar suas vertentes no fascismo ou no nazismo. Num samba do crioulo doido, confundem seu pensamento político com o anti-semitismo.

Vale a pena lembrar que a primeira denúncia brasileira contra o anti-semitismo e a perseguição aos judeus pelo menos a primeira denúncia de peso foi clamada por Plínio Salgado, quando advertiu que no movimento por ele fundado em 1932, o integralismo, ninguém ousaria uma palavra contra a raça a que pertencia a mãe de Jesus Cristo.

De resto, havia um grande número de judeus nas fileiras do integralismo, e eu mesmo me lembro com emoção e com saudade de um querido companheiro daqueles tempos, o brilhante e bravo judeu Aben-Atar Neto. E tantos outros. Mas isso é outra história.

É e não é. Porque no mesmo berimbau se tocou a cavatina das inspirações fascistas do Sr. Plínio Salgado. Na verdade, desde 1935, em pleno esplendor do fascismo e do nazismo, ele repeliu um sistema político em que a massa engendra um "führer", ou um "führer" engendra a massa, porque no primeiro caso, o que se engendra é um sapo, e no segundo, um monstro (sic).

Além de seus romances, deixou obras fundamentais, como "A Quarta Humanidade", "Psicologia da Revolução" e a monumental "Vida de Jesus". Em toda a sua obra, o que ele tenta pronunciar é a palavra brasileira. Não há como não lembrar aquele episódio patético de seu romance, em que Juvêncio, personagem que se confunde com o autor, estrangula e joga numa cachoeira um papagaio que só cantava a "Giovinezza" e não falava nossa língua.

Nem no nazismo nem no fascismo. O entendimento do Brasil, da reengenharia do país e de sua sociedade, ele o fundava em Euclides da Cunha, a quem Cassiano e Menotti del Picchia o comparavam, em Oliveira Viana, em Pandiá Calógeras, em Alberto Torres. Buscava na doutrina social da Igreja e na obra de Farias Brito a inspiração social e espiritual de seu pensamento.

Seria curioso fazer um inventário dos líderes políticos e dos intelectuais brasileiros que acompanharam Salgado. Dei-me um dia ao trabalho, junto com o mestre Luís da Câmara Cascudo e com o então senador José Guiomard: contamos três presidentes da República (pós-64) e 123 deputados e senadores. Escritores, professores, diplomatas, empresários e oficiais das Forças Armadas não dá para contar.

O presidente FHC e o ministro da Educação deviam instituir 1995 como o "ano Plínio Salgado". Ou será que também eles e o ministro da Cultura nunca terão lido o velho de São Bento de Sapucaí e os autores que ele ensinava Euclides, Oliveira Viana, Torres, Manuel Bonfim? Só quem não os leu é que pode ter medo de Plínio Salgado.

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http://pliniosalgado.blogspot.com/

JOÃO CARLOS D'ÁVILA PAIXÃO CÔRTES.

JOÃO CARLOS D'ÁVILA PAIXÃO CÔRTES


O renascimento do tradicionalismo gaúcho confunde-se com a figura de João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes. Em uma época em que as tradições rio-grandenses eram ignoradas, ele foi atrás das raízes de seu povo e, junto com Barbosa Lessa, cruzou a Argentina, o Uruguai, Paraguai e Peru. Como pesquisador, sua preocupação centrou-se em promover e desenvolver a cultura popular dentro da história do Rio Grande do Sul.


