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quinta-feira, 8 de abril de 2010

TUAREGUES: A FÚRIA DO DESERTO.

Perdidos entre seis países



Quem pensa que tribos percorrendo o deserto do Saara em camelos ou cavalos e morando em tendas é coisa do passado ou de livros de ficção está muito enganado.

Os tuaregues, povo de origem berbere – raça que habitava o norte da África antes da invasão árabe, no século XII –, ainda mantêm muitos de seus hábitos. Seminômades, habitam temporariamente em tendas e viajam pela região em camelos ou cavalos.

Os antigos 'senhores do deserto' foram um dos primeiros povos a se fixar no Saara.

Hoje, vivem dispersos e enfrentam a repressão dos governos dos países que habitam.

Os tuaregues do deserto do Saara estão espalhados atualmente em seis países: Argélia, Burkina Fasso, Líbia, Mali, Níger e Nigéria. Com a independência destes, eles acabaram virando minoria. Isso tem uma explicação. No passado, membros das etnias dos atuais governantes desses países serviam como escravos para as tribos tuaregues. Após a independência, eles passaram a ser perseguidos pelo governo. Em 1986, os tuaregues foram expulsos da Argélia e, em 1990, obrigados a sair da Líbia, refugiando-se em Níger e em Mali.
Para piorar, os tuaregues habitam áreas de extração

de petróleo e urânio, o que os coloca em posição contrária aos interesses econômicos de grupos que exploram esses recursos naturais. Muitas vezes, principalmente na década de 1990, os tuaregues lutaram contra exércitos oficiais. Na maioria desses embates, perderam de forma arrasadora.

Não há um censo para verificar o número oficial de habitantes do deserto, mas estima-se que hoje existam cerca de 1 milhão de tuaregues, a maior parte vivendo na Argélia e em Mali.

Piratas do deserto



No passado, os tuaregues eram conhecidos como os piratas do deserto. Munidos de lanças, espadas e escudos, eles cobravam uma espécie de pedágio de quem passasse por seus domínios. O Saara já foi uma importante rota de comércio, por onde transitavam caravanas de todos os tamanhos – algumas até com 12 mil camelos –, transportando ouro, escravos e outros bens preciosos. O domínio dos tuaregues sobre o mar de areia acabou no princípio do século, quando foram subjugados pelos franceses. Hoje em dia, a pirataria foi substituída pelo comércio de sal. A agricultura de subsistência e a criação de pequenos rebanhos de caprinos também são praticadas.

Cultura preservada


Os tuaregues conservam com poucas alterações sua cultura – incluindo a religião islâmica, a língua (dialetos do idioma berbere, como o tamahak e o tamajek) e uma divisão social que lembra a do feudalismo. Existem nobres (imajeghan) e servos (imghad, que fazem o serviço doméstico) e uma camada intermediária (imrad) equivalente à dos vassalos. Os servos não podem ser vendidos e, se maltratados, podem mudar de senhor – um vexame para o nobre abandonado. Há também artesãos, sacerdotes e, no passado, escravos, em geral negros.



A escrita tuaregue, chamada tifinagh, deriva do antigo alfabeto líbio e permite três maneiras de escrever: da esquerda para a direita, da direita para a esquerda e de baixo para cima.

Os tuaregues são monogâmicos e, contrariando a regra de outros povos muçulmanos, há igualdade de direitos entre homens e mulheres. Tapar o rosto, aliás, é obrigatório para homens em mais ocasiões do que para mulheres.



Representantes da nobreza podem se casar com servos – pois estes também possuem puro sangue tuaregue –, mas não com os vassalos, que são mestiços. É comum o noivo pagar pela noiva, mas ela tem liberdade para aceitá-lo ou não. E – as feministas vão adorar esta – uma esposa insatisfeita pode oficialmente arranjar um amante.

Além de levar a tiracolo citações do Corão, o livro sagrado do islamismo, os tuaregues se protegem espiritualmente com talismãs e amuletos, presos à roupa e aos camelos. Esses objetos (feitos à base de couro, metais ou pedras preciosas) são, em geral, confeccionados pelas mulheres.


Leandro Claudir é Acadêmico de História pela Universidade Luterana do Brasil, Técnico em Informática pela QI Escolas e Faculdades. Habilitado em Liderança de Círculos de Controle de Qualidade Empresarial pelo Sesi. 

Você quer saber mais?

VÁZQUEZ-FIGUEROA, Alberto. "Tuaregue". Algés: DIFEL- Difusão Editorial SA, 1981.

VÁZQUEZ-FIGUEROA, Alberto. Los ojos Del Tuareg. México D.F. : Random House Español, 2000.

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.