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domingo, 24 de outubro de 2010

O INTEGRALISMO NO BRASIL, Parte II.

O INTEGRALISMO NO BRASIL, Parte II.
ProfProf. César Augusto Machado da Silva

Assessorando o Chefe Nacional, havia o SEP – Sociedade de Estudos Políticos. Foi criada também, a Milícia Integralista.
Muito contribuíram para esta elaboração, Alfredo Buzaid, Rui Arruda, Roland Corbisier,Almeida Sales, Angelo Simões Arruda e San Tiago Dantas. Miguel Reale, mais tarde, o teórico.
Iniciou-se assim, a Ação Integralista Brasileira, dando a priori, apoio ao governo Vargas, visto que a recente e derrotada Revolução Constitucionalista de São Paulo pretendia reverter política regionalista do poder Minas-São Paulo (o famoso Café com Leite). A partir de 1933, o governo Vargas inicia o programa social, cuja base é a Carta d’il Lavoro de Mussolini, ou seja, o socialismo corporativo, daí surgindo a legislação do trabalho e os Institutos de Previdência por Classes, tal foi amplamente apoiado pela A.I.B.
A partir de 1934, o Brasil continua através do governo de Getúlio Vargas, a sua política corporativa, são criados o Ministério do Trabalho e a Justiça do Trabalho, o primeiro para coordenar os Institutos de Previdência e fiscalizar as empresas no tocante à legislação do Trabalho, e, a segunda para julgar os litigios entre empregados e empresários e fixar os dissídios salariais. Em 16/07/34 é promulgada a 3ª Constituição do Brasil em bases corporativas, havendo a representação classista, sendo Getúlio Vargas eleito para o período de 1934 a 1938. A AIB apoiou tais eventos.
O ano de 1935 entra sombrio, os comunistas, elaborando a “Aliança Nacional Libertadora”, denunciam o sistema como fascista, e, pregam a revolução armada em “nome do povo”, já em 1934 Plínio Salgado declarara em um Congresso da AIB:
“A liberdade é condicionada à uma finalidade social que garanta a plena expansão das
aspirações humanas”, querendo dizer com isto, que tanto o exerço do liberalismo, permitindo as grandes riquezas, em detrimento da sociedade, como o socialismo marxista colocando o indivíduo em função do Estado, e lhe negando o direito de propriedade e logicamente sua fixação, não atendem as aspirações do homem.
Ambos, o exerço de liberalismo e comunismo tiram ao homem o direito da verdadeira liberdade, que consiste no seu direito individual de trabalho e propriedade, condicionando no dever de respeito à propriedade e trabalho de seu semelhante, dentro do espírito de classe e sociedade. Liderada por Luis Carlos Prestes, explode em 27/11/35 a intentona comunista, no Rio de Janeiro, Natal, Recife e Olinda, sendo prontamente abafada pelo governo, assim como presos os chefes do movimento. A AIB ajudou amplamente o governo Vargas, neste propósito. Em 1936, o ano abre tenso, a intentona comunista deixara muitos mortos entre os militares e civis leais ao governo Vargas, os espíritos estavam exaltados e os familiares revoltados, as
prisões cheias de comunistas e suspeitos. Apesar de Luiz Carlos Prestes estar foragido, e, o governo Vargas ter o controle da situação, o perigo de conspiração comunista não cessara. A AIB se mantém vigilante ao perigo, informando às autoridades, todos os movimentos prócomunistas que consegue detectar, Prestes foi preso e condenado. Em 1937, a política brasileira, sob o governo Vargas, atinge a temperatura máxima, não só a ameaça comunista perdurava, como as eleições presidenciais se aproximavam, cujos candidatos principais eram José Américo, da Paraíba com um programa liberal nacional e Armando Sales, de São Paulo, que, na verdade, representava a antiga política regionalista de Minas-São Paulo.
No Rio Grande do Sul, não se soube a que pretexto, Flores da Cunha, governador, conspirava contra o governo Vargas. Surgiu então o famoso plano Cohen, até hoje incerto nas pesquisas de todos os historiadores, de onde a sua origem? A sua característica era similar a do comunista húngaro Khun, daí a corruptela para Cohen, que consistia na tomada de assalto das principais repartições públicas, sobretudo a de comunicações e transportes, principais unidades militares e assassinato das
principais autoridades, conspiração essa que fracassou na Hungria. Existem várias hipóteses, nenhuma provada:

1) O Plano fora forjado pelo governo, como pretexto para o golpe de 10/11/37, com a
cumplicidade dos integralistas.
2) Havia realmente algo comunista no ar.
3) Conspiração internacional pró, ou anticomunista, até mesmo de capitais internacionais, que
viam seus interesses ameaçados.