Nascido em 12 de julho de 1927, na cidade de Santana do Livramento, fronteira do Brasil com o Uruguai, Paixão Côrtes tem suas heranças ligadas à agricultura e pecuária. De sua infância nas estâncias familiares veio o interesse pelo campo, o qual o levou a formar-se em Agronomia, com especialização em Ovinotecnia.
O distanciamento da vida do campo, fez Paixão notar a necessidade de fixar certos valores que havia aprendido de ancestralidade. Em 1947, com Glauco Saraiva, Barbosa Lessa, e Orlando Degrazia, grupo de estudantes secundaristas do Colégio Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, deu origem ao Movimento Tradicionalista Gaúcho, que hoje congrega mais de 1.500 entidades. Na época, como relata , só se ouvia, nos galpões, a gaita, os versos de improviso e especialmente o Boi Barroso. Já Prenda Minha, era ouvida em um ambiente mais urbano. Neste mesmo ano, os rapazes saíram às ruas pilchados para escoltar os restos mortais do herói Farroupilha David Canabarro. Assim, surgiram as Rondas Crioulas, que mais tarde, originaram a Semana Farroupilha, em 11 de dezembro de 1964. Paixão também fundou o primeiro Centro de tradições Gaúchas, chamado de 35, em 24 de abril de 1948.
O primeiro contato de Paixão Cortes com o rádio foi em 1953, na rádio Farroupilha. Ele levou um grupo do Centro de Tradições Gaúchas 35 para uma apresentação ao vivo no programa de J. Antônio D’Ávila . Acabou sendo convidado pelo comunicador para apresentar, em estúdio, Festa no Galpão, programa que ficou no ar até 1957. Em primeiro de maio de 1955, ainda na rádio Farroupilha, Augusto Vampré diretor da emissora, convidou-o a apresentar um programa de auditório de caráter puramente regional. Paixão chamou o amigo Darci Fagundes, com quem formou uma dupla. Juntos lançaram o programa Grande Rodeio Coringa, que foi ao ar até 1957 e reformulou toda a história da fonografia riograndense, na comunicação dos temas regionais, abrindo caminho para músicos, cantores e compositores populares.
Em 1958, Paixão Côrtes foi convidado por Maurício Sirotsky e Frederico Arnaldo Balvé para apresentar "Festança na Querência", na rádio Gaúcha, programa de auditório, com uma hora de duração. Paixão dividia com Dimas Costa a animação do programa que era veiculado aos domingos. Festança na Querência foi ao ar de 1958 a 1967.
No ano de 1968, Paixão estava na Europa, levando o folclore do Rio Grande do Sul. Na ocasião encontrou Flávio Alcaraz Gomes, então diretor da rádio Guaíba. Ele convidou o tradicionalista para apresentar um programa de na emissora. Paixão passou, então, a apresentar dois programas na Guaíba; Querência, programa diário de lançamentos musicais, com dez minutos de duração e, Domingo com Paixão Côrtes, programa temático, com meia hora de duração.
De acordo com Paixão, a rádio Guaíba, com seu perfil de programação e audiência qualificados, foi importantíssima para a transformação de "grossura em cultura". Nesta época, a indústria fonográfica, já desenvolvida pela repercussão dos programas regionais no rádio, apresentava uma grande diversidade de artistas ligados à cultura do Rio Grande, o que facilitava a seleção musical dos programas de Paixão, que veio, também, a gravar, como intérprete, oito LPs (Long Plays ). Paixão Côrtes recebeu dois importantes prêmios fonográficos: Melhor Realização Folclórica Nacional (1962) e Melhor Cantor Masculino (1964).


Há 40 anos, meados da década de 50, existiam apenas cinco músicas gauchescas catalogadas. Essa pobreza de sons moveu Paixão Côrtes a promover novos grupos musicais. Em seus programas foram lançados Os Gaudérios, o conjunto vocal Farroupilha e outros. O comunicador viajava com freqüência para pesquisar e identificar novos valores, liderando um processo de desenvolvimento da cultura regional. Isto foi essencial para a ampliação da cobertura e expansão dos centros de tradições. No final de 1999 contava-se, aproximadamente,4200 Centros de Tradições Gaúchas espalhados pelo mundo.
Paixão Côrtes permaneceu na Rádio Guaíba até 1995. É convidado com reqüência para falar sobre assuntos ligados à cultura regional. O pesquisador possui um acervo de milhares de slides, centenas de fitas gravadas, filmes super 8 e vídeos sobre os costumes rio-grandenses. Todo esse material foi reconhecido e aprovado em vários Congressos Tradicionalistas. Suas investigações estenderam-se, também, a documentos e peças originais nos Museus do Louvre e Les Invalides, em Paris, no Museu do Trajo Português, em Lisboa, nos Museus Militar e do Padro, em Madrid, no Victória e Albert, em Londres e no Museu Militar da Escócia.
Por sua importância dentro da história gaúcha, a figura de Paixão Côrtes ficou eternizada em bronze na estátua do Laçador, reproduzida pelo escultor pelotense Antônio Caringi, instalada, em 1954, na rótula de entrada de Porto Alegre ( confluências das avenidas Farrapos, Ceará e dos Estados), frente ao Aeroporto Salgado Filho. Pelos seus mais de 50 anos de dedicação aos estudos sobre a cultura rio-grandense-do-sul, que lhe renderam mais de 30 obras sobre ovinocultura e folclore, recebeu a Ordem de Mérito Cultural.

