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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Entrevista com Paixão Côrtes, fundador dos Centros de Tradição Gaúcha.

Entrevista com Paixão Côrtes

Por Anselmo Cunha dos Santos

Qual é a sensação de ser mais uma vez homenageado, agora como patrono da Feira do Livro?

A distinção que me fazem os participantes da Câmara do Livro e os demais livreiros e editoras é muito grande para quem não se considera um escritor, e sim um escrevinhador, ou seja, eu vou à fonte de origem da pesquisa, junto ao povo, registro, fotografo, analiso, escrevo, publico e devolvo ao povo o que é da sua sapiência, da sua vivência anterior ou atual. Na feira, pela primeira vez me parece, estão vindo essas expressões espontâneas de conjunto, de vivenciar os dias atuais que não são coisas do passado para serem cultuadas, nem são símbolos remotos, são vivencias das comunidades atuais. E como o livro não tem idade, nem pelo ou cor, acho que a Feira do Livro é o momento de reencontro com o povo através das próprias manifestações espontâneas, ao lado das erudições dos livros internacionais, dos pensadores dos mais variados setores humanos e tudo isso faz parte de uma única manifestação, que é cultura. Não tem superior nem inferior, não tem mais bonita nem menos bonita, não tem mais rica nem mais pobre, é cultura do povo.

Então o senhor acha que como patrono trará mais cultura, mais raízes?

Eu acho que trago raízes do Rio Grande do Sul ao lado das próprias culturas urbanas e internacionais. A feira tem como uma de suas finalidades cumprir essa função maior de universo, porque os pensamentos de escritores e livros que estão aqui, retratam o mundo que cada um de nós busca dando, a base para um grande progresso.


O senhor acha que as pessoas estão se afastando mais do tradicionalismo e procurando uma outra forma de se encontrarem culturalmente?

Em 1947, nós éramos sete quando começamos o movimento no Rio Grande do Sul, no colégio Júlio de Castilhos. Nove meses depois se fundou o '35' Centro de Tradições, que foi a primeira entidade. E naquela época éramos 24. Hoje, passados 60 anos, são 4 mil entidades, em torno das quais giram 5 milhões de pessoas. Isso, em todo o universo, deixou de ser de galpão para se tornar universal. Então, diz bem mais do que minhas palavras, os números do envolvimento dos mais variados segmentos da nossa sociedade.


O que o senhor acha da Tchê Music?

É uma ideia, não sei quanto tempo vai durar. A palavra é Che, que significa gente, pessoa, amigo, irmão. Pronuncia-se tchê, mas se escreve Che, se tu vais levar uma idéia e a escreve errado eu fico meio surpreso e preocupado, de que realmente não há fundamentação maior, o tempo dirá. É um direito que assiste as pessoas, não me cabe a pretensão de inventar normas. Folclore é uma ciência e se prima pela espontaneidade e não pela forma determinada.


O que o senhor acha que deve ser feito para atrair novamente os jovens aos prazeres da leitura?

Os jovens de hoje estão mais afeitos à tecnologia, à cultura tecnológica do que aquela espiritual e aquela de herança materna e paterna. E às vezes, quando tu atravessa um ciclo de dificuldades e que tu ficas na interrogação da vida, tu voltas às tuas origens para encontrar reforço e solidez para avançar. E ao regredir para avançar, as vezes, se perdem no tempo e no espaço.

O senhor acha que o Ipad substituirá o livro?

Eu acho que, como todas as inovações, deverão ter uma consolidação maior ou menor, só o tempo irá dizer. Mas eu acho que o processo acrescenta, em determinados aspectos, uma maior oportunidade, mas, ao mesmo tempo, dificulta a grandeza dos autores ou dos livreiros para que as coisas fiquem gramaticamente mais concisas do que simplesmente a orabilidade.


Para finalizar, qual o recado que o senhor deixa aos nossos leitores?

A leitura não tem marca, sinal ou pelo. Ela é aragana, é de todos nós. Então eu não tenho pretensão de, como simples vivente escrevinhador, querer acrescentar as outras facetas tão importantes que existem, e que dependem de cada um, da sua herança e do patrimônio que você tem para ver o rumo que você vai seguir. Oxalá seja florido e de gama a paz.

Você quer saber mais?

http://www.queb.com.br/

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.