Personagens Contemporâneos da Época:

Alzira Vargas do Amaral Peixoto => Filha de Getúlio Vargas e sua assessora direta, cita em seu livro ”Vargas, meu Pai, que desconhecia totalmente a origem deste plano,dizendo apenas que fora preso no Ministério da Guerra, um oficial integralista datilografando uma minuta sobre o plano, embora não decline o nome do oficial, se sabe que foi o Capitão Olímpio Mourão Filho ,o qual mais tarde como General em 1964, seria o principal mentor militar que precipitaria a queda do governo do Presidente João Goulart. Olímpio Mourão Filho => No seu livro de memórias, o General Mourão não faz uma única referência ao plano; não obstante se declarar abertamente integralista, chegando a dizer que “Quem veste a camisa-verde, jamais a tira”, além de tecer vários elogios à Plínio Salgado.
No entanto, há uma entrevista sua publicada no “Jornal do Brasil” no início dos anos 70, onde diz que estava informado sobre graves conspirações, às quais poderiam levar o Brasil ao caos, e por isto juntara documentos comprobatórios, levando-os ao General Mariante, então Ministro do Tribunal Superior Militar. O General Mariante, de posse dos documentos, os levou ao então Chefe do Estado-Maior do Exército, General Goés Monteiro. Quando mais tarde, Mourão soube, procurou Góes Monteiro(desmentindo aí a sua prisão), sendo por ele recebido, a quem externou a sua preocupação, e, estando apreensivo pelo fato das eleições estarem próximas, assim como, quais seriam as ressonâncias de tais notícias no Congresso.
Góes Monteiro, não lhe tinha nenhuma simpatia, diz Mourão, que ele assim o respondeu:
-“Não seja arara (bôbo), não vai haver coisa alguma! ”Tais acontecimentos se passaram no início do mês de Novembro de 1937. E, em 10/11/37, era Fechado o Congresso, desmarcadas as eleições e proclamado o Estado Novo, com Getúlio Vargas na Chefia da Nação. No dia 15/11/1937, houve uma solenidade junto ao monumento do Marechal Deodoro da Fonseca, presidida por Getúlio, onde são queimadas as bandeiras estaduais, logo a seguir, foi hasteada a Bandeira Nacional, ao som do Hino Nacional, rodeados de milhares de Camisas-Verdes de braços direitos levantados. No dia 01/11/37, duas semanas antes de tais eventos, diz Alzira Vargas em seu livro, que a grande manifestação integralista, como o grande ‘desfile dos 50 mil’ em homenagem e apoio ao seu pai, muito a impressionou, pois nele estavam altas patentes do Exército e da Marinha, bem como altos industriais e comerciantes, bancários, comerciários e senhoras da alta sociedade. E que “terminado o desfile, o meu pai subiu ao gabinete, tocou a campainha e convocou o Ministro da Justiça, Francisco Campos”.
No dia 21/11/1937, o governo do Estado Novo, fechou todos os partidos e agremiações
políticas, incluindo a Ação Integralista Brasileira. Foi um grande impacto, pois AIB já estava organizada não só como um partido político, como uma Associação Social e Beneficente, razão à qual, motivou uma série de protestos, entre os quais e principalmente, as carta do General Newton Cavalcanti e de Plínio Salgado;
a primeira falava da demissão do General Newton do comando da Vila Militar, endereçada ao Ministro da Guerra, general Eurico Dutra, e a Segunda, endereçada ao Chefe do Estado Novo, Sr. Getúlio Vargas, protestando contra o fechamento da AIB.
Hoje em dia, antigos integralistas, magoados, negam que a AIB houvesse apoiado o governo Vargas em toda a sua trajetória, mas essas cartas, cujo teor está no livro do historiador Hélio Silva, sobre o Movimento Integralista, são contundentes provas a contradizê-los... Começou, entretanto, entre fins de 1937 a princípios de 1938, a conspiração integralista, pecando desde o início, por não ser uniforme, e, quando por fim se arquiteta o ataque ao Palácio Guanabara, que seria apoiado por forças do Exército e da Marinha, com a posse de um triunvirato, composto de Belmiro Valverde, um General e um Almirante, essa planificação não era compacta. Tanto assim, que em seu livro, o Historiador Hélio Silva cita na véspera da data marcada, dia 10 de Maio de 1938, “Barbosa Lima tentara convencer Severo Fournier, tenente do Exército que ira comandar o ataque, da inutilidade de tal sacrifício, uma vez que todas as informações levavam a crer que dentro do Exército e da Marinha, ainda não havia a