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http://www.pucrs.br/famecos/vozesrad/paixao.htm

Entrevista com Paixão Côrtes, fundador dos Centros de Tradição Gaúcha.

Entrevista com Paixão Côrtes

Por Anselmo Cunha dos Santos

Qual é a sensação de ser mais uma vez homenageado, agora como patrono da Feira do Livro?

A distinção que me fazem os participantes da Câmara do Livro e os demais livreiros e editoras é muito grande para quem não se considera um escritor, e sim um escrevinhador, ou seja, eu vou à fonte de origem da pesquisa, junto ao povo, registro, fotografo, analiso, escrevo, publico e devolvo ao povo o que é da sua sapiência, da sua vivência anterior ou atual. Na feira, pela primeira vez me parece, estão vindo essas expressões espontâneas de conjunto, de vivenciar os dias atuais que não são coisas do passado para serem cultuadas, nem são símbolos remotos, são vivencias das comunidades atuais. E como o livro não tem idade, nem pelo ou cor, acho que a Feira do Livro é o momento de reencontro com o povo através das próprias manifestações espontâneas, ao lado das erudições dos livros internacionais, dos pensadores dos mais variados setores humanos e tudo isso faz parte de uma única manifestação, que é cultura. Não tem superior nem inferior, não tem mais bonita nem menos bonita, não tem mais rica nem mais pobre, é cultura do povo.

Então o senhor acha que como patrono trará mais cultura, mais raízes?

Eu acho que trago raízes do Rio Grande do Sul ao lado das próprias culturas urbanas e internacionais. A feira tem como uma de suas finalidades cumprir essa função maior de universo, porque os pensamentos de escritores e livros que estão aqui, retratam o mundo que cada um de nós busca dando, a base para um grande progresso.


O senhor acha que as pessoas estão se afastando mais do tradicionalismo e procurando uma outra forma de se encontrarem culturalmente?

Em 1947, nós éramos sete quando começamos o movimento no Rio Grande do Sul, no colégio Júlio de Castilhos. Nove meses depois se fundou o '35' Centro de Tradições, que foi a primeira entidade. E naquela época éramos 24. Hoje, passados 60 anos, são 4 mil entidades, em torno das quais giram 5 milhões de pessoas. Isso, em todo o universo, deixou de ser de galpão para se tornar universal. Então, diz bem mais do que minhas palavras, os números do envolvimento dos mais variados segmentos da nossa sociedade.


O que o senhor acha da Tchê Music?

É uma ideia, não sei quanto tempo vai durar. A palavra é Che, que significa gente, pessoa, amigo, irmão. Pronuncia-se tchê, mas se escreve Che, se tu vais levar uma idéia e a escreve errado eu fico meio surpreso e preocupado, de que realmente não há fundamentação maior, o tempo dirá. É um direito que assiste as pessoas, não me cabe a pretensão de inventar normas. Folclore é uma ciência e se prima pela espontaneidade e não pela forma determinada.


O que o senhor acha que deve ser feito para atrair novamente os jovens aos prazeres da leitura?

Os jovens de hoje estão mais afeitos à tecnologia, à cultura tecnológica do que aquela espiritual e aquela de herança materna e paterna. E às vezes, quando tu atravessa um ciclo de dificuldades e que tu ficas na interrogação da vida, tu voltas às tuas origens para encontrar reforço e solidez para avançar. E ao regredir para avançar, as vezes, se perdem no tempo e no espaço.

O senhor acha que o Ipad substituirá o livro?

Eu acho que, como todas as inovações, deverão ter uma consolidação maior ou menor, só o tempo irá dizer. Mas eu acho que o processo acrescenta, em determinados aspectos, uma maior oportunidade, mas, ao mesmo tempo, dificulta a grandeza dos autores ou dos livreiros para que as coisas fiquem gramaticamente mais concisas do que simplesmente a orabilidade.


Para finalizar, qual o recado que o senhor deixa aos nossos leitores?

A leitura não tem marca, sinal ou pelo. Ela é aragana, é de todos nós. Então eu não tenho pretensão de, como simples vivente escrevinhador, querer acrescentar as outras facetas tão importantes que existem, e que dependem de cada um, da sua herança e do patrimônio que você tem para ver o rumo que você vai seguir. Oxalá seja florido e de gama a paz.

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http://www.queb.com.br/

O MUNDO DA CAÇA, DA PESCA E DA COLETA, PARTE II.

