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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Água subterrânea: o Aqüífero Guarani.


Glades M. Debei Serra
Pós-graduanda em Educação
Faculdade de Educação - USP


Cada vez mais a possibilidade concreta da escassez da água doce torna-se clara ameaçando o desenvolvimento das nações nas próximas décadas. Entender o ciclo hidrológico, incluindo o estudo das águas subterrâneas, é uma maneira de estimar a disponibilidade dos recursos hídricos em determinada região, podendo ser o ponto de partida para a busca de soluções desse problema. O ciclo hidrológico movimenta a água através da atmosfera, superfície e sob a superfície, criando condições para a manutenção da vida e das atividades humanas.

Da quantidade total de água no Planeta Terra 97,5% está nos oceanos e apenas 2,5% corresponde à água doce disponível. Desta porcentagem de água doce em condições de ser explorada pelo homem 0,3% são superficiais (rios e lagos) e 30% são águas subterrâneas. Os 68,9% restantes estão nas calotas polares e geleiras. Sendo assim, as águas subterrâneas adquirem significativa importância de toda reserva hídrica da Terra.

Uma importante reserva de águas subterrâneas para abastecimento da população e desenvolvimento de atividades sócio-econômicas é o Aqüífero Guarani, localizado na Bacia Geológica do Paraná. É o maior reservatório conhecido de água subterrânea no Planeta, com superfície de quase 1,2 milhões de km² e volume estimado em 46 mil km³. A denominação “Aqüífero Guarani” é atribuída ao geólogo uruguaio Danilo Anton em memória ao povo indígena da região.

Segundo a Enciclopédia Universal, aqüífero é “q ualquer formação geológica capaz de admitir uma quantidade considerável de água (reserva) e de permitir que esta flua em condições favoráveis (escoamento). As rochas de um aqüífero são porosas e permeáveis (cheias de poros interligados), de forma a absorverem água. Os aqüíferos constituem uma importante fonte de água potável para o consumo humano ou para a irrigação”.

O Aqüífero Guarani está localizado na região centro-leste da América do Sul e ocupa uma área de 1,2 milhões de Km², estendendo-se pelo Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina, área equivalente aos territórios de Inglaterra, França e Espanha juntas. No Brasil abrange os Estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. No Brasil é conhecido como “Formação Botucatu” e é encontrado desde a superfície na cidade de Ribeirão Preto, SP, até a profundidade de 1.800 metros na região do Pontal do Paranapanema. A população atual na área de ocorrência do Aqüífero está estimada em aproximadamente 29,9 milhões de habitantes.

Em território brasileiro o uso das águas extraídas do Aqüífero é destinado ao abastecimento público, irrigação, turismo termal etc., enquanto que nos demais países o uso de suas águas se destina a fins recreativos.

O Aqüífero Guarani é uma possibilidade alternativa de captação de água potável para consumo humano com diminuição de investimento de recursos financeiros, otimização de tempo e favorecimento do desenvolvimento das regiões de incidência do aqüífero. Em 1988 a CETESB constatou que 70% dos municípios do Estado de São Paulo são totalmente abastecidos por águas subterrâneas e que outros 154, o são parcialmente.

Os aqüíferos, devido à sua natureza, são menos vulneráveis à contaminação do que as águas superficiais. Entretanto é necessário considerar que uma construção ou uma perfuração de poços feitos de modos inadequados poderão comprometer e afetar as águas subterrâneas. Portanto, a cultura de uso dessas águas é um aspecto que necessita ser conhecido e explorado de modo a evitar futuras contaminações e degradações da reserva. Faz-se necessário, portanto, campanhas permanentes de educação ambiental que poderão contribuir para conscientização da população em relação ao uso racional da água buscando evitar a escassez desse recurso num futuro próximo.

Você quer saber mais?

www.daaeararaquara.com.br/ guarani.htm

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Plínio Salgado.