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domingo, 24 de outubro de 2010

INTEGRALISMO NO BRASIL, Parte I

INTEGRALISMO NO BRASIL, Parte I.
Prof. César Augusto Machado da Silva


Antes de entrar no tema da questão, analisaremos etimológica e etnologicamente a palavraIdeologia, e, mais precisamente a palavra Democracia.
Quanto à primeira, significa um pensamento de convicção, seja, político, social ou religioso.Quanto à segunda, significa uma ideologia de participação e representação popular, oriunda davelha Grécia.Com o passar do tempo este conceito de Democracia foi se tornando muito elástico, porquanto,na antiga Grécia, esta representação e esta participação eram mais ou menos selecionadas(intelectuais, comerciantes e militares), assim com, na antiga Roma, eram diferenciadospatrícios e plebeus. (Senado e Assembléia Curiata)Já no século XVII, John Look e Adam Smith, na Inglaterra, preconizam os primeiros acordes dopensamento liberal, que acabou culminando na “Revolução Gloriosa” de 1689 parlamentarismo), porém, ficou um século restrito às ilhas Britânicas.Cem anos mais tarde, na França, surgem dois pensamentos, um no âmbito econômico, e, o outro no âmbito social e político, são:
A Fisiocracia, preconizada por Francois Quesnay, Turgot, Dupont, De Nemours e Gournary, estabelecia que toda a riqueza produtiva deriva da terra, sendo o comércio e a indústria, os complementos, mas para tal, se precisava de liberdade, o “laissez-faire”, liberdade de ação. O Iluminismo, preconizado por Jean Jaques Rosseau, Voltaire, Montesquieu, estabelecia o Estado em função do Indivíduo, e, não ao contrário, estando por ele emanado e representado, estes pensamentos são vitoriosos, na revolução francesa de 1789, concretizando o liberalismo. Esta revolução, todavia, não realizou os anseios do proletariado, uma vez que, a burguesia assumiu todo o controle (primeiro os jacobinos, e depois os girondinos), que deixando os “sans
coulotes”(proletários urbanos e rurais), à sua própria marginalização.
Fermentam, pois, no início do século XIX, os primeiros pensamentos do socialismo, primeiramente utópico com Pierre Proudon, Edgard Faure, Saint Simon, e,posteriormente com Karl Marx e Frederico Engels na metade do século XIX, culminando com a Revolução Russa em 1917, durante a I Guerra Mundial, liderara por Wladimir Lenine e Leon Trotsky. Ao chegar o término da I Guerra Mundial, se tem duas ideologias antagônicas:

a) Liberalismo - Livre Iniciativa (laissez faire), não-intervenção do Estado e livre concorrência, assim como o voto universal, de onde sai a representação pluri-partidária.

Direito de Propriedade.

b) Socialismo Marxista, imposto na União Soviética em 1917 – Economia e política estatal,definida e dirigida pelo Partido Único (Comunista), representação pelos Sovietes, do povo e das nacionalidades. Negação da Propriedade.
No início do século XX, em 1909, surge na Itália o movimento futurista, pregando o futuro modernista, liderado por Mariatti e Papini. Este movimento, mais tarde após a I Guerra Mundial, vai aderir ao vitorioso Fascismo, fundado por Benito Mussolini, ex-marxista, estabelecendo o Estado Social Corporativo (associação de classes), delas saindo as suas representações e os seus dirigentes (1922).
Nesta mesma década, o Nacional-Socialismo, na Alemanha, liderado por Adolf Hitler, com a ideologia análoga ao Fascismo, caminha e chega ao poder em 1933.
Ambos eram anti-marxistas e anti-liberais, mas o que é importante observar-se é que o conceito de Povo, Estado e Representação (democracia), está embutido no pensamento de cada uma destas ideologias:
Liberalismo, voto universal e pluri-partidarismo, direito de propriedade, mas pode o homem sem o dinheiro justo remunerado, se eleger por um partido ou adquirir uma propriedade?
Socialismo-Marxista, voto do Soviete (agremiações proletárias), voto, e propriedade coletiva, afim de ser distribuída ao bem comum, mas onde está o direito de pensamento e fixação do homem?
A tese Fascista, estabelece que o espírito individual está dentro de sua classe obreira, e, o conjunto das classes obreiras formam a sociedade pluralista, que dentro de um Estado harmônico social, equilibra a sua estrutura e atende aos anseios de todos, dentro da união nacional. É o Corporativismo, cujas origens remontam às Corporações de Ofício medievais.
Isto será adiante tratado no tema “Integralismo no Brasil”.