2. Caçadores, pescadores e coletores das áreas abertas: a tradição Umbu.

Material ósseo e dente das Tradições Umbu ou Vieira: pontas (a, b, d, f - j), uso desconhecido (c, k) e conta-de-colar em dente de tubarão (e).

Pedro Ignácio Schmitz*

A pesquisa sobre os povoadores mais antigos foi realizada por Eurico Th. Miller (1976), no sudoeste do Rio Grande do Sul, na margem do rio Uruguai e seus afluentes, onde encontrou acampamentos datados desde 10.700 a 6.600 a.C. Os mais antigos receberam a denominação arqueológica de fase Ibicuí, os demais, de fase Uruguai. Schmitz e equipe escavaram, em Ivoti, um pequeno abrigo rochoso, cujas camadas mais antigas são contemporâneas desses achados.

No lugar denominado Batinga, no município de Maratá, Pedro Augusto Mentz Ribeiro (com. pes. 1989), também num abrigo rochoso, encontrou material muito rico da mesma idade. Para este período só temos, por enquanto, estas informações. A fase Ibicuí, representada pelos dois acampamentos mais antigos, sobre afluentes do rio Uruguai, no sudoeste do estado, vem acompanhada de animais pleistocênicos extintos; entre os instrumentos abandonados, lascados por percussão, encontram-se raspadores e talhadores, mas ainda nenhuma ponta-de-projétil bem definida. Ela corresponde ao período seco do final da glaciação, em que o rio tem pouca água e corre num leito reduzido; os materiais saem das barrancas por baixo do nível atual das águas e estão
acessíveis só em período de seca extraordinária. A fase Uruguai, para a qual se conhecem mais de duas dezenas de acampamentos sobre o rio Uruguai, certamente é a continuação da fase Ibicuí, separada pelo arqueólogo porque algum instrumento é diferente.

Ainda pertence ao período seco posterior à glaciação, mas o rio já tem um pouco mais de água. Os sítios encontram-se geralmente na confluência de arroios e sangas com o Uruguai e na frente de corredeiras, onde os alimentos e os seixos para produzir instrumentos costumam ser abundantes. Os artefatos mais característicos são pontas-de-projétil lascadas em pedra, ao lado de raspadores, facas e percutores. O carvão que serviu para datar numerosos sítios provém das fogueiras que eram acesas no meio do acampamento e que se encontram rodeadas de restos de lascamento e instrumentos abandonados. Não há restos de choupanas: talvez ainda não soubessem construir. Os acampamentos correspondem a grupos reduzidos de pessoas e seriam pouco duradouros. Os grandes animais do período frio deveriam estar em extinção e a caça deveria concentrar-se em animais de tamanho médio e pequeno, semelhantes aos de hoje.

A escavação realizada por Schmitz e equipe, no abrigo de Ivoti, não chegou a produzir resultados diferentes, mas o abrigo de Batinga nos informa que, ao lado de caça de médio e pequeno porte, o grupo recolhia numerosos caramujos terrestres que constituíam parte de sua alimentação. Estes abrigos são acampamentos temporários típicos de pequenos bandos que caçam na área.

Os poucos sítios estudados até agora deixam bem claro que, entre 10.000 e 6.000 anos, a população é extremamente rarefeita e vive em pequenos grupos familiares que vagam pelo território, acampando à beira de córregos ou em abrigos rochosos da borda do planalto. Ainda não se encontrou nenhum de seus esqueletos, mas só os restos conservados de seus instrumentos e, às vezes, de suas precárias refeições.

Neste tampo outros pequenos bandos, com instrumental semelhante, vagavam pelas áreas de vegetação aberta do sul do Brasil, do Uruguai e da Argentina. Mas nos cerrados do Brasil Central e no Nordeste, bandos um pouco mais densos e com instrumentos também diferentes já deixavam marcas muito mais precisas de sua passagem, em abrigos, grutas e acampamentos a céu aberto, onde são abundantes os restos de comida e esqueletos e as pinturas e gravuras cobrem paredões inteiros.