aderência suficiente para se desfechar o golpe. ”Tal, porém não demoveu o Tenente Fournier, pois no dia 11/05/1938, à 01 hora da madrugada, algumas viaturas trouxeram homens uniformizados de fuzileiros navais que chegaram em frente ao Palácio Guanabara, cuja guarda de fuzileiros estava comandada pelo tenente Nascimento, que era Integralista; a resistência é pouca. Morrem três fuzileiros que tentam resistir, o Palácio é tomado, e Getúlio e a família ficam prisioneiros por várias horas.
Não chegavam nem forças rebeldes, nem do Governo; há menção de que os fuzileiros
navais são retidos no Arsenal de marinha, por forças governistas; Os telefones do Palácio foram cortados, exceto um, que permitiu a comunicação com a Polícia Especial; O General Dutra no Leme soube do ocorrido, e parte com uma pequena força de 12 homens para o Palácio; Há combate. Dutra é ligeiramente ferido na orelha. O que realmente se passou...? O fato é que com a chegada da Polícia Especial (Uma unidade de elite do Estado Novo), o combate se tornou desigual, e já de manhã estava tudo terminado: Os Integralistas vencidos, alguns mortos, outros refugiados e outros aprisionados e fuzilados, por ordem de Benjamin Vargas, irmão de Getúlio.
Seguiram-se inúmeras prisões de chefes e militantes integralistas. Houve comentários de que o levante estava ligado à Alemanha Nazista, porém no livro “O III Reich no Brasil”, que tem na íntegra documentos alemães decodificados e apreendidos pelos Aliados no final da II Guerra, o embaixador alemão Von Ritter, emitiu um telegrama-relatório normal, sem aventar qualquer ligação de seu governo com o Levante. Nele faz uma menção da eclosão do movimento devido ao fato do Governo Vargas não ter cumprido a palavra empenhada com os Integralistas. Em sua carta de demissão, o General Newton Cavalcanti chama a atenção para as conseqüências imprevisíveis para o Governo Vargas, uma vez que, se cuidasse do perigo das influências do comunismo e do banqueirismo internacional, vide PlanoCohen...
No período em que se seguiu a 2° Guerra Mundial, os Integralistas foram acusados de espionagem Pró-Alemanha (Acusação falsa e sem provas!).
Após o final da Segunda Guerra e a queda do Estado Novo, e obviamente de Getúlio, em 29/10/1945, o Integralismo ressurge, com a ajuda de seu teórico Miguel Reale com a sigla de PRP (Partido da Representação Popular), porém já não possuía a ênfase e a forçaanteriores. Já em pleno Governo Dutra (1946/1951), nasceram os seguintes Partidos Políticos:

· UDN (União Democrática Nacional )=> Cunho Ultra-Conservador;

· PSD (Partido Social-Democrata) => Cunho Conservador, abrigava empresários e donos de terras.

· PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) => Trabalhadores em geral;

· PSP (Partido Social Progressista) => Trabalhadores da Grande SP; Era conduzido por Ademar de Barros, ex-governador de SP;

· PCB (Partido Comunista Brasileiro) =>Liderado por Prestes, com grande força entre o operariado, acabou sendo fechado em 1947, por Decreto Presidencial;


Neste panorama político, foi difícil a atuação do PRP. Não obstante fazer deputados federais e até lançar a candidatura de Plínio Salgado em 1955, à Presidência da República; Foi derrotado; e em 1965 seria extinto com os demais partidos por decreto do Presidente Castelo Branco (1964/1967).

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http://www.integralismorio.org

http://www.integralismo.org.br

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Plínio Salgado.