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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Petrobrás Homenageia Integralista.

No dia 7 de maio de 2010 foi noticiado pelo sítio eletrônico da Abril o lançamento ao mar do navio petroleiro João Cândido, no estado de Pernambuco.

No batimento de quilha, estiveram presentes o Presidente da República; os Ministros dos Transportes, da Ciência e Tecnologia; os principais executivos da Petrobrás e mais de 7.000 pessoas, entre operários do estaleiro e populares. O João Cândido é o primeiro navio brasileiro construído em mais de 13 anos, fato supracitado, “a embarcação tem 274 metros de comprimento e capacidade para transportar 1 milhão de barris de petróleo. Encomendado pela Transpetro, braço logístico do grupo Petrobras, o navio foi construído pelo estaleiro Atlântico Sul ao custo de R$ 300 milhões”.

João Cândido Felisberto, o Almirante Negro, nasceu em Encruzilhada do Sul, RS, em 24 de julho de 1880. Filho dos ex-escravos João Felisberto Cândido e Inácia Felisberto, apresentou-se na Escola de Aprendizes Marinheiros do Rio Grande do Sul, com uma recomendação de “atenção especial” escrita por um velho amigo seu e protetor de Rio Pardo, o Capitão-de-fragata Alexandrino de Alencar, que o encaminhara àquela escola. Desse modo, numa época em que a maioria dos aprendizes era recrutada pela polícia, João Cândido alistou-se com o número 40 na Marinha do Brasil em 1894, aos 14 anos de idade, fazendo a sua primeira viagem como Aprendiz de Marinheiro.
As eleições presidenciais de 1910, embora vencidas pelo candidato situacionista Marechal Hermes da Fonseca, expressaram o descontentamento da sociedade civil e militar com o regime vigente.

Entre os marinheiros, insatisfeitos com os baixos soldos, com a alimentação ruim e, principalmente, com os degradantes castigos corporais (chibatadas), cresceu o clima de tensão. O uso da chibata como castigo na Marinha do Brasil já havia sido abolido num dos atos primeiros dos oficiais. Num contingente que era de maioria negra, centenas de marujos continuavam a ter seus corpos feridos pela chibata e depois salgados, como nos tempos da escravidão. Em 16 de Novembro de 1910, um dia após a posse do Marechal Hermes da Fonseca, o marinheiro Marcelino Rodrigues de Menezes foi punido com 250 chibatadas, de acordo com os jornais da época, aplicadas na presença de toda a tripulação do Encouraçado Minas Gerais.

No dia 22 de Novembro de 1910, João Cândido iniciou a Revolta da Chibata, assumindo o comando da belonave Minas Gerais, pleiteando a abolição dos castigos corporais na Marinha de Guerra do Brasil, quando então foi alcunhado pela imprensa, como o Almirante Negro. Por quatro dias, os navios de guerra São Paulo, Bahia, Minas Gerais e Deodoro apontaram canhões para a então capital do país, o Rio de Janeiro. No ultimato dirigido ao Presidente da República, afirmaram os marinheiros: Nós, marinheiros, cidadãos brasileiros e republicanos, não podemos mais suportar a escravidão na Marinha brasileira. Embora a rebelião tenha terminado com o compromisso do Governo Federal em acabar com o uso da Chibata na Marinha e de conceder anistia aos revoltosos; João Cândido e os demais implicados foram presos.

Apesar de declarar-se contra a um novo levante de marinheiros em Dezembro de 1910, João Cândido foi expulso da Marinha, sob a acusação de ter favorecido os revoltosos. Em Abril de 1911 seria internado no Hospital dos Alienados, como louco e indigente, donde seria solto em 1912, absolvido das acusações, juntamente com os seus companheiros. Banido da Marinha, sofreu grandes privações em vida, trabalhado como estivador na Praça XV, no centro do Rio de Janeiro.
Em 1933, aderiu a Acção Integralista Brasileira-AIB, chegando a ser líder do Núcleo Integralista de Gamboa, RJ. Em entrevista gravada em 1968, João Cândido declarou-se ser amigo de Plínio Salgado e ter orgulho de ter sido integralista. Discriminado e perseguido até ao fim da sua vida, faleceu no Hospital Getúlio Vargas, RJ em 06 de Dezembro de 1969, vítima de câncer, pobre e esquecido, aos 89 anos de idade.

O Deputado Federal Elimar Máximo Damasceno do Prona/SP, apresentou o projeto de lei n.5874/05, determinando inscrever o nome do integralista João Cândido no Livro do Heróis da Pátria, que se encontra no Panteão da Liberdade e da Democracia na Praça dos três Poderes, em Brasília (DF).

Autor: Pres. Estadual FIB-CE Sr. Guinardo Garcia Stuart

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Boletim Informativo Bandeira do Sigma, ANO I/ N°11, Julho de 2010

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.