Na medida em que a umidade e a vegetação arbórea aumentam, encontramos as populações da tradição Umbu mais concentradas nos abrigos rochosos e ao longo dos rios da borda do planalto no Nordeste e Centro do Estado, na proximidade dos campos, dos pinheirais e talvez dentro de uma franja de mata subtropical que deveria estar se expandindo rapidamente. Os sítios são geralmente maiores e mostram maior tempo de ocupação. Talvez houvesse, ainda, pequenos grupos, vagando em campos abertos durante certas estações, mas os restos destes acampamentos são difíceis de achar. O instrumento em pedra torna-se mais variado, apresentando ainda furadores, quebradores de frutos, talhadores, lâminas polidas de machado e bolas de boleadeira. A matéria-prima para a produção desses instrumentos provém de seixos do rio, blocos ou afloramentos rochosos e é trabalhada, de acordo com sua natureza, por lascamento, picoteamento ou polimento. Calcedônia, arenito, quartzo e quartzito são trabalhados por percussão; basalto, diorito e outras rochas semelhantes geralmente por picoteamento ou polimento.

Em osso, sub-produto da caça, preparam furadores, espátulas, anzóis, agulhas e pingentes de dentes perfurados; carapaças de moluscos servem para fazer contas de colar. Os restos de alimentos, encontrados principalmente nos abrigos rochosos, nos dizem que faziam uma caça generalizada, onde aparecem a anta, o veado, o porco-do-mato, a cutia, o coati, a paca, o bugio, a jaguatirica, o tatu, o ratão do banhado e outros ratos, a preá, cágados e lagartos. Geralmente encontram-se também ossos de peixe. Às vezes cascas de ovo de ema. Em alguns abrigos são abundantes as conchas de caramujos terrestres ou de água doce. As frutas estão pouco representadas, o que não quer dizer que não seriam muito usadas. Os restos mostram que a alimentação era conseguida com a apropriação de produtos naturalmente disponíveis, sem acréscimo notável resultante da engenhosidade humana. Esta falta de controle da produção obrigava os grupos a manterem-se pequenos, móveis e dispersos pelo território.

Alguns esqueletos foram recuperados de sepultamentos em abrigos rochosos. Ainda não foram estudados do ponto de vista de sua biologia. Os falecidos eram enterrados no chão mesmo dos acampamentos. O ritual de sepultamento era simples: uma vez aberta uma cova, na mesma eram colocadas lajes de arenito à guise de assoalho, com uma extremidade mais elevada à maneira de travesseiro. Sobre o assoalho e o travesseiro era posta uma camada fina de carvões que recebia o corpo envolto em folhas de árvores e que era coberto com terra ou lajes. O corpo era depositado estendido de costas ou todo dobrado; só raramente os adultos eram acompanhados de algumas contas de colar; as crianças com mais freqüência (Miller, 1969). Nas paredes de alguns abrigos existem gravuras, simples rabiscos irregulares, geralmente preenchidos com pigmentos escuros, para destacá-los do fundo rochoso.

Quando o clima novamente se torna mais frio e a chuva menos intensa, um nicho muito rico, que se vai criando ao longo das lagoas litorâneas e nos grandes banhados das cabeceiras dos rios do Centro e Sul do Estado, vai ser intensamente explorado. Ali a caça, o peixe e as frutas são mais abundantes que em qualquer outra parte ocupada pela tradição Umbu, além de ser abundante o material para construir choupanas, que já neste tempo deveriam levantar para abrigo das chuvas, dos animais e do frio. Os sítios arqueológicos típicos são aterros, ou cerritos, na borda e dentro das áreas alagadiças, multiplicados às centenas desde aproximadamente 500 a.C. Logo essa população vai adotar a cerâmica da tradição Vieira e talvez alguns cultivos. O
modo de vida dessas populações é descrito no capítulo que trata da tradição Vieira.

Sítios da tradição Umbu só excepcionalmente são encontrados na mata, que é território da tradição Humaitá, ou no litoral, onde se encontram os sambaquis.
Pesquisas sobre a tradição Umbu foram realizadas principalmente por E.Th. Miller, P.A. Mentz Ribeiro e P.I. Schmitz. Arno A. Kern (1981) e P.I. Schmitz (1984, 1985 e 1987) reuniram essas informações em sínteses mais ou menos desenvolvidas, onde pode ser encontrada a bibliografia e as datas de carbono radioativo.

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Schmitz, Pedro Ignácio, Arqueologia do Rio Grande do Sul, Instituto Anchietano de Pesquisas, 2006.

O MUNDO DA CAÇA, DA PESCA E DA COLETA.

