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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A HISTÓRIA DE UM SOBREVIVENTE DE AUSCHWITZ

História de Fanny Segal



Fanny Segal, actualmente com 73 anos, foi uma das sobreviventes de Birkenau e Auschwitz que deu o seu testemunho, não deixando as suas colegas ficarem no esquecimento. A sua intenção, era para que todas as pessoas, quer fossem católicos, protestantes ou ateus, fizessem uma oração a essas pobres vítimas. Voltou a Auschwitz em 1988 após 45 anos e só então é que teve coragem de contar aos seus filhos o inferno em que vivera.

Os seus pais eram imigrados da Europa Central. Fanny então com 17 anos, tinha um irmão com 18 anos e outro com 6 anos e ainda uma irmã com 11 anos. Um dia a polícia veio prende-los à sua casa em Paris, levando-os para uma garagem. Aí, ela disse ao seu pai para se acalmar pois não a podiam prender porque ela era francesa. O pai nervoso e cheio de medo acabou por lhe pregar uma bofetada. O comissário apareceu e ordenou-lhe que saísse, tendo ela saído a correr sem se despedir do pai para casa levando consigo o irmão de 18 anos.

Mais tarde era necessário proteger os seus irmãos mais novos, para que não fossem presos. Levou-os a uma camponesa que se ocupava de órfãos, onde tiveram de trabalhar duro para poderem pagar a pensão. Um dia mais tarde cruzou-se com um professor anti-semita que logo os denunciou.

O único amigo que tinha era um padre dominicano do convento da Rua Glaciere, com quem poderia contar sempre. E foi a ele a que recorreu, pedindo-lhe que protegesse os seus irmãos escondendo-os no orfanato, isto antes dela ir para os campos da morte.
No dia 15 de Maio de 1943 dois polícias vieram buscá-los ás 6 da manhã.

NO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO»

Fanny Segal e o irmão foram internados no campo de concentração Dracy.

No dia 23 de Junho de 1943 estavam mais de 30 graus, fecharam-na com cem mulheres, velhos e crianças num vagão de transporte de gado para ser deportada. Havia um balde de necessidades para as pessoas todas, viajaram durante três dias e três noites de pé num vagão fechado, tendo como objectivo chegar a Auschwitz.



Quando as portas dos vagões abriram-se, Fanny Seagal viu os «SS» acompanhados por cães, tendo o chefe dos SS organizado duas filas. Aqueles que estavam aptos para o trabalho iam para a fila da esquerda, os que não lhes eram úteis iam para a fila da direita, onde posteriormente eram lavados para câmaras de gás para morrerem.

No entanto ela ainda não sabia o que lhe estava a acontecer. Puseram-nos numa fila indiana tatuando-lhes no braço um número. Obrigaram-nas a despirem-se e bateram-lhes. Depois raparam-lhes o cabelo, os sovacos, e entre as pernas, enquanto lhes era desinfectado todo o corpo.

Fanny entrou numa barraca de madeira, o «bloco» J em que se encontrava um corredor central, tendo em cada lado as «coya» (de três andares; cada andar tinha um metro de altura, divididos em muitas casotas de cerca de dois metros quadrados). As casotas serviam para dormir para comer, para tudo...

Dormiam oito mulheres em cada casota apenas com um cobertor. No Verão era um Inferno, no Inverno a chuva e o frio entravam pelas frestas.

Este era o maior campo de concentração do IIIº Reich. Era um rectângulo de 1,7 km, por 720 metros de largura rodeado de arame farpado. Para vigiar os 100.000 a 150.000 prisioneiros eram apenas necessários 55 «SS». Caso houvesse alguma tentativa de revolta, como o terreno era em campo aberto e era fácil de vigiar dos miradouros e uma rajada de metralhadora parava-a.

As rações alimentares eram calculadas em função do nível de produtividade exigido pelo esforço de guerra nazi e pela medida das mortes planeadas. Quando os prisioneiros morriam de fome ou de doença, pesando 32Kg em média, eram substituídos por novos deportados.

Uma unidade especial de prisioneiros tinha de ir buscar os cadáveres e levá-los para os fornos crematórios. Por vezes, os membros desta unidade encontravam os pais, os filhos, as mulheres e outros familiares entre os cadáveres. Sendo testemunhas oculares do crime nazi, as equipas especiais eram sistematicamente exterminadas nas câmaras de gás e substituídas por outras.

No edifício do forno crematório, o médico Mengele fazia experiências com os prisioneiros.

Mil cadáveres eram queimados por dia, no entanto, quando havia mais cadáveres a sua destruição era feita ao ar livre em camadas intercaladas com lenha.

No pequeno alpendre que ficava logo á direita do portão, era o lugar em que um grupo de deportados tocava música de câmara enquanto os «Komandos» trabalhavam doze horas de trabalho forçado a transportar mortos e doentes da equipa.

Por dedicação à memória das vítimas do nazismo, Auschwitz é hoje um museu. A previsão dos alemães para o extermínio de judeus na Europa é mostrada numa lista alemã datada de 1942. Era de 350.000 na Grã-Bretanha, 5.000.000 na U.R.S.S e 3.000 em Portugal.

No mesmo ano que a lista foi estabelecida, foram enviadas 7 toneladas de Zyklon B para Auschwitz com o objectivo de matar os judeus com esse gás. Já em 1943 foram enviadas 12 toneladas visto que os cálculos do 1º Comandante deste campo, Rudolf Hess, que para matar 1.500 pessoas eram necessários entre 5 e 7Kg de Zyklon B.

No final, apenas restavam os bens deixados pelas famílias judaicas deportadas que se resumiam entre outros, os óculos, as próteses de pernas e braços aproveitadas para fazer experiências, e os cabelos que eram úteis para o fabrico de tecidos.

Fanny Segal foi transferida para o campo de concentração de Ravensbruck, depois para o de Neuengamme no dia 14 de Fevereiro de 1945 dia dos seus anos. O campo foi libertado pelos Soviéticos em Maio.

Fanny chegou a Paris em 24 de Maio desse ano pesando apenas 34Kg e onde um médico tentou interná-la num asilo de doidos por ela lhe ter contado que estivera em Auschwitz.

Entre Maio de 1940 e Janeiro de 1943, foram deportados para Auschwitz cerca de 1.6 milhões de pessoas vindas de 15 países da Europa, sendo que na sua maioria , morreram 1.335.000 nas câmaras de gás, e 137.000 faleceram de fome, de doença, de frio ou brutalidades de todo o tipo, como espancamentos, experiências médicas, enforcamentos, etc

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http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:P%C3%A1gina_principal

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.