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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Doei Ouro para o Bem do Brasil!

Jorge Figueira*

A Offensiva - pag.1 - N°515 - 16-06-1937 - ANO IV

A Acção Integralista Brasileira – AIB (1932-1937), organização social e política atuante em todo o Território Brasileiro, foi a partir de sua criação até extinção, o maior movimento político da história do Brasil. Apresentou-se como uma oportunidade única para a inserção de negros, índios, mulheres e crianças, antes marginalizados pelos partidos políticos. O movimento Integralista conseguiu arregimentar cerca de 1.500.000 de militantes em todo o Território Nacional.

Através da AIB foram fundados postos médicos, restaurantes populares (o maior deles chamava-se “O Pão Nosso de Cada Dia”, no Bairro da Gamboa, no Rio de Janeiro, e tinha capacidade para atender 1.000 pessoas), escolas profissionalizantes, assistência jurídica gratuita, entre outros auxílios ao público carente esquecido pelos políticos profissionais. Para que estas instituições pudessem funcionar em condições razoáveis, eram necessárias formas inusitadas de angariar fundos, uma vez que apenas as doações voluntárias não eram suficientes para arcar com as despesas.

As contribuições financeiras de cada Integralista eram feitas de acordo com as suas possibilidades econômicas, sendo enviada parte da contribuição para a Secretaria Nacional de Finanças, a outra parte ficaria para a manutenção do Núcleo Integralista. Cada Núcleo era mantido pelos próprios Integralistas neles inscritos, e seus militantes prestavam serviços para o Núcleo gratuitamente. Desta forma, não era possível a Acção Integralista Brasileira depender apenas da colaboração de seu militante ou dos periódicos que editava, era necessário criar outras formas como a “Taxa do Sigma” e a campanha “Doei Ouro para o Bem do Brasil”.

A “Taxa do Sigma”, denominada pela AIB de “A viga mestre da economia do movimento” era uma contribuição mensal que todos os Integralistas inscritos eram obrigados a manter, tinha como destino a manutenção das Sedes da Acção Integralista Brasileira e dos Congressos e desfiles cívicos realizados pelo Diretório Nacional. Os Periódicos Integralistas, como o Jornal “A Acção”, “Revista Panorama” e “Anauê!”, não recebiam receita proveniente da “Taxa do Sigma” uma vez que se mantinham por receita própria através principalmente de suas assinaturas e anúncios.

A Offensiva Nº78 - pag.9 - 09-11-1935 - ANO II

Como a campanha “Doei Ouro para o Bem de São Paulo”, que no começo dos anos 30 aglutinou toda a população paulista para se sacrificar por São Paulo doando seus pertences, a campanha promovida pela Acção Integralista Brasileira denominada “Doei Ouro para o Bem do Brasil” arregimentou todos os Integralistas pelo Brasil para doarem ouro, prata e bronze para ajudarem a campanha do Chefe Nacional da Acção Integralista Brasileira Plínio Salgado à Presidência da República. Como na campanha de São Paulo, a AIB entregava aos colaboradores, no momento da doação, anéis e moedas com o Sigma e a inscrição “Doei Ouro para o Bem do Brasil”. Atualmente é raro encontrar os anéis e moedas confeccionados em sua grande maioria em metal prateado ou esmaltado. Ainda na década de 80 do século passado, a Companheira Da. Adeli Simi de Castro exibia com orgulho o anel com a inscrição acima, que recebera quando doara suas jóias, inclusive, a aliança de casamento.

Havia além destas duas formas, outras maneiras de ajudar financeiramente o Integralismo para se expandir pelo Brasil, entre elas se destacam o pagamento de uma jóia no momento da inscrição no Núcleo, o “Empréstimo do Sigma”, a “Campanha do Selo Usado”, além, é claro, da venda de distintivos e medalhas Integralistas realizada pelos Núcleos ou lojas autorizadas que eram amplamente divulgavas através dos periódicos mais diversos. O “Empréstimo do Sigma” era constantemente divulgado pelos periódicos Integralistas através da frase: “Tomar promissórias do Empréstimo do Sigma é cooperar com o Integralismo na sua marcha patriótica e desassombrada”. Tinha como principal função financiar as viagens das comitivas Integralistas pelo Brasil.

As campanhas promovidas pelos cerca de 3.600 Núcleos da Acção Integralista Brasileira espalhados pelo Brasil arrecadaram nos anos de 1936-1937 um total de 2.450.000$000 (em Réis). Seria o equivalente a R$ 4.000.000,00 hoje em dia (atualização tendo base o índice IPC-SP FIPE).

Com a decretação do Estado Novo (1937-1945), que colocou a AIB na clandestinidade, houve o confisco de seus bens pelo Governo Federal, com exceção da Sede da Província do Mar, que foi doada pelo Chefe Nacional Plínio Salgado, constituindo-se hoje na “Casa do Marinheiro”. Para ajudar financeiramente as famílias dos Integralistas presos e torturados pela Polícia Política, foi criada a “Associação das Famílias Empobrecidas” – AFE; os exilados Integralistas que foram para a Portugal, Uruguai e Argentina, passando extrema necessidade, eram sustentados com subscrições especiais, sendo o principal contribuinte o Companheiro Milton Ferreira de Carvalho, que inclusive forneceu o capital para que os Integralistas exilados em Buenos Aires abrissem um Restaurante, o Café Ouro Verde, que passou a ser ponto de encontro para todos os Brasileiros residentes na Capital da Argentina, fossem exilados ou não.

* Σ – Rio de Janeiro(RJ). Publicitário. Presidente dos Núcleos Integralistas do Estado do Rio de Janeiro – NIERJ.

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.