1. Os primeiros dez milênios

Figura 1 – Artefatos líticos (manifestações da Tradição Umbu)Legenda: a, b: pedra gravada (ambas as faces);c: cópia dos petroglifos do Morro do Sobrado, Montenegro, RS;d – o: pontas de projétil; p: furador; q: raspadeira;r, s: raspadores pedunculados; (In: MENTZ RIBEIRO, 1999)

Pedro Ignácio Schmitz*

O Rio Grande do Sul foi povoado muito antes do que a maior parte das pessoas imagina. O ambiente seco e frio da última glaciação, com ventos gelados varrendo paisagens de pouca vegetação, foi o cenário dos primeiros humanos que, uns 10.000 anos a.C., acamparam à beira do rio Uruguai e nos abrigos rochosos do vale do Caí. Este povoamento não é um fato isolado. A América do Sul inteira recebe, neste tempo, o seu povoamento definitivo. São populações que, saindo da Ásia, atravessaram o estreito de Behring, peregrinaram pela América do Norte e Central e, depois de muitas gerações, chegaram aqui.

Se antes desse momento temos humanos em alguns pontos do subcontinente, como no Nordeste do Brasil, ou no Centro-Sul do Chile, as pesquisas deverão confirmar. Mais de 600 gerações humanas sucederam-se de então para cá, no Estado. Isto é bastante frente às 13 gerações contadas desde a ocupação portuguesa do território, mas é pouco em comparação das 90.000 gerações humanas do Velho Mundo. Neste primeiro capítulo esboçaremos a história das populações mais antigas, que viviam de caça, pesca e coleta e não conheciam cultivos. As populações dos dez primeiros milênios tinham pouco domínio sobre a natureza porque suas culturas e sua tecnologia eram, ainda, pouco desenvolvidas. Viviam dentro da natureza e aproveitavam o que ela brindava graciosamente, interferindo muito pouco em seu sistema. Por isso estão muito dependentes da distribuição desses recursos e sujeitos às mudanças que se processaram nos últimos 10.000 a 12.000 anos.

Olhando o ambiente de nossos dias podemos dar-nos conta, mais facilmente, dessas transformações. Hoje, o clima é temperado úmido. As chuvas estão distribuídas durante
todo o ano, com certo predomínio nas estações do outono-inverno, as precipitações são mais abundantes nas porções de terreno de relevo acentuado, onde podem alcançar 2.000 mm anuais, são menos abundantes nas áreas menos acidentadas, onde podem não passar de 1.250 mm. Em termos gerais, e sem uma estação realmente seca, esta é ainda muita chuva e permite o desenvolvimento de uma densa vegetação de crescimento ininterrupto. As temperaturas médias são inferiores a 22° C; as médias mínimas baixam até 10° C, no planalto; a amplitude térmica anual e diária é alta. A combinação de clima, solo, relevo e história produziram uma distribuição típica da vegetação: campos desenvolvem-se nos terrenos ondulados do sul, oeste e noroeste; florestas mistas com pinheiros ocupam a maior parte dos terrenos altos do norte e nordeste; florestas subtropicais defolhas predominantemente caducas ocupam a borda do planalto eacompanham o rio Uruguai como a maior parte de seus afluentes; ao longo dolitoral ainda constatamos uma vegetação típica. Cada um desses ambientes oferece ao homem que vive de caça, pesca e coleta, recursos diferentes, de origem vegetal, animal e mineral. Oslocais que reúnem maior quantidade e variedade desses recursos eram maisúteis e aí se encontram mais concentrados e mais duradouros os sítios arqueológicos. Locais de recursos uniformes, mesmo se abundantes, e locais de poucos recursos costumam ter poucos sítios; quando existem, costumam ser passageiros.

A longo prazo cada um dos grandes ambientes imprimiu seu caráter às culturas que dentro dele se formaram. Quando os primeiros povoadores chegaram, o ambiente seria bastante diferente do atual. A temperatura média seria alguns graus mais baixa; a precipitação inferior. Os rios teriam pouca água e a paisagem teria uma fisionomia de forte aridez. A floresta subtropical de folhas predominantemente caducas, dependente de calor, só ocuparia pequenas franjas ao longo do rio Uruguai e na encosta do planalto; a floresta de pinheiros, adaptada ao frio, seria mais compacta e desceria bastante na borda do planalto; vegetações herbáceas e arbustivas, de tipo estepe e savana, dominariam as áreas baixas que seriam bastante maiores porque a plataforma continental estaria exposta em grandes extensões por causa do baixo nível das águas do mar.

Neste ambiente, além dos animais hoje existentes, viviam outros

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.