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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Poesias Integralistas- PALAVRAS AO MAR

PALAVRAS AO MAR

Marcus Sandoval


Eu não gosto de ti, és maior do que eu
Na cólera, na raiva e na maldade!
Se, às vezes, fico a olhar a imensidade
Das tuas águas, tremo e peço ao Céu
Que te extingua!

Tu não cantas - regougas!
Tu não choras - blasfemas!

Se nas praias, nos dias de verão,
Te mostras esplendoroso,
É para lamber os corpos nús
Li...bi...dinoso!

Traiçoeiro,
Das cem mil galeras que destroças,Assasinas cem milh~es de marinheiros.
Covarde!

E dizem que tu amas,
Que vives enamorado de alguém
Que te não quer,
Porque és mau!

Nunca mitigaste a sêde de ninguém,
Cruel!

- Eu amo a límpida corrente,
Que se oculta medrosa,
Que canta e chora, que soluça e geme,
Que dá de beber aos que têm sêde,
Que acaricia a face austera
Dos barrancos e das ribanceiras!
Que beija os pés das crianças
E lava roupa com as lavadeiras...

A essa, sim, oh! velho Mar, eu amo!
Porque detesto os orgulhosos e os tiranos!

(SANDOVAL, Marcus. Água da Fonte - Poesias Escolhidas. Rio de Janeiro: [s.ed.], 1944. Transcrito das páginas 76 e 77).

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.