BRASIL – NO INÍCIO DO SÉCULO XX

Começara uma república, que iria durar até 1930, sem base nacional, sem respaldo
popular, sem ideais sociais, tendo por princípio, os interesses regionalistas concentrados no eixo Minas Gerais - São Paulo.
O elitismo europeu, com toda sua plenitude era cultuado na vida brasileira, principalmente o francês.
Quando, então, a intelectualidade nova, começa pelos idos de 1907, a defender um novo
pensamento, acerca dos valores nacionais, na recém fundada revista “A Meridional”, por estes mesmos defensores do nacionalismo cultural.
Por esta época, sob a égide de Cruz e Souza, Eliseo de Carvalho, e, por apoio de Décio Villares e Rocha Pombo é que a expressão “integral” é usada no sentido de “resgatar a força ancestral do homem brasileiro, mediante a investigação estética dos motivos étnicos e a glorificação dos heróis espontâneos e naturais, com a expressão total da existência da raça.” (Antonio Arnoni Prado), baseado na lição filosófica dos naturistas Albert Feury e Le Blond. Iniciava-se, assim, o Movimento Naturista, conforme o panfletário neste sentido, seguido do livros “As Modernas Correntes Estéticas da Literatura Brasileira”, acabando por se concretizar no Movimento Modernista. Apesar de, nele constar muito dos adeptos ao anarquismo, como José Oiticica, Fábio Luz, José Veríssimo, Silva Marques e outros, há um grupo que diverge desta corrente, uma vez que cultua o valor da etnia brasileira, indo aos poucos tomando vulto como Graça Aranha, João Ribeiro, Ronald de Carvalho, João do Rio, já entre 1907 a 1912.
Assim se expressam em suas obras:
“Esplendor e Decadência de uma Sociedade” – Eliseo de Carvalho “Canaã” – Graça Aranha
“A Mulher e o Espelho” – João do Rio Em todas estas obras, os autores procuram enaltecer o espírito e o personagem nacional, enquanto criticam a imitação estrangeira, como Alberto Torres em “As Fontes de Vida no Brasil”, em 1915.
Enquanto isso, na Itália, desde 1909 crescia o Movimento Futurista, com pensamento análogo, ou seja emancipação das tradições passadas, com novos valores literários e novas formas artísticas, e, consequentemente um Estado forte que sustentasse esse Movimento (sic). Marinetti liderava o Futurismo.
Após 1914-1918, período da I Guerra Mundial, o panorama mundial deu uma guinada de 360º, estando extintos o Império Alemão, o Austro-Húngaro, e o Russo, em seus lugares surgia a República de Weimar, as pequenas Áustria, Checoslováquia, Hungria e a colossal União Soviética.
Em 1922, o fascismo triunfa na Itália sob a liderança de Benito Mussolini, recebendo a adesão do Movimento Futurista.
No Brasil, nesta época, a república de 1889, dava sinais de agonia, eventos como o Movimento dos “Tenentes”, com a revolta do Forte de Copacabana, as greves operárias, a fundação do Partido Comunista e a Coluna Prestes.
Destarte, foi natural que as correntes literárias e artísticas tomassem posições políticas, e, assim se forma em 1922, o grupo verde-amarelo, constituído dos modernistas Amoroso Lima, Alcantara Machado, Graça Aranha, Ronald de Carvalho, Guilherme de Almeida, Tasso da Silveira e outros, entre os quais um advogado moço, redator de vários jornais, como: “O Jornal Albor”, “Correio de São Bento”, e, “O Correio Paulistano”, foi um ardoroso defensor do nacionalismo, baseado na raça tupi principalmente. O europeu e o africano foram o amálgama, em decorrência do primeiro.
Neste mesmo ano, há a inauguração da Semana de Arte Moderna, por Oswald de Andrade, e a publicação do livro “Juca Mulato” de Menotti del Picchia.
A grande importância deste ano de 1922, é a formação do grupo Anta, mamífero totem da raça tupi, com a maioria dos integrantes do grupo verde-amarelo, ao mesmo tempo em que surgem a “Ação Patrinovista do Brasil” de Olbiano de Melo e a “Ação Social Brasileira”, de J. Fabrino, mas, é sobre o grande dinamismo de Plínio Salgado, que vai despertando um novo pensamento, escrevendo várias obras:
‘Diretivas da Nova Geração’ (1927), ‘O Estrangeiro’, ‘Literatura e Política’, ‘República de 1889, Favorável e Desfavoráve’l, ‘A Cidade e a Província’, a ‘4ª Humanidade’, foram seus escritos nos anos que se seguiram entre 1927 e 1931.
Entre Abril a Outubro de 1930, faz uma viagem a Europa e ao Oriente Médio, onde tem uma entrevista com Kemal Atarturk da Turquia, bem como, Benito Mussolini, da Itália,onde estudou atentamente o Fascismo.
Em 07/10/1932 é oficialmente fundada a “Ação Integralista Brasileira”, presidida por Plínio Salgado, assessorados por Alfredo Buzaid, San Tiago Dantas, Rui Arruda, Almeida Sales, Angêlo Simões Arruda. Já havia sido fundado o jornal “A Razão” em 1931, e, logo a seguir noano de 1932, após a fundação da A.I.B., foi criado o SEP (Sociedade de Estudos Políticos), antecâmara do Integralismo.

Você quer saber mais?

http://www.integralismorio.org

http://www.integralismo.org.br

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.